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Investimento directo estrangeiro mundial cai 49% no primeiro semestre

“As economias desenvolvidas registaram a maior queda, com o IDE a atingir uma estimativa de 98 mil milhões USD no primeiro semestre de 2020 - um declínio de 75% comparado com 2019”, um valor que só tem paralelo com o ano de 1994, segundo o organismo das Nações Unidas.

Luanda /
27 Out 2020 / 10:58 H.

O investimento directo estrangeiro a nível mundial diminuiu 49% no primeiro semestre do ano face a 2019, segundo um relatório da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) hoje divulgado.

“Os fluxos de investimento directo estrangeiro (IDE) mundial na primeira metade de 2020 baixaram 49% comparados com 2019 dado que os confinamentos pelo mundo abrandaram os projectos de investimento existentes e a perspectiva de uma recessão profunda levaram as empresas multinacionais a reavaliar novos projectos”, pode ler-se no documento da UNCTAD hoje divulgado.

Segundo a organização, o total do IDE mundial até ao segundo semestre foi de 399 mil milhões USD, cerca de 337,7 mil milhões de euros.

O mesmo documento indica que “o declínio deu-se em todos todas as formas de IDE”, com a criação de subsidiárias a descer 37%, as fusões e aquisições transfronteiriças a caírem 15% e novos projectos financeiros transfronteiriços a registarem uma quebra de 25%.

“As economias desenvolvidas registaram a maior queda, com o IDE a atingir uma estimativa de 98 mil milhões USD [cerca de 82,9 mil milhões de euros] no primeiro semestre de 2020 - um declínio de 75% comparado com 2019”, um valor que só tem paralelo com o ano de 1994, segundo o organismo das Nações Unidas.

De acordo com a UNCTAD, “a tendência foi exacerbada para fluxos negativos acentuados nas economias europeias com fluxos de veículos [financeiros] significativos”, e os fluxos para a América do Norte diminuíram 56% para 68 mil milhões USD (cerca de 57,5 mil milhões de euros).

No caso exclusivo da Europa, os fluxos foram negativos pela primeira vez na história, sendo-os em sete mil milhões USD (cerca de 5,9 mil milhões de euros).

Os fluxos para a União Europeia desceram 29% para 133 mil milhões USD (cerca de 112,5 mil milhões de euros), com os Países Baixos a registarem uma queda de 86 mil milhões USD (72,8 mil milhões de euros), com o impacto do desinvestimento em 70 mil milhões de euros (59,2 mil milhões de euros) em acções, e a Itália reduziu os fluxos para 2 mil milhões USD (1,7 mil milhões de euros).

Pelo contrário, os fluxos para a Irlanda registaram uma subida de 65 mil milhões USD em acções (55 mil milhões de euros), e o IDE na Alemanha subiu 15% para 21 mil milhões USD (17,7 mil milhões de euros).

As projeções mundiais para o ano apontam para uma queda de 30% a 40% do investimento directo estrangeiro, segundo este organismo da ONU sediado em Genebra, na Suíça, mas nas economias desenvolvidas a taxa de declínio “deverá estabilizar dado que parece haver uma subida em alguma actividade de investimento no terceiro trimestre”.

“A perspectiva permanece altamente incerta, dependendo da duração da crise de saúde e da eficácia das intervenções de medidas políticas para mitigar os efeitos económicos da pandemia”, com os “riscos geopolíticos” a terem lugar nos riscos, segundo a UNCTAD.