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Investimento angolano em Portugal ultrapassa português no País

As relações económicas mais importantes entre os dois países são visíveis nos sectores da banca, construção, energia e indústria.

Luanda /
27 Set 2021 / 09:23 H.

O investimento angolano em Portugal era, em Junho deste ano, superior ao português em Angola em 241 milhões de euros, de acordo com dados do Banco de Portugal, enviados à Lusa pela Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP)

Segundo os dados cedidos pela AICEP, o Investimento Directo Estrangeiro de Angola em Portugal (IDE) ascendia, em Junho deste ano, a 2.214 milhões de euros, face aos 1.973 milhões de euros de Investimento Directo Português no Estrangeiro (IDPE) em território angolano registados no mesmo mês.

O IDE tem-se mantido mais ou menos estável desde 2017, sendo que em Dezembro de 2019 totalizava 2.249 milhões de euros e um ano depois fixava-se nos 2.176 milhões de euros.

Já o IDPE registou uma queda assinalável nos últimos anos. Em Dezembro de 2017 ascendia a 4.547 milhões de euros e em 2020 já tinha descido para 1.944 milhões de euros.

De acordo com a Lusa, no que diz respeito às exportações para Angola, os dados enviados pela AICEP, do Instituto Nacional de Estatística (INE) apontam para uma redução de 2,8% no primeiro semestre deste ano, em termos homólogos, tendo as importações caído por seu turno quase 78%, numa altura em as trocas internacionais foram fortemente afectadas pela pandemia.

Nos últimos dez anos, muita coisa mudou nas relações entre empresários angolanos e portugueses, com os exemplos mais evidentes a serem a queda da influência de Isabel dos Santos, na sequência do Luanda Leaks, e as consequências do desaparecimento do Grupo Espírito Santo.

As relações económicas mais importantes entre os dois países são visíveis nos sectores da banca, construção, energia e indústria.

Dos bancos que compõem o sector bancário angolano, cinco concentram a maioria do mercado. Destes, dois têm capitais de origem portuguesa: o Banco de Fomento Angola (BFA), de que o BPI é accionista, e o Banco Económico, antigo Banco Espírito Santo Angola (BESA), do grupo Espírito Santo, que acabou por ser arrastado na derrocada do grupo. O Novo Banco mantém uma posição nesta instituição angolana, que é dominada pela Sonangol.

No sector da construção destaca-se a Mota-Engil Angola, a filial criada em 2010 pelo grupo para o País, conta com accionistas como a Sonangol (20%), sendo que o Estado angolano planeia vender esta posição.

A Teixeira Duarte é outra das construtoras portuguesas que marcam presença no mercado angolano.

Já no sector da energia e indústria a ‘holding’ Esperaza, uma ‘joint venture’ em que a Sonangol detém 60% das acções e a Exem (de Isabel dos Santos) detém os restantes 40%, controla 45% da Amorim Energia que, por sua vez, é accionista de referência da Galp.

No entanto, a petrolífera estatal anunciou em Julho deste ano ter sido declarada como única proprietária do investimento feito na Galp, segundo a sentença final de um tribunal holandês que arbitrou o litígio que opunha a petrolífera à Exem, que, por sua vez, recorreu da decisão.