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Investidores sul-africanos com projectos voltados para Angola

Grupos empresariais da África do Sul que actuam no ramo da agropecuária e em infraestruturas manifestaram, esta semana naquele país, o interesse de investirem em Angola.

18 Fev 2021 / 10:09 H.

O interesse foi manifestado durante uma audiência concedida pela embaixadora Extraordinária e Plenipotenciária da República de Angola na África do Sul, Filomena Delgado,ao director de operações da Agri All África, André Botha e a sua equipa, bem como ao CEO do grupo Trooper, John Kayira, que manifestaram forte interesse em estabelecer parcerias com as autoridades angolanas para trabalhar com produtores locais na cadeia de valores do sector agrícola.

Sabe-se, no entanto, que as oportunidades de negócios incidem mais para a província de Cabinda onde se pretende relançar a produção em grande escala de cacau, de milho, bem como da avicultura e suínos.

Em comunicado os serviços de imprensa da Embaixada de Angola em Pretória, diz que o objectivo é aumentar a produção para o consumo interno, exportar os excedentes, melhorar as infra-estruturas escolares, hospitalares, de energia solar e águas.

Outros dos propósitos é a melhoria da renda das famílias e a qualidade de vida das comunidades angolanas.

Investidores, quem são?

A Agri All África, uma das empresas interessadas em investir em Angola é uma das maiores plataformas de negócios agrícolas da África, com uma vasta implantação em toda a região subsaariana do continente. Controla mais de 3.500 agricultores em mais de 45 países.

Por sua vez, o grupo Trooper está a preparar caminho para investimentos massivos em Angola com objectivo de garantir a segurança alimentar e exportação de excedentes. Este grupo tem disponível um bilião USD, dos quais 525 milhões são para investimentos imediatos. O Trooper, com ligações a vários Fundos de Investimentos da África do Sul, quer cultivar 60 mil hectares para produzir anualmente 300 mil toneladas de milho e 90 mil toneladas de soja e melhorar a qualidade de vida das comunidades dentro das suas políticas de responsabilidade social.

O relançar dos contactos

As audiências ora concedidas enquadram-se no relançamento de contactos com investidores sulafricanos para implementação de projectos em Angola. “Os contactos iniciados no princípio de 2020, haviam sido interrompidos devido ao quadro severo da Pandemia da Covid-19, que na altura, forçou ao encerramento de várias instituições e das fronteiras aéreas e terrestres, dificultando assim a deslocação das missões exploratórias a Angola”, lê-se no comunicado.

Fórum de investimentos

Durante as audiências, foi consensual do lado dos empresários a necessidade de Angola e a África do Sul organizarem com caracter de urgência fóruns de investimentos para aferição das necessidades e disponibilidades das partes.

O fórum poderá traçar as principais carências, investimentos pontuais, as importações e exportações, visando adequar-se as políticas do Livre Comércio da região. “O governo angolano, as câmaras de comércio e indústria dos dois países e a AIPEX, terão um papel preponderante na concretização deste fórum de investimentos”, avança a nota de imprensa.