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Inflação cai para 19,8% e posiciona Angola entre as 30 maiores taxas do mundo

A nível do continente africano, Angola está entre os dez países com inflação elevada, na oitava posição. O registo do mês de Agosto está próximo do objectivo estabelecido pelo BNA.

Luanda /
20 Set 2022 / 09:27 H.

A economia angolana registou uma taxa de inflação de 19,8% em Agosto de 2022, estando na vigésima quinta posição no ranking das 30 maiores do mundo, elaborado recentemente pelo Mercado com base nos dados do TRADINGECONOMICS.

Ainda segundo o ranking, Zimbábue (285%), Líbano (168%) e Síria (139%) registaram as maiores taxas de inflação do mundo. Ao nível do continente africano, Angola está entre os dez países com índice elevado, ocupa a oitava posição. O Sudão com 125% detém a segunda maior taxa de África, apenas superado pelo Zimbábue. O Gana está na terceira posição (33,9%).

Quanto ao relatório do Índice de Preços no Consumidor Nacional (IPCN), recentemente divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de inflação reduziu 6,3 pontos percentuais (pp) em Agosto de 2022, face ao período homólogo, o menor registo desde Abril de 2020 quando a taxa fixou-se nos 20,8%.

Em Agosto, segundo o INE, a inflação mensal foi de 0,76%, sendo necessário recuar até Abril de 2015 para encontrar o menor registo de 0,71%. A taxa registada no oitavo mês deste ano representa uma redução de 0,05 pp em comparação com Julho deste ano. A inflação acumulada no período em análise foi de 10%.

Das 12 classes que servem de base ao cálculo da inflação, como se pôde observar nos dados divulgados pelo INE, a de vestuário e calçados foi a que registou o maior aumento de preços com uma variação de 1,69%.

Destacam-se também aumentos dos preços verificados nas classes: saúde com 1,68%, bebidas alcoólicas e tabaco com 1,32% e bens e serviços diversos 1,25%.

Em termos anuais, a classe vestuário e calçados com 25,4% também liderou a alta de preços seguido da saúde com 24,5%, bebidas alcoólicas e tabaco 23,9%, bens e serviços diversos 22,1% e alimentação e bebidas não alcoólicas com 21,5%.

Para 2022, o BNA estabeleceu uma meta de inflação de 18%, o registo de Agosto está próximo do objectivo estabelecido.

O economista Carlos Lumbo afirmou que a inflação homóloga atingiu o máximo de 27,7% em Janeiro último, desde então foi diminuindo até chegar a 19,8% em Agosto. “A probabilidade de que a previsão de 18%, lançada pelo Executivo, se concretize é muito alta”.

Heitor Carvalho, o director do Centro de Investigação Económica da Universidade Lusíada de Angola (CINVESTEC), defende que a meta estabelecida pelo Executivo já foi ultrapassada no primeiro trimestre deste ano. “O que faz sentido debater é a sustentabilidade desta inflação”, alerta.

Ainda de acordo com o INE, do ponto de vista geográfico, as províncias que registaram menor variação nos preços foram Moxico (0,6%), Uíge (0,6%) e Bié (0,6%).

Zaire (1,13%), Cuanza Norte (1%) e Cuanza Sul (0,96%) as províncias que registaram maior variação nos preços no período em análise.

Em Luanda, principal centro de consumo do País, a inflação foi de 19,4%, o que representa uma redução de 10,2 pp em relação a observada em igual período do ano anterior. A taxa mensal foi de 0,70%, sendo necessário recuar até Junho de 2020 para encontrar o menor registo.

Segundo o IPCN, a classe comunicações foi a que registou o maior aumento de preços em Luanda (com 2,24%). Destacam-se também o acréscimo do custo nas classes bebidas alcoólicas e tabaco com 1,99%, vestuário e calçado com 1,98% e saúde com 1,94%.

Inflação em Angola

De acordo com Calos Lumbo, os números do INE indicam que em Agosto a inflação mensal continuou a descer, como resultado da recente apreciação da moeda nacional, influenciada pelo crescimento das receitas petrolíferas em Angola.

“É expectável que ocorra nos próximos tempos alguma interrupção na queda das taxas mensais, pois o preço do petróleo tem estado a diminuir tendencialmente nos últimos tempos”, afirmou.

O economista ainda declarou que a inflação tem impacto na vida das pessoas, “mesmo que estejamos sempre a reclamar da subida dos preços, é evidente que hoje as pessoas reclamam menos do que em Setembro do ano passado, quando os números da inflação estavam no pico. A percepção do nível de contestações é um sinal de que o fenómeno afecta as pessoas”.

Para o responsável pelo CINVESTEC, os preços desceram e as famílias recuperaram algum poder de compra, sobretudo entre Fevereiro e Março. Como temos dito o problema desta recuperação é não ser sustentável por estar ancorada numa taxa de câmbios que depende completamente do preço do petróleo que é algo que não controlamos.

Efeitos da subida dos preços no mercado internacional

O impacto em Angola da subida dos preços nos outros países, segundo Carlos Lumbo, foi anulado pela depreciação do Dólar e Euro em relação ao Kwanza.

“Ao fim de Agosto, a inflação anual média nos países de que mais importamos pode ser estimada em cerca de 8%. Porém, o Dólar perdeu, durante um ano até Agosto, cerca de 31% do valor em Kwanzas, o que anulou e superou com grande margem positiva o efeito da inflação externa”, salientou.

Heitor Carvalho afirma que a subida dos preços no mercado internacional tem pouco impacto na economia angolana porque o principal aumento é na energia (gasolina, etc) cujos preços estão congelados.

“Com os preços da energia congelados, o que faz sentido é discutir o montante dos subsídios aos combustíveis que infelizmente as instituições do Estado não publicam. Com o petróleo a subir exponencialmente e os combustíveis congelados, o efeito da conjuntura internacional é muito favorável à descida de preços em Angola.