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Fraco investimento condiciona cultura do café no País

Terceiro produtor no ranking mundial na década de 70, o País deixou de constar da lista de países produtores do grão. Hoje a cultura do café é irrisória e longe de alcançar lugares cimeiros em África e no mundo, devido ao fraco investimento, que remete o País no “quase esquecimento”.

Angola /
09 Mai 2022 / 09:30 H.

A cultura do café varia muito ao redor do mundo. Angola, por exemplo, já foi o terceiro maior produtor mundial na década de 70, período em que atingiu perto mais de 225 mil toneladas por ano, actualmente o volume estimado da produção, por estado de café dos dois tipos “Robusta e Arábica” é de 10.304 toneladas de café em estado Mabuba e 5.152 toneladas de café em estado comercial, refere o Relatório de Resultados da Campanha Agrícola 2020/2021 do Ministério da Agricultura e Pescas.

Os presentes dados são estimativas baseadas em declarações dos departamentos provinciais do Instituto Nacional de Café (INCA), como base na estimativa feita pelas declarações dos produtores no referido ano agrícola.

De acordo com este relatório, as regiões Norte e Centro disputam a liderança da produção, em ambos os estados do grão. As províncias do Uíge e Cuanza Norte são os maiores produtores no Norte. No centro o Cuanza Sul é que concentra a quase totalidade da produção.

Segundo o relatório, a produção nacional de café em estado Mabuba é quase exclusivamente constituída por “café do tipo Robusta”, que representa 80,5% da produção, sendo as principais províncias produtoras deste tipo de grão são o Uíge, Cuanza Sul e Cuanza-Norte.

O café Arábica, este, lê-se ainda no relatório, tem um peso residual na produção em estado Mabuba. Este tipo de café é apenas produzido em quatro províncias (todas da região Centro), Cuanza Sul, Benguela, Huambo e Bié) e uma província da região Sul: a Huíla.

Contudo, o terceiro workshop de formação: “Café e frutos tropicais”, do Instituto Nacional do Café (INCA) definiu como factores críticos na produção daquela cultura: Pouca produção, produtividade e qualidade do café (plantações velhas); Falta de crédito aos produtores; Falta de maquinas de descasques; Inexistência de mercados rurais; Vias de acesso em mau estado de conservação (2ª e 3ª); Pouco consumo interno; Cultura perene (Ciclo longo); Plantas obtidas por multiplicação generativa (por sementes); Idade avançada dos produtores e dos cafeeiros; Dependência total das condições naturais; Abandono e substituição de café por culturas anuais; Baixo preço do café.

Realidade mundial

Dados do mês de Abril de 2022 da Organização Internacional do Café (OIC), consultadas pelo Mercado indicam que as últimas perspectivas provisórias para a produção total no ano cafeeiro de 2021/2022 permanecem inalteradas em 167,2 milhões de sacas, uma queda de 2,1% em relação às 170,83 milhões de sacas do café do ano anterior.

O OIC estima que o consumo mundial de café deverá crescer 3,3%, para 170,3 milhões de sacas de 60 kg em 2021/2022 em comparação com 164,9 milhões no ano cafeeiro de 2020/2021, adiantando que, em 2021/2022, o consumo deverá exceder a produção em 3,1 milhões de sacas.

Brasil, o primeiro no mundo

Na América do sul, o Brasil lidera a lista dos 10 maiores produtores de café, com uma participação de mercado mundial de 35%. O maior produtor de café do mundo cultiva 80% de café Arábica e 20% de Robusta.

Perto mais de 300 mil fazendas, de pequeno a grande porte, produzem café Arábica processado a seco, semi-seco, semi-úmido e úmido, e cultivam diferentes variedades, como o Mundo Novo, o Icatu, o Catuaí, o Acaia e o Bourbon, segundo o site do Conselho dos Exportadores do Café do Brasil (CECAFE).

Já no continente africano, a Etiópia está em 5º lugar e é considerado o “berço do café Arábica”. Este país do leste do continente possui uma vegetação exuberante em altitudes elevadas, e responde por 5% do mercado mundial. A cafeicultura dá trabalho a cerca de 15 milhões de pessoas na Etiópia.

O café daquele País é processado a seco, o que destaca o seu carácter único: um aroma floral é combinado com uma doçura equilibrada e uma textura agradavelmente leve.

História do café

O início da história do grão não é preciso, mas há uma lenda sobre um pastor da Abissínia, actual Etiópia, que, por volta do ano 800, notou que as suas cabras ficavam dispostas e saltitantes ao ingerir frutos amarelos avermelhados. Depois de mastigar o alimento, os animais ficavam cheios de energia e caminhavam quilómetros e mais quilómetros por terrenos íngremes.

O pastor relatou o facto a um monge, que resolveu experimentar a infusão dos frutos e constatou que a bebida ajudava a ficar desperto para as orações e longas horas de estudo. A notícia se espalhou e gerou uma demanda pelo produto. Evidências mostram que o café foi cultivado pela primeira vez nos monastérios islâmicos do Iémen.

Por conta da religião islâmica, que não permite a ingestão de bebidas alcoólicas, o café logo se disseminou pelos cultos religiosos da região da Arábia, de onde veio o nome café, qahwa, em árabe, que significa vinho. O fruto foi torrado pela primeira vez na Pérsia. Os árabes mantiveram o monopólio do produto até o século XVI. Mas, a partir de 1615, o grão passou a ser saboreado no continente europeu levado por viajantes depois das suas incursões ao Oriente.

O interesse da Europa pela bebida levou os holandeses a contrabandear frutos frescos e iniciar as plantações nas suas colónias na Ásia (Java, Ceilão e Sumatra) em 1699. Neste ínterim, os franceses foram presenteados comum pé de café e iniciaram as plantações nas ilhas de Sandwich e Bourbon. De lá, os europeus trouxeram mudas da planta para as suas colónias na América Latina.

A chegada do café ao Brasil é atribuída ao sargento-mor, Francisco de Mello Palheta. Em 1727, ele teria recebido a incumbência do governador do Maranhão e Grão Pará de visitar a Guiana Francesa e conseguir uma muda do fruto, que se tornara um produto de alto valor comercial na época. Para conseguir êxito, o oficial conquistou a confiança da esposa do governador da capital da Guiana Francesa. No fim da viagem, a primeira-dama ofereceu uma muda de café arábica, que trouxera para Belém do Pará escondida na bagagem.