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FMI empresta 4,3 mil milhões USD em ajuda de emergência à África do Sul

"O FMI aprovou 4,3 mil milhões USD americanos (70 mil milhões de rands) em assistência financeira de emergência sob o Instrumento de Financiamento Rápido para apoiar os esforços das autoridades em lidar com a situação de saúde desafiadora e o grave impacto económico da COVID-19"

Angola /
28 Jul 2020 / 10:19 H.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) aprovou ontem um pedido de empréstimo de emergência do Governo sul-africano no valor de cerca de 4,3 mil milhões USD para fazer face ao impacto económico da COVID-19, anunciou a instituição financeira mundial.

"O surto de COVID-19 está a levar a uma forte contracção económica e a necessidades significativas de financiamento na África do Sul", refere o FMI em comunicado citado pela imprensa sul-africana.

"O FMI aprovou 4,3 mil milhões USD americanos (70 mil milhões de rands) em assistência financeira de emergência sob o Instrumento de Financiamento Rápido para apoiar os esforços das autoridades em lidar com a situação de saúde desafiadora e o grave impacto económico da COVID-19", indicou o Fundo.

O maior número de casos e de mortos de COVID-19 continua a registar-se na África Austral, com 463.860 infectados e 7.145 óbitos, sendo a África do Sul o país com o maior número de infectados (445.433) e mais mortos (6.769) de todo o continente.

"A pandemia está a evoluir na África do Sul numa altura desafiante. Com severas restrições estruturais ao crescimento, a actividade económica enfraqueceu na última década, apesar dos gastos significativos do governo, resultando em desemprego elevado, pobreza e desigualdade de rendimentos", adianta a organização multilateral.

O FMI sublinha que a exemplo de outras economias emergentes, a volatilidade do mercado financeiro sul-africano aumentou durante a pandemia, "mas o sistema financeiro está a mostrar resiliência".

Por seu lado, o Tesouro Nacional sul-africano anunciou na noite desta segunda-feira que a assistência financeira de emergência do FMI "é um empréstimo adicional a juros baixos que contribui para o pacote de alívio fiscal do governo, para proporcionar alívio à economia e às pessoas mais afectadas pela crise actual".

"O pacote de apoio económico COVID-19 do governo direcciona 500 mil milhões de rands (25 mil milhões de euros) directamente para o problema. Este é um dos maiores pacotes de resposta económica do mundo em desenvolvimento", refere o comunicado do ministro das Finanças Tito Mboweni, citado pelo portal sul-africano TimesLive.

O Governo sul-africano acrescenta que o pacote de ajuda, do qual o empréstimo do FMI faz parte, servirá para apoiar os serviços de saúde na linha da frente no combate à pandemia do novo coronavírus, proteger os mais vulneráveis, impulsionar a criação de emprego, estimular o crescimento económico através de reformas e estabilizar a dívida pública, entre outras medidas.

O Novo Banco de Desenvolvimento e o Banco Africano de Desenvolvimento concordaram já em conceder também a Pretória empréstimos de 1 mil milhões USD e 5 mil milhões de USD (257, 7 milhões de euros), respectivamente, como parte do pacote de medidas financeiras para o combate à Covid-19 anunciado pelo ministro das Finanças, segundo o portal sul-africano Fin24.

Além das dificuldades sociais e económicas que se agravaram com a pandemia do novo coronavírus desde 27 de Março, a administração do Presidente Cyril Ramaphosa debate-se ainda com uma nova espiral de corrupção na adjudicação de contratados públicos no âmbito da COVID-19 a membros do partido no poder, o Congresso Nacional Africano, do qual é presidente.

Nas últimas 24 horas, a porta-voz do chefe de Estado, Kusela Dico, pediu uma licença sem vencimento depois de o seu marido ter sido implicado em alegada corrupção na adjudicação de um contrato público no valor de 125 milhões de rands (6,4 milhões de euros) para o fornecimento de equipamento sanitário de protecção contra a COVID-19 ao governo provincial de Gauteng através de uma empresa alegadamente criada para o efeito.

Na província de Gauteng, a Unidade Especial de Investigação (SIU, na sigla em inglês) do Estado anunciou hoje que está a investigar alegações de corrupção em cerca de 90 contractos públicos recentemente adjudicados no âmbito da COVID-19 no valor de cerca de 2,2 mil milhões de rands (103,5 milhões de euros).