Mercado de valores
Tempo - Tutiempo.net

FMI alerta que aumento do malparado e queda dos lucros vai levar à erosão de bancos

Relatório do Fundo Monetário Internacional conclui que, num cenário macroeconómico adverso, alguns bancos vão sofrer uma erosão de capital “significativa” porque muitas empresas e famílias vão entrar em incumprimento e porque vão ter quebras dos lucros.

Lisboa /
13 Out 2020 / 17:06 H.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou que a crise económica provocada pela COVID-19 vai testar a resiliência dos bancos a nível mundial.

Num relatório divulgado esta terça-feira, 13, a instituição sinaliza que as medidas de política monetária, implementadas pelos bancos centrais, e as medidas de alívio orçamental, executadas pelos diversos governos, mitigaram em largos milhões de dólares a erosão de capital de cerca de 350 instituições de crédito de 29 países.

O relatório, intitulado “A Bridge to Economic Recovery: Be Aware of Financial Stability Risks”, que sintetiza os principais riscos financeiros que poderão prejudicar a recuperação económica, reconhece que o sector bancário entrou para a crise da COVID-19 com melhores almofadas de capital e de liquidez do que tinha no início da crise financeira de 2008 e que “o êxito das reformas levadas a cabo na última década permitiu aos bancos serem parte da solução em vez de serem parte do problema, porque os bancos continuaram a dar crédito às empresas e às famílias durante a pandemia”.

Apesar disso, o sector bancário não está imune a riscos. Alerta o autor do relatório, Tobias Adrian, conselheiro financeiro e director do Departamento Monetário e de Mercados de Capitais do FMI: num cenário macroeconómico adverso alguns bancos vão sofrer uma erosão de capital “significativa” porque muitas empresas e famílias vão entrar em incumprimento, não pagando os empréstimos, e porque vão ter quebras dos lucros.

Esta constatação verifica-se mesmo depois de serem tidas em conta as medidas de estímulo e alívio aplicadas.

Sem detalhar que bancos foram analisados, verifica-se que as medidas de política monetário e de alívio orçamental ajudaram a mitigar os impactos sentidos no capital dos bancos num cenário macroeconómico adverso.

A nível global, numa amostra de cerca de 350 bancos, a erosão de capital seria de mais de 400 mil milhões de dólares se as medidas não tivessem sido implementadas. Com estas medidas, a destruição de capital cai para cerca de metade daquele valor.

Nos chamados bancos sistémicos mundiais (globally systemically important banks), a análise do FMI concluiu que as medidas públicas e dos bancos centrais mitigaram a erosão do capital em cerca de um terço, para menos de cem mil milhões de dólares.

E, nos bancos que integram as economias desenvolvidas, estas ajudas mitigaram o impacto da crise económica em cerca de metade no capital, para menos de 200 milhões de dólares. Já nas economias emergentes, sem estas medidas, a capital da maioria dos bancos estaria seriamente em risco.

Há outro risco financeiro que terá de ser evitado para não se tornar num obstáculo sério à recuperação económica. O FMI chama-lhe de “maior conexão” entre o défice orçamental dos governos, o crédito concedido à economia — empresas e famílias — e endividamento público.