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Exclusivo: Qual a visão dos CFOs das maiores empresas angolanas?

Estão confiantes, na sua maioria, que a performance financeira vai melhorar em 2020, mas sem tapar o sol com a peneira. Há handicaps importantes por resolver. O estudo da Deloitte aqui publicado, em primeira mão, explica quais são.

Angola /
19 Mar 2019 / 09:08 H.

É a terceira edição do CFO Survey que agora se torna público, revelando a visão, as expectativas e os desafios dos CFOs das maiores empresas presentes em Angola, sobre questões económicas, financeiras e estratégicas. Para Luís Alves, partner da Deloitte Angola e responsável pelo estudo, “quase metade dos CFOs inquiridos identifica a implementação do IVA como uma preocupação iminente, ao mesmo tempo que identificam a falta de conhecimentos adequados e a capacidade de resolução de problemas como os principais constrangimentos à contratação e gestão de recursos humanos”. Estas são algumas das conclusões que esmiuçamos de seguida.

Optimismo qb

Quando questionados sobre as expectativas do desempenho económico do país no próximo triénio (até 2021), cerca de 84% dos inquiridos mostraram-se optimistas, e acreditam que a performance financeira vá melhorar em 2020. Tal relaciona-se com uma melhoria na percepção do ambiente político e na implementação de medidas de estabilização económica em curso, que antecipa maior segurança dos inquiridos a nível económico.

Mas se o nível de confiança apresenta uma tendência crescente, o mesmo não se pode dizer do custo dos novos financiamentos. O estudo revela uma indicação clara de que os pedidos de novos financiamentos/capitais disponíveis são demasiado caros. Dos 45 CFOs que responderam a esta questão, 15 afirmam ser caro e 28 referem ser muito caro. Já no âmbito da obtenção de crédito, 16% dos inquiridos acreditam que a facilidade de atribuição de crédito seja moderada e apenas 9% que haja facilidade na obtenção de financiamento, os restantes 73% acreditam que é um processo complexo.

Mais de 90% dos CFOs concordam que a taxa de inflação que irá prevalecer em 2019 ronda os 10 e os 20%, sendo que uma minoria acredita que poderá ser mais alta. A desvalorização do kwanza continuará a ser um factor influente nos negócios em 2019, sendo que 62% dos entrevistados acredita que poderá ainda sofrer uma desvalorização igual ou superior a 15%.

Apesar das divergências, a maioria sugere reinvestir na própria empresa

Investimento ou reinvestimento

Os CFOs foram peremptórios quanto às prioridades que têm em conta aquando das projecções dos fluxos de caixa. Como seria expectável, as respostas foram algo divergentes, já que cada empresa tem necessidades e objectivos diferentes, tendo em consideração o estado e a natureza do negócio em que estão envolvidos. Destacam-se assim as prioridades que tiveram maior incidência de respostas neste inquérito: 47% acredita que deve investir em nova capacidade (Capex), 49% acredita que se deve proceder ao pagamento das dívidas e a maioria (62%) acredita que se devem melhorar as operações actuais. É de salientar que os interesses dos CFOs apontam para a reutilização dos fundos/rendimentos na própria empresa, seja através de investimento em bens de capital, melhoria de operações, investigação e desenvolvimento, entre outras medidas. Este indicador demonstra que os CFOs inquiridos acreditam no potencial das empresas nas quais operam.

O que os preocupa

Os participantes foram questionados quanto às 5 principais razões de preocupação económicas, entre 25 razões sugeridas no âmbito do sector em que operam. A inquietação dos CFOs é expectável face à desvalorização do kwanza, dificuldade de acesso a divisas e dificuldade de acesso a produtos importados, entre outros. #1 Eficácia das políticas do Governo (87%); Acesso a divisas para o pagamento de responsabilidades no exterior do país (80%); Resposta do Governo ao défice do orçamento de Estado e situação económica do país (76%); Volatilidade cambial (76%); Capacidade do Governo de dar resposta aos projectos de infraestruturação (64%); Efeitos da implementação do IVA a partir de Julho de 2019 (49%); Corrupção e o seu impacto no mundo dos negócios (56%); Preço do petróleo (42%); Capacidade do Governo de financiar a sua agenda de políticas sociais e de estratégias propostas (51%); Disponibilidade e retenção de talento (38%) .

Internamente também existem factores que criam obstáculos ao bom funcionamento das empresas. 64% dos participantes referiram a necessidade de encontrar e reter talento como sendo o factor mais preocupante. Por outro lado, a insuficiência de competências do staff de apoio, identificado por 53% dos CFOs é um constrangimento que já havia sido identificado como grave em 2016 e 2017.

E o futuro?

O investimento em Investigação e Desenvolvimento (I&D) ou o investimento em Smart Technology são prioridades para o futuro. Esta aposta é expectável no contexto do desenvolvimento do mercado e diversificação da economia, tendo vindo a ganhar aderência ao longo dos anos: a percentagem de inquiridos que identificaram estas estratégias como principal foco no futuro teve um aumento significativo desde o ano anterior.

Recursos humanos representam desafios Foram identificados constrangimentos à contratação de recursos humanos, sendo as principais razões a falta de conhecimentos adequados e a capacidade de resolução de problema