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Estado encaixa 95 milhões USD na primeira IPO

O preço final da oferta fixou-se em 20.640 Kz, com isso, o Estado vai encaixar cerca de 95 milhões USD. Nove províncias procuram as acções do BAI. Luanda foi a que demonstrou maior interesse, 99% dos investidores são da capital. O processo envolveu o BAI como emitente e agente de intermediação, a Sonangol e a Endiama como oferentes, a Deleite e a CTSU como consultores financeiro e jurídico. A EY foi o auditor.

Luanda /
03 Jun 2022 / 20:23 H.

O Estado arrecadou 40, 14 mil milhões Kz (o equivalente a 95 milhões USD, ao cambio actual) com a venda de 10% do capital que detinha indirectamente no Banco Angolano de Investimentos (BAI), através da Sonangol e da Endiama, naquela que foi a primeira Oferta Pública Inicial (IPO, na sigla em inglês) de Angola.

A sessão especial relativa à Oferta Pública de Venda de 1 945 000 acções do BAI, esta quinta-feira, 02, em Luanda, com a procura total registada a ascender a 3 072 020 acções, correspondendo a declarações de aceitação de um total de 2 852 investidores.

O factor de rateio que representa o rácio entre a oferta e a procura, aplicado às declarações de aceitação com preço igual ou superior ao preço unitário final da oferta foi de 72,6%.

A procura excedeu a oferta em 1,58 vezes, sendo o total ofertado de 62,36 mil milhões Kz (147,9 milhões USD) e o montante arrecadado pelos oferentes de 40,14 mil milhões Kz, tendo sido alocada a totalidade das acções a 842 investidores.

O BAI apontou que o valor estipulado, obedece os critérios definidos no Prospecto aprovado no dia 30 de Março de 2022 e divulgado no dia 14 de Abril de 2022. A liquidação física e financeira das acções alienadas no âmbito ocorrerá no dia nesta feira, 3, de Junho, sendo admitidas à negociação em bolsa a 9 de Junho deste ano.

A margem do evento da Academia BAI (programa “Ser”), realizado esta semana, em Luanda, o presidente da Comissão Executiva do banco, Luís Lélis, disse estar satisfeito com que se conseguiu até ao momento, mas que se precisa melhorar elementos chaves da estratégia corporativa.

“Queremos continuar a trabalhar no sentido de sermos os líderes no sistema financeiro bancário em Angola e para isso temos investido fortemente, não só no nosso capital humano, mas também na condução de procedimentos e modelo de governação que permite o banco continuar a crescer”, afirmou o responsável.

Mais de 99% dos investidores são de Luanda

Os resultados da oferta pública de venda do BAI demonstram que pouco mais de 99% da procura pelas acções do BAI são da província de Luanda. Em seguida com 0,26% a provinda da Huila e Cabinda com 0,22%.

Cuanza Sul (0,048%), Benguela (0,045%), Moxico (0,019%), Huambo (0,013%) e Namibe (0,004) e Bié (0,001%), também procuram as acções do BAI. No total, 9 províncias manifestaram interesse.

Em termos ao tipo de investidor, 95% dos interessados em adquirir as acções são pessoas individuais e os restantes são empresas.

O processo envolveu o BAI como emitente e agente de intermediação, a Sonangol e a Endiama como oferentes, a Deleite e a CTSU como consultores financeiro e jurídico. A EY foi o auditor.

Em 2021 o BAI obteve os seguintes resultados nos principais indicadores: Capital próprio avaliado em 418 mil milhões Kz, um produto bancário de 205 mil milhões, volume de negócios de 3.222 mil milhões Kz e um resultado líquido positivo (lucro) de 142 mil milhões Kz. O rácio de solvabilidade fixou-se nos 34,6% enquanto que o Retorno dos Capitais Próprios Médios (ROAE) fixou-se nos 39,9%.

(Ler a edição 331 desta sexta-feira )