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Economistas não preveem subida dos juros pelo BCE nos próximos trimestres

Os economistas contactados pela Lusa não preveem uma subida das taxas de juro directoras pelo Banco Central Europeu (BCE) nos próximos trimestres, mas também admitem que o futuro imediato é cheio de incertezas sobretudo quanto à persistência da inflação.

Luanda /
17 Jan 2022 / 12:14 H.

O banco central dos Estados Unidos (a Reserva Federal, Fed) já deu a indicação de que subirá as taxas de juro e mesmo que, caso a inflação persista mais tempo do que o esperado, as subirá a maior ritmo do que o previsto.

Contudo, deste lado do Atlântico, o BCE tem vindo a considerar que a inflação deverá estabilizar nos 2% a médio prazo e Christine Lagarde, a presidente do BCE, disse em Novembro ser "altamente improvável que se deem as condições para aumentar as taxas de juro no próximo ano". Contudo, dentro do BCE, há divisões, com dirigentes que defendem uma política monetária mais restritiva.

"Há um discurso em que não se comprometem muito, mas para já as taxas de juro não irão subir. Há um discurso ambíguo, mas prudente no sentido de não aumentar", afirmou à Lusa Sofia Vale, professora de economia do ISCTE, considerando que o BCE ainda está muito preocupado com a evolução da economia e os efeitos que ainda poderá ter a variante da COVID-19 Ómicron.

Para o analista da ActivTrades Ricardo Evangelista a ideia que "prevalece no mercado é de que o BCE vai insistir que a inflação é transitória e que uma medida mais restritiva, como subir taxas de juro, teria impacto na recuperação pós-pandemia".

"Dificilmente acontecerá antes de 2023" a subida das taxas de juro directoras, prevê.

Segundo o também director executivo da ActivTrades Europe, o grande risco é que a inflação da zona euro atinja níveis muito elevados em que se perca o controlo, mas considerou que ainda se "está longe desse momento".

O economista-chefe do Montepio, Rui Serra, também considera que o BCE deverá ser cauteloso já que a subida da inflação na zona euro tem sido mais moderada e a recuperação económica segue mais lenta do que nos Estados Unidos da América.

Assim, prevê, "apenas em 2023 o BCE deverá iniciar as subidas de taxas de juro, antecipando-se, por ora, que faça então mexidas apenas na taxa de depósito, devendo a subida na 'refi rate' [taxa de refinanciamento] ocorrer apenas em 2024". Antes disso, o BCE deverá reduzir gradualmente as compras de activos.