Dividendos: BIC e BFA são os mais generosos, BAI o mais prudente

No final do ano, os accionistas querem parte dos lucros dos seus bancos. E, em regra, as administrações são generosas para com os ‘chefes’. Mas umas são mais do que outras. Entre 2013 e 2017, o BIC passou 80% dos lucros aos donos, e o BFA 40 a 50%. O BAI ficou-se pelos 30%.

Luanda /
15 Mar 2019 / 17:11 H.

Em 2015 e 2016 o banco decidiu manter a proposta de distribuição de dividendos em 30% dos lucros apurados nos períodos anteriores - 15,3 mil milhões Kz e 49,7 mil milhões Kz, respectivamente. E, apó as AG, os accionistas receberam pouco mais de 4,7 mil milhões Kz, em 2015, e 5,3 mil milhões Kz, em 2016.

Foi preciso esperar até ao exercício económico de 2017 para encontrar a proposta mais generosa da administração em relação à distribuição d e dividendos (40%), o que terá sido impulsionado pelo elevado resultado líquido de 2016, que rondou os 49,7 mil milhões Kz. Nesse ano, os accionistas receberam dividendos na ordem dos 12,6 mil milhões Kz. Contas feitas, entre 2013 e 2017, os donos do BAI encaixaram um total de 34 mil milhões Kz em dividendos.

O BAI, recorde-se, tem a mesma estrutura accionista desde 2013, destacando-se a Sonangol Holdings SGPS (8,5%), Oberman Finance Corp (5%), Dabas Management Limited (5%), Mário Palhares (5%) e outros accionistas (57,88%).

O ‘bom’ BIC

Já o Banco Internacional de Crédito (BIC) tem sido, em termos relativos - e absolutos - , o mais ‘amigo’ dos donos no período em análise, cedendo-lhes cerca de 80% dos seus lucros.

Os dividendos efectivamente pagos de 2013 a 2017, segundo os relatórios e contas da instituição, ascenderam a 6,4 mil milhões, 15,7 mil milhões, 16,4 mil milhões, 22,1 mil milhões e 26,9 mil milhões Kz, respectivamente. Contas feitas, o BIC desembolsou pouco mais de 87,6 mil milhões Kz aos accionistas.

O banco é liderado por Fernando Teles, que detém 20% do capital da instituição. O maior accionista é a Sociedade de Participações Lda (25%), e a Finisantoro Holding Limited, da empresária Isabel dos Santos, detém 17,5% do banco privado que detém a maior rede de balcões no País.

No Banco de Fomento Angola (BFA), por sua vez, entre 2013 e 2014, o conselho de administração propôs distribuir cerca de 50% dos lucros aos seus accionistas. A partir de 201 a gestão foi menos generosa, propondo entregar cerca de 40% dos resultados aos seus donos. Tudo somado, de 2013 a 2017, o BFA entregou aos accionistas 73,8 mil milhões Kz.

No início de 2017, o BFA, actualmente liderado por Mário Leite Silva, era detido maioritariamente pelo português BPI (50,1%), sendo os restantes 49,9% detidos pela Unitel.

Mas, a 5 de Janeiro de 2017, em execução do acordo de compra e venda de acções, celebrado em 6 de Outubro de 2016, concretizou-se a venda, pelo BPI, de uma participação representativa de 2% do capital social do BFA à Unitel, que passou a ser o accionista maioritário ,51,9%.

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