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Dívida a empresas portuguesas em Angola supera 500 milhões de euros, 25% por pagar

Miguel Fontoura, representante da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal em Luanda, explica que não é possível determinar um montante exacto para dívida certificada ou seja a que é reconhecida pelo Estado angolano, devido aos efeitos cambiais, tendo em conta que uns contratos foram celebrados em dólares, outros em kwanzas e outros em euros.

Luanda /
06 Dez 2021 / 09:50 H.

A dívida às empresas portuguesas em Angola ultrapassa os 500 milhões de euros, dos quais cerca de 25% estão ainda por pagar, segundo o delegado da AICEP, que assinalou, no entanto, os “progressos consideráveis” que têm sido feitos.

De acordo com a Lusa, o representante da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) em Luanda, Miguel Fontoura, explica que não é possível determinar um montante exacto para dívida certificada ou seja a que é reconhecida pelo Estado angolano, devido aos efeitos cambiais, tendo em conta que uns contratos foram celebrados em dólares, outros em kwanzas e outros em euros, mas é “certamente superior a 500 milhões de euros”.

Do valor certificado, o montante que foi efectivamente pago, também é não fácil de contabilizar pois “há pagamentos em espécie, através de créditos fiscais e de obrigações do tesouro, mas andará à volta de 70 a 75%”, estimou.

Miguel Fontoura destacou o “esforço sério” do executivo angolano no sentido de “ir desbastando esta dívida”, com progressos “consideráveis”, apesar das dificuldades causadas pela pandemia da COVID-19 e pela crise económica, com Angola a viver o seu sexto ano de recessão consecutivo.

“Apesar de isto complicar a tesouraria das empresas portuguesas, essas empresas nunca puseram em causa o estar em Angola e compreendem que com dificuldade, mas com seriedade, as coisas vão ser resolvidas”, declarou à Lusa o responsável da AICEP, dizendo que “não é expectável que tudo se resolva da noite para o dia”.

Sobre os créditos que poderão ser recuperados no próximo ano, afirmou que é difícil antecipar pois vai depender do impacto de três variáveis: o facto de o país ir viver um ano eleitoral e o novo acordo que as autoridades angolanas poderão vir a celebrar com o Fundo Monetário Internacional (FMI), mas, sobretudo, o preço do petróleo, que poderá dar mais ou menos folga para que o Estado angolano vá regularizando as suas dívidas.