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Correctora Lwei sugere incentivos para empresas listadas na bolsa

“A bolsa constitui uma alternativa ao tradicional mercado de crédito, o que permite aos aforradores e tomadores das poupanças partilhar o risco, daí toda uma necessidade de divulgação, preparação, formação dos agentes económicos”.

12 Jun 2020 / 08:58 H.

A Sociedade Correctora de Valores Mobiliários “Lwei Mansa Musa Brokers”, em actividade há mais de um mês no mercado angolano, sugere ao Estado a adopção de um modelo preferencial nos contratos públicos para empresas que estejam listadas e cotadas na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA).

Segundo o seu presidente, Assis da Paixão, que falava ontem em entrevista à Angop, passados mais de 15 anos desde que Angola começou a dar os primeiros passos para ter um verdadeiro mercado de capitais, onde as empresas vendem e compram acções para sua capitalização, há a necessidade imperiosa de uma maior divulgação das vantagens no investimento neste segmento de negócio.

O gestor dá nota positiva ao programa de privatizações do Governo, com a venda de activos detidos parcial ou integralmente em várias empresas, iniciativa que levará à venda até 2022 de 195 firmas, muitas das quais serão alienadas via bolsa de valores.

Para o PCA da correctora Lwei Mansa Musa Brokers, a bolsa constitui uma alternativa ao tradicional mercado de crédito, o que permite aos aforradores e tomadores das poupanças partilhar o risco, daí toda uma necessidade de divulgação, preparação, formação dos agentes económicos, para a obtenção de bons resultados neste subconjunto do sistema financeiro, que em Angola ainda se encontra na sua fase embrionária.

Assis da Paixão defende igualmente a necessidade da adopção de medidas rígidas, tal como acontece no mundo árabe, com maior incidência na Turquia, onde optou-se pelas limitações no acesso ao crédito às empresas não listadas na bolsa de valores, para incentivá-las a obter este financiamento de forma alternativa via mercado de capitais.

Outra experiência que considera útil para o País, de acordo com Assis da Paixão, consiste na disponibilização de incentivos fiscais, para a entrada de novos agentes neste sector.

Desde o início do processo de abertura de contas individualizadas na Central de Valores Mobiliários (CEVAMA), em Outubro de 2016, foram abertas mais 5.300 contas e o nível do volume de transacções, de Janeiro a Outubro de 2018, ascendeu aos 646 mil milhões Kz.

Apesar da evolução quantitativa e qualitativa dessas estatísticas, reconhece que o mercado de capitais em Angola encontra-se numa fase embrionária, apesar de já fornecer um sistema de negociação que garante e promove maior profundidade ao mercado primário e secundário da divida pública, bem como outros valores mobiliários.

Nesta fase em que o país se prepara para o segmento da dívida corporativa de empresas (acções), disse ser importante ou mesmo obrigatório que o país tenha como referências as bolsas de valores de Londres e Nova York, por serem dos mercados mais líquidos em termos financeiros.

Em função do bom resultado deste mercado, aconselhou o sector financeiro nacional a seguir tal exemplo, com a adopção de medidas que permitam a entrada de novos agentes no mercado de capitais, através de incentivos fiscais, assim como dinamizar disseminação de informação ao público sobre as vantagens em investir neste segmento de negócio.

Reconheceu haver potencialidade para o crescimento deste sector no país, pelo facto da legislação contemplar a protecção dos investidores, entre outras vantagens que atrai mais investidores neste subsector financeiro do mercado nacional.

Ainda em relação à evolução do mercado de capitais, afirmou existir já uma robustez significativa exigida nesta actividade, como é o caso dos sectores da banca, seguros e construção.

Entretanto, apesar das vantagens, identificou a existência de algumas dificuldades ao nível dos agentes que irão fazer parte do mercado de capitais, devido às dificuldades em governação corporativa e na prestação das suas demonstrações corporativas, financeiras e contabilísticas.

Por sua vez, nesta entrevista conjunta, o vice-presidente da empresa Lwei Mansa Musa Brokers, Carlos Sebastião, afirmou que a presença de uma bolsa de valores oferece às empresas maior credibilidade ao público, além da publicidade indirecta a custo zero, maior atractividade e o desenvolvimento de uma tendência de retenção de talentos.

Apresentou igualmente como vantagem, o aumento da capacidade das empresas de contar com executivos e funcionários de alto nível, crescimento do negócio e maior contributo fiscal ao Estado.

A Lwei Mansa Musa Brokers é uma sociedade correctora de valores mobiliários, criada há dois anos com o objectivo de providenciar serviços de correctagem, intermediação financeira para permitir aos agentes comprar e vender instrumentos financeiros, serviço de gestão de investimento, banca de investimento, estudos e análises sobre a criação de negócios.