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Companhias asiáticas podem investir nas novas concessões

José Oliveira, especialista em energia, defende que nova estratégia de atribuição de blocos petrolíferos pode atrair novo investimento. Empresas asiáticas procuram expandir-se, lembra.

Angola /
16 Mar 2019 / 09:11 H.

A Estratégia Geral de Atribuição de Concessões Petrolíferas 2019-2025, publicada em Fevereiro em Diário da República, pode contribuir para atrair novo investimento para o sector, e Angola deve olhar para empresas asiáticas que têm mostrado interesse em expandir para novas áreas de pesquisa, defende o especialista em assuntos energéticos José Oliveira.

Ao Mercado, o jornalista e colaborador do Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola (CEICUCAN) afirma que, com o novo regime, criado pelo Decreto Presidencial 52/19, de 18 de Fevereiro, “o mais importante é que se consiga atrair pequenas e médias empresas estrangeiras que são a grande ausência na nossa indústria petrolífera”. Por outro lado adianta, é também necessário “desenvolver um modelo de contrato para a exploração onshore, que ainda não temos”.

A atractividade do contrato, sublinha José Oliveira, “é importante para a captação de empresas, estrangeiras e nacionais para se desenvolver a pesquisa e produção em terra”

56 concessões em causa

O Decreto, recorde-se, calendariza a atribuição - por concurso público, concurso público limitado e negociação directa - de 56 novas concessões em todas as bacias sedimentares do Congo, Cuanza, Benguela e Namibe, abrindo a porta a concessões em novas áreas para avaliação de eventuais reservas, o que, destaca o especialista, deverá “com certeza” atrair investidores.

“Temos ignorado a Ásia, onde há muitas empresa interessadas em expandir para novas áreas de pesquisa, na amostragem do nosso potencial petrolífero, o que é negativo, e espero que seja corrigido pela Agência [Nacional de Petróleo e Gás] quando lançar os concursos previstos”, refere.

José Oliveira acredita que muitos dos blocos que irão ser licitados “devem ter” reservas comercialmente viáveis, mas lembra que será preciso fazer “o ‘trabalho de casa’ antes de se furar para uma boa taxa de sucesso”.

Sobre a possibilidade de se regressar ao pré-sal, abandonado em 2012 - igualmente prevista no Decreto -, o investigador lembra as “falhas” cometidas e alerta que é provável que lá exista mais gás do que petróleo, o que pode criar uma nova oportunidade de negócio.

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