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Brasil espera recuperação económica gradual a partir do terceiro trimestre

Luanda /
24 Jun 2020 / 11:06 H.

Actividade económica no Brasil recuou 9,73% em Abril, face a Março e 15,09% quando os dados deste mês em 2020 são comparados com o mesmo período de 2019

O Banco Central do Brasil considera que, após uma queda acentuada devido à paralisação das actividades económicas durante a pandemia da COVID-19, a economia brasileira recuperará gradualmente a partir do terceiro trimestre de 2020.

A previsão foi divulgada na ata da última reunião do Conselho de Política Monetária (Copom), realizada pelo Banco Central brasileiro na semana passada. Na ocasião, o órgão decidiu reduzir as taxas de juros do país para 2,25% ao ano para tentar incentivar uma economia fortemente abalada pela pandemia.

“O cenário básico considerado pelo Copom leva em conta uma forte contração do PIB (Produto Interno Bruto) no primeiro semestre deste ano, seguida de uma recuperação gradual a partir do terceiro trimestre”, afirma-se na ata da reunião do Copom divulgada ontem.

O Banco Central brasileiro considerou que o pior momento da crise económica causada pelo novo coronavírus ocorreu em Abril, quando todos os estados do Brasil impuseram medidas de isolamento social para deter a COVID-19 e, assim, paralisaram os serviços e o comércio não essencial.

Segundo o Copom, em Maio e Junho a retração da economia brasileira deverá ser menor do que em Abril.

O documento indicou que o PIB da maior economia da América do Sul sofreu no primeiro trimestre de 2020 a maior queda nos últimos cinco anos. Os indicadores mais recentes mostraram que a contração será ainda maior no segundo trimestre de 2020.

A actividade económica no Brasil recuou 9,73% em Abril, face a Março e 15,09% quando os dados deste mês em 2020 são comparados com o mesmo período de 2019, segundo dados do Banco Central divulgados na semana passada.

Os dados reforçam as projecções que indicam que o Brasil sofrerá em 2020 a maior recessão em várias décadas.

Economistas de mercado estimam que a queda do PIB brasileiro em 2020 será de 6,5%, mas algumas previsões, como a do Banco Mundial, são ainda mais pessimistas e esperam um declínio de 8%.

Antes de sofrer o impacto da pandemia, o Governo e os economistas brasileiros esperavam um crescimento económico de 2,5% em 2020.

Por outro lado, a ata da última reunião do Copom considerou que os subsídios governamentais para ajudar os mais necessitados e o estímulo ao crédito podem ter um impacto positivo na economia local nos próximos meses.

O Governo brasileiro autorizou um subsídio mensal de 600 reais (cerca de 102 euros) que deverá ser pago entre Abril e Junho para quase 50 milhões de desempregados e pobres, e pode estender a ajuda em Julho e Agosto.

Segundo o Banco Central brasileiro, a recuperação da capacidade de consumo da população poderia permitir “que a retomada da economia seja mais rápida que a prevista no cenário inicial”.

O Banco Central também sugeriu que já reduziu as taxas de juros do país para o nível mais baixo possível (2,25% ao ano) e que um novo corte no futuro será “residual” e dependerá da capacidade do Governo de garantir o controlo das contas públicas.

“Nesse momento, a situação económica prescreve que a economia seja estimulada de maneira extraordinária (com redução de juros), mas o espaço disponível para o uso desse tipo de política monetária é incerto e deve ser pequeno”, concluiu a ata do Copom.

O Brasil é o país lusófono mais afectado pela pandemia e um dos mais atingidos no mundo, ao contabilizar o segundo número de infectados e de mortos (mais de 1,1 milhões de casos e 52.645 óbitos), depois dos Estados Unidos da América.