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BNA abre inquérito e diz que milhões em malas na posse de oficial foram levantados por um banco comercial

O esclarecimento surge na sequência da publicação de informação sobre a “operação Caranguejo”, em que volumes de notas com selos do banco central foram apreendidos.

Luanda /
26 Mai 2021 / 16:34 H.

O Banco Nacional de Angola (BNA) anunciou hoje em comunicado que o dinheiro encontrado em posse do oficial da Casa de Segurança da Presidência da República foi levantado por um banco comercial e que foi aberto um inquérito para apurar os factos.

“De acordo com os nossos registos, os valores em questão, em moeda nacional, foram levantados na nossa casa forte por um banco comercial, obedecendo integralmente as regras e protocolos vigentes para o efeito não tendo ocorrido qualquer falha de procedimentos a nível do Banco Nacional de Angola”, lê-se no documento do BNA divulgado no seus site oficial.

Entretanto, o banco central salienta que abriu um inquérito "para averiguar junto do banco comercial em questão as circunstâncias em que aqueles valores foram disponibilizados a terceiros e quais os procedimentos de 'compliance' aplicados para assegurar a sua legitimidade".

O comunicado surge na sequência da publicação de informação sobre a “operação Caranguejo”, em que volumes de notas com selos do BNA foram apreendidos.

O BNA esclarece que recebe dos bancos comerciais as notas que estes recebem do público consideradas superiores às suas necessidades de caixa e disponibiliza-as aos bancos comerciais quando necessário, para assegurar a existência de notas na rede de balcões e Caixas Automáticos (ATM).

Assim, o BNA coloca notas em circulação exclusivamente através dos bancos comerciais e todos os volumes de notas, novas ou usadas, que saem da sua casa forte para esses bancos têm os selos do Banco Nacional de Angola o que facilita o registo dos movimentos e confirma a proveniência das notas.

Na segunda-feira, a justiça anunciou a apreensão de vários milhões de dólares, euros e kwanzas no âmbito de um processo de investigação a oficiais das Forças Armadas, suspeitos dos crimes de peculato, retenção de moeda, associação criminosa e outros.

Entre estes encontra-se o chefe das finanças da banda musical da Presidência da República, major Pedro Lussaty, detido na semana passada quando transportava duas malas carregadas com 10 milhões USD e 4 milhões de euros.

No mesmo dia, foram exonerados seis oficiais generais da Presidência, entre os quais está o "tenente-general Ernesto Guerra Pires, do cargo de consultor do ministro de Estado e chefe da Casa de Segurança do Presidente da República, e o tenente-general Angelino Domingos Vieira, do cargo de secretário para o Pessoal e Quadros da Casa de Segurança do Presidente da República".