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BNA “abandona” mercado cambial

Atlântico diz que o mercado cambial continua dinâmico e se tem aprofundado à medida que são definidas novas regras de funcionamento, desconcentração na oferta, retirada gradual do regulador enquanto principal ofertante e a manutenção da regularidade na realização dos leilões de divisas.

Luanda /
15 Set 2021 / 08:51 H.

O Banco Nacional de Angola (BNA) somou em Julho, deste ano, sete meses seguidos sem vender euros e um mês sem vender dólares em leilão aos bancos comerciais, segundo apurou o Mercado com base no mapa consolidado de vendas de divisas do mercado.

Durante o primeiro semestre o dólar norte-americano foi a única moeda estrangeira convertível vendida nos leilões de preços do banco central. Os números do BNA revelam que Julho foi o único mês de 2021 em que o banco central não realizou uma única sessão de leilões de divisas para o mercado bancário.

De Janeiro a Junho, o BNA vendeu cerca de 609 milhões USD, tendo feito a maior colocação em Janeiro com 285 milhões USD. Em relação ao mesmo período do ano passado, os leilões caíram 73%, ou seja, o BNA vendeu apenas 27% dos 2,3 mil milhões USD disponibilizados no primeiro semestre de 2020.

Para o euro, ao contrário deste ano, em que nada vendeu, em 2020 o banco central leiloou 864,8 milhões de euros, tendo disponibilizado 358,2 milhões no primeiro semestre. Seria necessário recuar até 2015 para encontrar um período em que o BNA vendeu apenas dólares ao mercado bancário.

De acordo com o estudo mensal do Banco Millennium Atlântico, Research Atlântico, sobre a conjuntura económica, divulgado recentemente, o mercado cambial continua dinâmico e se tem aprofundado à medida que são definidas novas regras de funcionamento, desconcentração na oferta, retirada gradual do regulador enquanto principal ofertante e a manutenção da regularidade na realização dos leilões de divisas.

“Ao longo do mês de Julho, por exemplo, o BNA não realizou leilão de divisas, o que poderá reflectir a maior autonomia que o mercado está a ganhar, tal como o incremento da participação de outros fornecedores no mercado”, garantem os especialistas.

A taxa de câmbio

Segundo o Atlântico, a taxa de câmbio do kwanza face ao dólar norte-americano apreciou 1,16% em Julho, onde 1 USD equivalia a 638,622 Kz, o que inverte a depreciação de 0,62% de Junho. Em termos acumulados, o Kwanza apreciou 2,76% e continua a reflectir a redução da procura no mercado.

Relativamente ao euro, a apreciação mensal foi mais moderada, ao fixar-se em 1,06%. O Euro valia 759,865 Kz e mais expressivo em termos acumulados, 5,96%.

Já no sector no mercado secundário, a taxa de câmbio fixou-se 648,164 o dólar por Kwanza, com uma apreciação de 0,19%.

No mercado informal, a taxa de câmbio do kwanza face ao dólar situou-se em 700 Kz e euro a 800 Kz , o que representa uma apreciação de 1,43% e 0,94%, respectivamente.

“Este desempenho contribuiu para uma maior convergência entre a taxa de câmbio formal e informal, tendo o gap neste período se fixado em 9,61% face ao dólar e 5,42% em relação ao euro”, explicam os analistas.