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BIC lança programa “Crescer Juntos” planeado para ser a maior plataforma de responsabilidade social de Angola

O programa “Crescer Junto” do Banco BIC vai contribuir para a sociedade e todo tecido empresarial angolano, propondo que a doação seja percebida como um investimento social que precisa de ter retorno mensurável, defende Celso Grecco , mentor do projecto através da Athu solutions.

Luanda /
27 Jun 2022 / 13:54 H.

O que motivou a criação do programa “Crescer Juntos” do Banco BIC”?

O que motivou é a constatação de não ser possível haver empresas bem-sucedidas em sociedades que ainda estejam em estado evolutivo. Cada empresa e cada empresário em Angola, pode através de um programa de responsabilidade social e empresarial, aplicando a mesma lógica e pensamento, focado em metas e resultados, também para o social, portanto é necessário identificar organizações sociais com projectos sociais que actuam nas causas e não apenas nas consequências dos mais urgentes problemas sociais.

Que metas pretendem alcançar com essa plataforma?

Uma das principais metas do programa é mudar a percepção da sociedade a respeito das doações que são direccionadas para projectos sociais. Preferimos tratá-las como investimento social privado. O investimento social privado é um outro conceito de doação através do qual, o dinheiro é destinado a projectos sociais. A organização social presta contas, então é possível qualquer pessoa perceber qual foi a transformação que aquele dinheiro trouxe para o projecto social. E também, para além do conceito de investimentos sociais privados, ao invés de falar em doação, falaremos sobre lucro social como resultado do investimento social privado, que é uma sociedade com mais inclusão social, com menos pessoas desprotegidas em risco social.

Que organizações estão habilitadas a receber o apoio financeiro?

Todas as organizações sociais com projectos de combate à pobreza, de apoio à cultura, ao que provém saúde, educação, direitos humanos, geração de rendimento, podem apresentar candidaturas, que serão recebidas até dia 30 de Agosto deste ano. Em seguida, serão analisadas por uma equipa técnica e as finalistas desse processo serão aprovadas por um conselho consultivo, especialmente constituído pelo banco BIC, com personalidades do mundo empresarial e académico, que têm uma forte visão e vocação social para ajudar o programa “Crescer Juntos” a ser o melhor para toda sociedade.

O apoio financeiro varia em torno de quanto?

Cada organização social que apresentar uma candidatura vai fazê-lo também apresentando um projecto (com começo, meio e fim) e vai explicar a necessidade que ela tem e que resultado e impactos espera do projecto. Portanto, não existem valores pré-determinados, mas existirá uma avaliação criteriosa sobre o valor que o projecto tem para a comunidade e para as pessoas que atende. Se fizer sentido, a equipa técnica aprova e a organização estará habilitada a receber o apoio.

Como será feita a formação e mentoria das organizações?

Para além do apoio financeiro, é muito importante um acompanhamento durante o período que a organização estiver cotada no programa, acompanhada pelo “Crescer Juntos”. Para que possamos também fazer uma formação em gestão, contabilidade, prestação de contas e planeamento estratégico. A Athu, consultoria contratada pelo Banco BIC que desenvolveu o programa “Crescer Juntos”, já está pronta para acompanhar as organizações e ajudá-las também a crescer nestes aspectos.

Para este ano, quantos projectos pretendem apoiar no âmbito da responsabilidade social?

O programa “Crescer Juntos” arranca com três projectos, que foram escolhidos para nos ajudar a trazer exemplos concretos do perfil do projecto social que queremos apoiar com este programa. Não está ainda pré-estabelecido o número de organizações que vão ser apoiadas. O Banco espera que esse programa possa atrair outras empresas que se juntem. Quanto mais empresas aderirem, mais organizações podem ser apoiadas. Isso é literalmente crescer juntos, o programa faz um grande convite ao tecido empresarial. Aqui o apelo às pessoas colectivas e individuais se junte ao banco BIC, em nome, em rol e em benefício do combate à pobreza e de uma Angola melhor para todos no futuro que não pode ser distante.

Em média, quantos projectos apoiam no âmbito da responsabilidade social?

O programa crescer junto nasce com três projectos que foram criteriosamente escolhidos para exemplificar o perfil de projectos sociais que queremos apoiar. Por exemplo, o centro médico Boa Nova que faz um importante trabalho de assistência social, o projecto da Orquestra Camunga que capacita adolescentes e jovens e lhes dá autonomia. O “JOB ABI” que é um projecto que cuida de oferecer educação, mas também, uma consciência ambiental é um instrumento financeiro de auto-sustentabilidade da organização. Criou-se um mercado que pertence ao projecto, que vende produtos a população local a preços mais baratos em relação a outros mercados. O lucro desse mercado é reinvestido na própria organização. Estamos a falar de três projectos que concretamente exemplificam a ambição do programa de encontrar mais projectos que actuam nas causas e não apenas nas consequências dos problemas sociais de Angola.

Que impacto este projecto pode ter para a sociedade angolana?

O principal impacto é a percepção do investimento social. Isso é, o bolso onde sai o dinheiro da doação é o mesmo onde sai o dinheiro da poupança e para a escola dos filhos. Por exemplo, se essa pessoa tem um cuidado em colocar o seu dinheiro numa poupança que dê uma boa rentabilidade ou pagar uma escola boa para os seus filhos porque vai proporcionar uma boa educação, ela tem de ter a mesma visão quando no dinheiro da doação. O grande contributo do banco BIC, com esse programa para toda sociedade angolana e para todo tecido empresarial, é propor que a doação seja percebida como um investimento social que precisa ter um retorno claro e mensurável que toda gente perceba o valor de apoiar bons projectos e boas causas e que sejam transformadora.