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Banco Mundial piora previsão e Governo melhora

A previsão do banco mundial caiu 0,1 pontos percentuais contra os 0,5% previstos em Julho. O BFA também baixou, de 3% para 1%. Desta vez, o Governo é mais optmista, passou de estagnação para um leve crescimento na ordem dos 0,2%. PIB do segundo trimestre cresce 1,2 em termos homólogos mas afunda 2,4% em relação ao primeiro deste ano.

Luanda /
11 Out 2021 / 16:36 H.

O Banco Mundial reviu em baixa a previsão de crescimento da economia nacional para 0,4%, contra os 0,5% revistos em Julho, enquanto o Governo melhorou a sua previsão para uma recuperação não superior aos 0,2%, contra o crescimento zero previstos no Orçamento Geral de Estado (OGE) para este ano.

“Na África, a recuperação também ocorre em várias velocidades. Angola, Nigéria e África do Sul, as maiores economias da região, deverão emergir da recessão de 2020, mas em diferentes passos. Angola deverá crescer 0,4% em 2021, após cinco anos consecutivos de recessão. O país ainda luta para ganhar fôlego, com níveis elevados de endividamento e fracos desempenho da indústria do petróleo”, lê-se no mais recente relatório do Banco Mundial ,“Africa ‘s Pulse”, divulgado esta semana.

A instituição de Washington começou por dizer no anterior Africa‘s Pulse, publicado em Janeiro deste ano, que a economia nacional deveria crescer cerca de 0,9%, previsão que baixou para 0,5% em Julho.

Tudo acontece nas vésperas das Reuniões Anuais das instituições de Bretton Woods, nomeadamente, o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Ao contrário do Banco Mundial, o FMI espera uma recessão de 0,1% na análise detalhada à quinta revisão do Acordo de Financiamento Alargado (EFF, na sigla em Inglês) com Angola, contra o crescimento de 0,4% previstos na quarta avaliação, em Janeiro deste ano.

O gabinete de estudos económicos do Banco Fomento Angola (BFA) também piorou a previsão de crescimento, prevendo agora uma expansão “acima de 1%”, quando em Julho admitia que o crescimento fosse até aos 3%.

“Assim, a economia angolana está ainda 7,4% abaixo do segundo trimestre de 2019”, salientam, para concluir: “Para o ano todo, esperamos uma subida do PIB acima de 1%”.

O Governo traz perspectivas animadoras, ao melhorar a sua previsão para 0,2% até ao final deste ano, voltando para uma trajectória de crescimento que ocorria até 2015, segundo o Memorando de revisão à Programação Macroeconómica para o ano 2021, aprovado esta quarta-feira pela Comissão Económica do Conselho de Ministros.

A recuperação da economia, deve-se à revisão em alta do crescimento do sector não petrolífero, tendo em conta o desempenho verificado no primeiro e segundo trimestre.

Para 2022, o Executivo perspectiva um crescimento do PIB de aproximadamente 2,4%, incluindo o petróleo e gás, a crescer 1,3% e o sector não petrolífero a crescer 3,1%.

O ministro da Economia e Planeamento, Mário Caetano João, que falava no final de uma reunião, aponta para um desempenho dos sectores da agricultura (4,8 %), pescas (mais de 100%, devido às reformas e financiamento do sector), no próximo ano. O governante afirmou que o sector do comércio, dado aos desenvolvimentos na produção vegetal e animal e o seu escoamento e venda, poderá contribuir também para o crescimento do PIB.

Economia cresce 1,2% após sete trimestres

O PIB mudou a trajectória após sete trimestres sem crescimento homologo, o maior crescimento desde 2019, antes da pandemia da COVID-19, quando Angola tinha crescido 0,9% no segundo trimestre.

De acordo com de acordo com as Contas Nacionais Trimestrais (CNT) do Instituto Nacional de Estatística (INE) o PIB em volume encadeado do IIº Trimestre de 2021 cresceu 1,2% em relação ao segundo do ano anterior, ajustado sazonalmente, mas contraiu 2,4% em relação ao trimestre anterior (I Trimestre de 2021).

A recuperação da actividade económica no segundo trimestre deste ano acontece devido ao efeito muito baixo da actividade económica de Abril a Junho de 2019, no período mais acentuado da pandemia, altura em que a economia nacional afundou 8,5%, pelo que o resultado de 1,2%, este ano, não compensa a quebra anterior.