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“As medidas devem estar alinhadas e coordenadas”

Angola /
20 Set 2022 / 08:09 H.

“O Kwanza tem-se mantido em torno dos 430 Kwanzas para 1 Dólar norte-americano e para o Euro, a questão nestes cinco (5) anos, quando o preço do petróleo descer é: como vamos “aguentar” a contínua procura de bens com o contínuo crescimento da população”.

Segundo o economista e pesquisador Porfírio Muacassange, as medidas de políticas económicas a serem implementadas pelo no novo governo a ser formado, deverão estar alinhadas e coordenadas para responder aos desafios que se colocam no âmbito monetário, fiscal, cambial, financeiro e até estrutural da nossa economia.

“Olhando para o curso da Política Monetária nos últimos anos, e fazendo uma análise dos indicadores macroeconómicos monetários da nossa economia, vemos que os grandes desafios da política monetária continuarão a estar necessariamente virados à estabilidade de preços e da moeda nacional”, apontou

Segundo o economista Por essa razão, no âmbito da Política Monetária, mantendo-se o actual ritmo da diminuição da inflação, o BNA poderá, certamente abraçar, ainda que de forma controlada, medidas expansionistas como a diminuição das taxas de juros, ou mesmo diminuição dos coeficientes das RO, com vista a libertar liquidez para o aumento do nível de crédito à economia, com todas as suas consequências positivas que daí advêm, nomeadamente aumento do investimento, mais emprego, mais renda disponível para as família, mais consumo e poupança, contribuindo tudo para um “boost” no crescimento económico.

Quanto ao desafio de tornar o kwanza forte, Muacassange defende que está intimamente ligado ao desafio de tornarmos a nossa economia forte.

“Para termos um kwanza forte diante de outras moedas, é necessária uma combinação de factores que levem à melhoria da nossa produção interna no sector não petrolífero, gerando bens em quantidades e qualidades exportáveis”, afirmou.

Para o economista e consultor Daniel Sapateiro, o Kwanza tem o seu valor e a sua estabilidade no que diz respeito à venda de petróleo e gás liquefeito, em menor percentagem de diamantes e a procura pelas famílias e empresas não financeiras que gera a necessidade de importações pela escassez de produção interna, logo a necessidade de consumo de divisas e das Reservas Internacionais Líquidas.

“O Kwanza tem-se mantido em torno dos 430 Kwanzas para 1 Dólar norte-americano e para o Euro, a questão nestes cinco (5) anos, quando o preço do petróleo descer é: como vamos “aguentar” a contínua procura de bens com o contínuo crescimento da população”, apontou.

Segundo o economista, outro caminho paralelo ao da produção interna passam necessariamente por e a título de exemplo, aumento da produtividade do trabalho em quantidade e valor acrescentado, a redução dos custos indirectos das empresas, como energia, água, desburocratização administrativa, bem como a maior percentagem de poupança pelas famílias e empresas, por via da racionalização do consumo.

Já o presidente da Associação das Casas de Câmbio de Angola (ACCA), Hamilton Macedo, a estabilidade do Kwanza depende das políticas, e, acima de tudo, do ambiente económico e financeiro.

“O kwanza tem sofrido muito com as dependências da nossa economia, o petróleo continua a ser o nosso cavalo de vitória, embora se registe várias acções no sentido de transformar a nossa economia numa menos dependente, embora o potencial se considere favorável para uma estabilidade económica menos dependente, penso que teremos de estruturar melhor os investimentos no sector primário, alavancar as pequenas indústrias de forma a tornar sustentável determinados segmentos, que podem transformar o nosso ambiente de negócio, precisamos de explorar as oportunidades do nosso ambiente (temos bons solos, temos luz natural, temos muitos rios, temos boa vizinhança fronteiriça e para lá das fronteiras) ”, descreveu.

Por seu turno o Presidente da Associação Angolana de Bancos (ABANC), Mário Nascimento diz que o desafio imediato e que irá orientar o banco central nos próximos 5 anos, é a estabilidades dos preços, e baixar a taxa de inflação para um dígito, com o objectivo de trazer a taxa de inflação para o objectivo definido ao nível dos bancos centrais da SADC, taxa de 5%. Por outro lado é importante que para além da estabilidade de preços na economia, a política monetária seja um instrumento de política eficiente no estímulo ao investimento do Sector real da economia.

Outro desafio importante para o BNA e para Angola, é a obtenção da equivalência de supervisão por parte do BNA, que traz consigo uma maior confiança no sector bancário nacional, ao nível da sua solidez, da sua transparência, e ainda da capacidade do banco central de supervisionar convenientemente o sector bancários angolano. Este desiderato permitirá à economia angolana captar mais investimento estrangeiro, e acesso ao financiamento externo a um custo muito mais baixo.

Já o Armando Mota, Presidente da Fidelidade e membro do Conselho de Direcção da ASAN, como desafios para sector segurador, diz o seguinte: “O primeiro e maior desafio é percepcionar que que existem “desafios muito importantes” para o sector segurador, preparar as seguradoras para os superar e idealmente antecipá-los.

“O maior desafio de todos e sem o qual todos os outros são insuperáveis, é ter talentos ao serviço do sector. O talento, o recurso mais importante nas organizações, assume pela juventude do mercado segurador e suas características muito peculiares da actividade uma importância ainda maior. As seguradoras terão que atrair, capacitar e reter talentos. Sem pessoas motivadas, capazes e empenhadas nenhum dos desafios enumerados será vencido”, apontou.