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Angola figura entre os maiores produtores de mandioca em África

“Cresce em quase todos solos de Angola e pode ser um instrumento catalisador para a diversificação económica no nosso País”

Brasil /
15 Mar 2021 / 11:58 H.

Angola pode atingir os níveis da Nigéria, quanto à produção da mandioca e derivados, afirmou a Comissária da União Africana para Agricultura, Desenvolvimento Rural, Economia Azul e Ambiente Sustentável, Josefa Sacko, no Fórum sobre a commodities, promovido pelo Ministério da Indústria e Comércio.

Para a comissária da União Africana, tal como a Nigéria, maior produtor de mandioca em África, Angola pode inscrever o seu nome para satisfazer as necessidades actuais do Continente em termos de derivados e substitutos de matéria –prima importada e produtos semi-acabados de mandioca.

A diplomata apontou como entraves, a falta de mecanização da cultura, a fraca capacidade de processamento da mandioca, bem como a exígua produtividade, pois em média a cultura da mandioca em Angola é de 10 toneladas por hectar, enquanto que na Tailandia e Indonésia há variedades a atingir as 22 e 23 toneladas por hectar.

Dados apresentados no evento revelaram que a Região Norte do País concentra mais de metade da produção nacional (66,2 por cento). A província do Uíge é o maior produtor de mandioca, com 20 por cento, mas é Malanje, com oito mil produtores catalogados, onde está o forte potencial nacional.

Josefa Sacko, que falava na abertura do fórum “Oportunidades e desafios na cadeia de valor da mandioca em Angola”, promovido pelo Ministério da Indústria e Comércio, disse que os desafios do país se prendem com a atracção do sector privado, financiamento pelos bancos, a reforma fundiária e o estímulo do mercado de produção local.

De acordo com a Comissária a estratégia para tal existe e enquanto Comissão da União Africana, devemos tomar em conta as decisões dos Chefes de Estado e de Governos e transformá-las em políticas e estratégias para facilitar a sua implementação.

“Angola tem um potencial enorme para o agronegócio com culturas elásticas em termos de solos, e de fácil mecanização como a mandioca que cresce quase em todos solos de Angola e ser um instrumento catalisador para a diversificação económica no nosso país”, disse Josefa Sacko, na videoconferência.

Concretamente

Na visão do director-geral do Instituto de Desenvolvimento Agrário de Angola (IDA), David Tunga, o País continua muito aquém da sua capacidade de produção da mandioca, tendo em conta as suas potencialidades, sendo necessário encontrar estratégias e alguma visão para impulsionar este sector.

De acordo David Tunga, o País enfrenta desafios na produção deste tubérculo, um dos quais a degeneração dos clones existentes, a presença de pragas, que causam baixos rendimentos, a variedade de longo ciclo vegetativo e com baixo teor de amido, bem como a necessidade de se disseminar e trazer variedades melhoradas para se alcançar a produtividade esperada.O responsável frisou a importância de se actualizar as actuais variedades cultivadas no País, que precisam ser melhoradas relativamente à pesquisa sobre a sua resistência a doenças e pragas.

Já o ministro da Indústria e Comércio, Victor Fernandes referiu que há cerca de um ano que começou a aposta na transformação industrial da mandioca e a realização do “webinar” tem por objectivo lançar as bases técnicas e científicas para que este desiderato se venha a concretizar.

“Reunimos vários especialistas, operadores do sector privado, dirigentes de várias organizações internacionais que tratam do tema da mandioca”, referiu o ministro, acrescentando que foram analisados todos aspectos, desde a produção, transformação e comercialização.

Ponto de Partida

O Ministro do Comércio e Indústria frisou que o País tem polos industriais rurais, alguns dos quais localizados em centros de maior produção de mandioca, e, nesse sentido, para “adiantar trabalho e aproveitar aquilo que já está feito” será usado o polo de Cacuso, em Malanje, como projecto-piloto.

“É a partir daí que vamos começar, de facto, o processo de industrialização da mandioca no sentido de, criando o projecto-piloto em Cacuso, partirmos daí para o resto do País, porque, felizmente, a mandioca produz-se no país inteiro”, disse Victor Fernandes.

Por sua vez, a representante da FAO em Angola, Gherda Barreto, lembrou que a organização das Nações Unidas está a promover a mandioca como alimento do século XXI, cultura que tem respondido às crises globais, nomeadamente a seca e os preços dos alimentos.

“Angola é um dos dez países do mundo produtores de mandioca, que tem uma grande oportunidade de industrializar a mandioca, com a inclusão dos agricultores familiares”, referiu a responsável, frisando que os mesmos são apoiados pela FAO, através das escolas de campo, em cooperação como Ministério da Agricultura e Pescas de Angola.

Ranking

A mandioca fresca ou seca em 2019 foi o 1760º produto mais comercializado no mundo, com uma comercialização total de 1,24 bilhão USD. Entre 2018 e 2019 as exportações de mandioca diminuíram -27,4%, de 1,71 bilhão USD para 1,24 bilhão USD. O comércio deste produto representava 0,0069% do comércio mundial total.

Tarifas

A tarifa média da mandioca fresca ou seca em 2019 era de 19,4%, sendo a 646º tarifa mais baixa na classificação de produto HS6.

Os países com as maiores tarifas de importação de mandioca fresca ou seca, são Coreia do Sul (695%), Chipre (229%), Angola (50%), Síria (46%) e Jamaica (40%). Os países com as tarifas mais baixas são Ilhas Maurício (0%), Maldivas (0%), Singapura (0%), Bósnia e Herzegovina (0%).

No índice de complexidade do produto ocupa a 4816ª posição.

A Nigéria ocupa o primeiro lugar no continente com mais de 57,13 milhões de toneladas, seguida na tabela pela Tailândia com mais de 30 milhões de toneladas e de seguida a Indonésia com mais de 20 milhões de toneladas cultivadas.

O Brasil lidera os PALOP´s na produção deste ouro alimentar, com mais de 20 milhões de toneladas produzidos.