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Alves da Rocha: “É preciso saber para onde vai o dinheiro da dívida”

Economistas querem debate alargado sobre dívida pública. Angola contraiu mais 18 mil milhões USD de dívida externa desde 2018.

Luanda /
12 Abr 2019 / 07:08 H.

Angola contraiu nova dívida externa no valor de, pelo menos, 18 mil milhões USD, entre 2018 e os primeiros dois meses de 2019, alertou nesta quarta-feira o economista e professor universitário Manuel Alves da Rocha.

O académico que falava no Exec. talk, evento da Academia BAI sobre o tema OGE2019: Opinião dos Analistas, explicou que a dívida (11,8 mil milhões em 2018 e 6,4 mil milhões até Fevereiro de 2019) se refere a empréstimos contraídos junto de instituições do Reino Unido, França, Alemanha, Portugal e China, para além das emissões de eurobonds e créditos do Banco Africano de Desenvolvimento, FMI e Banco Mundial.

Segundo o também director do Centro de Estudos e Investigação Científica (CEIC) da Católica, é preciso evitar “nova dívida para pagar dívida” e que “se saiba para onde vai o dinheiro” que o País pede. “A estratégia de endividamento não contempla estas questões”, lamentou Alves da Rocha.

O economista Sérgio Calundungo defendeu, num debate moderado pela também economista Naiole Cohen dos Santos, que Angola precisa de “reduzir as despesas supérfluas no OGE” e apelou a que seja feito “um grande debate nacional sobre a dívida pública”.

“O problema é grande demais para que diga respeito apenas ao Executivo”, defendeu, pedindo “mais transparência” na informação sobre finanças públicas.

Juciene Cristiano, técnica superior do Ministério das Finanças, por seu turno, lembrou que “qualquer economia, para crescer, precisa de dívida”, mas destacou que “há dívida boa e dívida má”.

“O principal problema não está na dívida, mas na qualidade da despesa”, considerou a responsável, que recordou que o Governo tem feito um esforço para aumentar a maturidade da dívida pública e decidiu “descontinuar a emissão de endividamento externo com garantia de petróleo”.

Julieta Major, igualmente técnica superior do Ministério liderado por Archer Mangueira, reforçou que, para conter o défice das contas públicas - baixando assim necessidades de endividamento -, o Estado tem feito um esforço de disciplina orçamental. “Este problema não é de hoje, mas já progredimos”, explicou a responsável.

O controlo da despesa tem sido “reforçado”, sendo que, actualmente, “a disponibilização de verbas é feita por categorias de despesa”, para evitar que o dinheiro destinado a um fim seja gasto noutro. “O Sistema Integrado de Gestão Financeira do Estado (SIGFE) está a ajudar na disciplina da despesa”, garantiu.

O evento acolheu empresários, académicos, economistas e estudantes, entre outros, e as Exec. talk voltam em Setembro, com um debate sobre Responsabilidade Social, prometeu a presidente da Academia BAI, Noelma Viegas d’Abreu. Ou antes, com outro tema, dada a afluência e sucesso desta iniciativa, revelou.