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“A diversificação da economia dificilmente acontecerá de modo duradouro se não estiver alicerçada na abrangência territorial”

Segundo o especialista, o reforço implica a solução do problema salarial e das condições de vida e de trabalho dos técnicos, de modo que eles sejam motivados para se empenharem efectivamente nas suas tarefas com dedicação e competência.

Luanda /
20 Set 2022 / 08:29 H.

Para o engenheiro agrónomo e consultor, Fernando Pacheco o grande desafio para o sector agrícola, “em primeiro lugar, o Governo deve apostar na reforma e reforço das capacidades das instituições e serviços que tutelam e apoiam a produção agrícola e pecuária.

Segundo o especialista, o reforço implica a solução do problema salarial e das condições de vida e de trabalho dos técnicos, de modo que eles sejam motivados para se empenharem efectivamente nas suas tarefas com dedicação e competência.

“Nesse sentido, dar particular atenção à investigação e à extensão; Fazer a revisão da Lei de Terras e reestruturar os serviços que tratam as questões fundiárias; Apoiar a organização de empresas de produção e de serviços e de cooperativas; Definir políticas públicas de sementes, fertilizantes, defensivos, mecanização e salários, entre outras, numa perspectiva holística e integrada; Realizar investimentos em infra-estruturas estruturantes que apoiem e complementem a produção; Repensar o sistema de crédito de acordo com a realidade económica e sociocultural do País”, enumerou.

Segundo Fernando Pacheco, a diversificação da economia dificilmente acontecerá de “modo duradouro se não estiver alicerçada na abrangência territorial”, isto é, nos municípios e comunas do interior, na sua especificidade ambiental, assim, segundo o engenheiro, a aposta na agricultura e na agro-indústria conexa, bem como a distribuição espacial dos serviços, é fundamental.

Por sua vez o economista Augusto Fernandes diz que os desafios do comércio e da indústria prendem – se com os factores estruturais e macroeconómicos que condicionam de forma mais acentuada a recuperação da produção nacional (da indústria transformadora, da indústria agro-pecuária e mesmo da indústria da construção):

“ Com a dependência angolana da exploração do petróleo e das suas receitas; com a degradação do parque industrial não petrolífero, desde a independência, em consequência da guerra, da falta de manutenção e mesmo, em alguns casos, do abandono a que foram deixadas algumas unidades produtivas, inclusive nas áreas agrícolas; prendem-se ainda com a falta de investimento nos sectores produtivos não petrolíferos, resultante este último quer dos condicionamentos impostos pela guerra, quer das conturbadas gestões económicas realizadas desde a independência do País”, citou.

O economista Wilson Chicomo cita 5 desafios. O primeiro desafio passa pela credibilização do actual executivo e dos tribunais do País.

“Os resultados das últimas eleições vieram destapar fortes debilidades das nossas instituições. E instituições sem credibilidade é sinónimo de políticas públicas ineficazes”, apontou.

Outro desafio lançado por Wilson Chicomo é a manutenção da estratégia de diversificação da economia, num contexto em que o PRODESI foi um total fracasso. “O petróleo e o gás vão continuar a financiar as despesas do País em moeda estrangeira na presente legislatura. Mas não me parece que consigam fazê-lo na próxima. E a saída mais inteligente será constituir um fundo de diversificação que deve ser financiado pelas receitas petrolífera”.

O economista aponta também : “Redução da taxa de desemprego, por via da criação de empregos formais, de qualidade, seguros e com poder de compra suficiente para melhor o nível de rendimento das famílias e reduzir os níveis de desigualdades e pobreza; Aumento da integração interna da economia, tanto na óptica inter-sectorial, assim como geográfica, com vista a melhor os níveis de produtividade e competitividade da economia; e a Manutenção da estabilidade do sistema financeiro e aprofundamento do mercado de capitais”.

Estrutura do Governo

Para o economista Augusto Fernandes, Angola deveria ter mais ministérios.

“Levando em consideração que os países que têm governos muito magros tem um extensão territorial muito mais pequena que Angola, tendo em conta a variadas tarefas e desafios que o Governo em carteira, assim como em conformidade com quantidade de altos funcionários públicos a disposição da função pública, passando em revista esses pressupostos todos, é meu entendimento que Angola deve ter mais Ministros”, aponta.

Por exemplo, juntar Obras Públicas, com Ordenamento do Território, Urbanismo e Habitação é como colocar 4 Ministérios em um, no mínimo deve ser separados em 2 ministérios. Por um lado, junta-se Ordenamento do Território com Obras Pública, por outro, o Urbanismo com a Habitação. Também é preciso separar a agricultura das pescas, assim como deve ser separado a Cultura do Ambiente e da Hotelaria e turismo”, exemplificou.

Já o engenheiro agrónomo e consultor, Fernando Pacheco, não é favor de muitos ministério, e defende que a estrutura deve continuar, “Salvo um ou outro ajustamento, acho que a presente estrutura, que tem pouco mais de dois anos, deve ser mantida. Não sou a favor de muitos ministérios. O que é importante é que os Secretários de Estado e os Directores Nacionais tenham autoridade e não tenham receio em utilizá-la, devendo dispor de recursos para tal”, defendeu.

O especialista em relações internacionais, Osvaldo Mboco apontou que Angola tem se constituído um País importante no concerto das nações quer ao nível da estabilidade política e quer ao nível de um mercado para se fazer negócios, independente da forte crise financeira e económica que o país enfrentam.

Segundo o especialista, o País vem adoptando estratégias no sentido de melhorar o ambiente de negócios mas que ainda não deram os resultados esperados no sentido da atracção de investimentos em grande escala. “Para os próximos 5 anos é crucial continuar a trabalhar no sentido de reestruturar e melhorar o ambiente de negócios em Angola”.

“É fundamental que o quadro legal para atracção do investimento privado esteja alinhado com as condições propícias para realização de investimento para alcançar os objectivos preconizados em melhorar a classificação no ranking, atracção de investidor e obter os melhores resultados que permitirá o aumento da criação de empresas, aumento do rendimento per capita anual, redução da pobreza e criação de mais postos de trabalho”, apontou.

Para Osvaldo Mboco, a contestação dos resultados não terão implicações no relacionamento de Angola no cenário internacional, justificando que “ primeiro porque houve um contencioso eleitoral ao nível do Tribunal Constitucional e essa situação ficou diluída a este nível, e segundo os Estados respeitam a soberania dos outros Estados e o princípio da não ingerência nos assuntos internos dos Estados impera nas relações internacionais”.

Já a especialista Compliance e CEO da Petroshore, Andrea Moreno diz o seguinte: que o ocidente escreve sobre África o que mais lhe convém, dando uma versão ou outra de forma a apoiar e dar suporte aos seus próprios interesses. Não devemos ser inocentes ao pensar que a imprensa de muitos países ocidentais não está ao serviço dos seus próprios interesses políticos e económicos. Muitas pessoas aproveitam-se do desconhecimento sobre África para passar a imagem que mais convém a eles mesmos.