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Vida e obra do escritor Boaventura Cardoso

Boaventura Cardoso, “um dos melhores prosadores da história da literatura angolana”.

Luanda /
26 Jul 2022 / 13:10 H.

Escritor e poeta angolano, Boaventura Silva Cardoso, nasceu a 26 de Julho de 1944, em Luanda, viveu os primeiros anos de vida em Malanje, tendo ido, posteriormente, para a província de Luanda, onde concluiu os estudos primários e secundário. É licenciado em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Santo Tomás de Aquino (Angelicum).

Tendo despertado para as Letras ainda muito jovem, em 1967 começou a escrever publicando alguns contos e poemas nas páginas culturais de conhecidos jornais de Luanda.

Integra a “geração angolana de 70”, ao lado de muitos outros escritores seus contemporâneos, com enfoque para Manuel Rui, Jofre Rocha, Ruy Duarte de Carvalho e Jorge Macedo, bem como a obra de outros autores desta geração.

Os seus textos são caracterizados por um forte engrandecimento aos valores e ideias revolucionários, onde a certeza da independência e da liberdade são celebrados através de uma escrita esteticamente elaborada e fruto de uma reflexão sobre o fenómeno literário, constituindo-se, então, como um processo metaliterário em que os autores também reflectem sobre a realidade sociopolítica do seu país.

Membro-fundador da União dos Escritores Angolanos e da Academia Angolana de Letras, de que foi o 1.º presidente, é autor dos livros de contos Dizanga Dia Muenhu (1977), O Fogo da Fala (1980) ,A Morte do Velho Kipacaça (1987, O Signo do Fogo (1992), Maio Mês de Maria (1997), Mãe Materno Mar (2001), Noites de Vigília (2012) e Margens e Travessias (2021).

Agraciado com o Prémio Nacional de Cultura e Artes – Literatura, Boaventura Cardoso, é membro honorário da Academia Palmense de Letras e Comendador da Ordem do Mérito Cultural, desde 2006.

Recentemente, Boaventura Cardoso, venceu a 4ª edição do Prémio de Literatura dstAngola com o romance “Margens e Travessias”, publicado no passado ano de 2021 pela editora Mayamba.

O Prémio de Literatura dstangola/Camões, dedicado a livros editados em poesia e prosa, de artistas nascidos em Angola, foi criado numa parceria entre o grupo empresarial e o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua.

O livro “Margens e Travessias”, é um romance histórico em que a geografia também protagoniza a construção romanesca, cujas inúmeras travessias penetram margens submersas da história de Angola, ao mesmo tempo pela linguagem da poesia, tecem uma “terceira margem” da história.

De acordo o comunicado da realização do prémio, o Júri na obra premiada, assegura que Boaventura faz recurso à mesma metodologia que o caracteriza como escritor angolano, romancista e contista, que tem um grande conhecimento sobre a cultura do seu povo.

Boaventura Cardoso, um dos melhores prosadores da história da literatura angolana.

Boaventura Cardoso foi funcionário dos serviços de fazenda e contabilidade, depois da independência ocupou diversos cargos de responsabilidade, como director do Instituto Nacional do Livro e do Disco (INALD), secretário de Estado da Cultura, ministro da Informação, embaixador de Angola na República francesa, Itália e Malta, e representante de Angola junto dos organismos das Nações Unidas, sediados em Roma (FAO, PAM e FIDA), 2000/2002.