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Suécia, o país onde perder o emprego pode ser uma coisa boa

Ser demitido de um emprego nunca é uma experiência agradável, mas o ‘sistema de transição’ da Suécia promete fazer muito mais do que apenas colocar você de pé novamente.

Europa /
30 Dez 2019 / 12:03 H.

Essa é a promessa do “sistema de transição” da Suécia, um serviço privado de assistência social para trabalhadores que ficaram desempregados recentemente devido à redundância (quando as vagas são fechadas porque já não há mais a necessidade de um empregado para realizar aquele trabalho).

As empresas pagam por “conselhos de segurança do trabalho” que fornecem treinadores qualificados para motivar o trabalhador e combinar suas habilidades e ambições com o que há disponível no mercado. Existem 16 dessas organizações, cada uma cobrindo um sector diferente da economia e encarregada de encontrar vagas para trabalhadores que perderam seus empregos por razões económicas.

Como resultado, a Suécia tem as melhores taxas de reemprego do mundo desenvolvido — cerca de 90% dos trabalhadores demitidos estão de volta ao trabalho dentro de um ano, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Isso é drasticamente maior do os índices de França e Portugal, por exemplo, que reinserem apenas cerca de 30% dos trabalhadores no ano, segundo a OCDE.

Eva, de 24 anos, descobriu o serviço recentemente. Ela deixou a faculdade como designer gráfica em 2016. Seu trabalho em Estocolmo estava indo bem, e sua carreira parecia ter começado com vigor. Mas no início de 2019, a empresa anunciou que teria que fazer cortes devido a redundâncias. O clima no trabalho azedou e seus colegas ficaram ansiosos. Ela começou a perder o sono e a se preocupar constantemente com o futuro — até seu namorado notou uma mudança acentuada em seu comportamento.

Em conversas com colegas, Eva ouviu falar pela primeira vez do conselho de segurança. A empresa estava coberta por ele, o que significa que um coach pessoal foi automaticamente designado a ela antes de sua demissão, em junho. O sistema entra em acção assim que as demissões são anunciadas, para acelerar o processo de recontratação.