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Heróide dos Prazeres homenageia velha geração em ‘Poder da Interpretação’

O projecto surgiu da necessidade de despertar na nova geração tudo aquilo que foi feito nas décadas passadas em termos musicais.

Luanda /
02 Ago 2022 / 11:57 H.

O Concerto “Poder da Interpretação”, que aconteceu em Luanda, foi uma das formas que a artista Heróide dos Prazeres encontrou para agradecer e homenagear a todos os cantores angolanos da velha geração, nomeadamente Ngola Ritmo, André Mingas, Rui Mingas, Filipe Mukenga, Elias Dia Kimuezo, Bonga entre outros, pelos seus feitos em prol da música angolana.

“Eles marcaram uma época e apesar das dificuldades nunca deixaram de lado a música popular angolana como o Kizomba, Semba, o Carnaval, Jazz, Kilapanga”, disse a artista, ressaltando que alguns morrerem e deixaram o seu legado, outros continuam no activo e espalhando a sua marca e o seu perfume musical.

Em entrevista ao Mercado, Heróide dos Prazeres, diz que é importante trazer de volta todos esses temas que foram criados com muitas histórias lindas, com diversas composições e sobretudo vividas na pele pelos antepassados.

“O projecto Kuimbila, por exemplo, termo na língua nacional Kimbundo que em português significa cantar nasceu num momento muito nostálgico e triste, se assim posso dizer, mas de muita determinação e confiança também”, afirma ao anunciar a aposta nos ritmos nacionais.

Heróide dos Prazeres explica que o projecto surgiu da necessidade de despertar na nova geração tudo aquilo que foi feito nas décadas passadas em termos musicais, na medida em que hoje, como frisa, a música nacional não está muito virada para a nossa verdadeira identidade, uma vez que a sociedade anda muito ocidental.

“O projecto visa trazer aos ouvintes as músicas das décadas passadas, com uma nova roupagem sem perder a essência, sem perder o ritmo, sem perder a repercussão, sem perder a dikanza, sem perder o ‘kuyuyu’”, assegura.

A artista diz que desde muito cedo a música cruzou o seu caminho e que sempre adorou cantar, mas devido ao bullying que sofreu na infância e adolescência devido a sua voz, apenas aos 20 anos é que realmente acreditou que poderia seguir carreira musical e ser cantora, finalmente.

Bailarina

A nossa entrevistada começou a sua carreira artística nas vestes de bailarina e começou a cantar há sensivelmente oito anos. Durante esse percurso, Heróide sempre ouviu músicas clássicas, e não sabia exactamente o que queria fazer ou que estilo apresentar às pessoas, apesar de ser apaixonada pelo Jazz e pelo Soul.

Conta que a sua deslocação recente à Expo Dubai a ‘obrigou’ aprender mais sobre os estilos clássicos da nossa terra para poder apresentar-se ao público local, dignificando o País. Em seguida, como refere, a sua paixão pelos estilos nacionais começou a ser mais forte e voltou com vontade enorme de rebuscar tudo aquilo que é nosso e poder então trazer para os ouvintes.

Heróide tem como referência na música angolana os artistas angolanos da velha geração como, N´gola Ritmos, conjunto que muito admira e respeita, que foram, segundo a sua consideração, os responsáveis pela musicalidade que temos hoje, e sempre fizeram músicas com campo harmónico perfeito.

Cita ainda Filipe Mukenga, pela forma como canta, pelo estilo que faz que é o NMA (Nova Música de Angola), sendo um rótulo que adoptou também para os diferentes estilos de música nacional que adora fazer.

Um estilo muito virado, de acordo com o seu pensamento, para aquilo que é a cultura angolana, uma forma que foi encontrada para ajudar as pessoas a entender, compreender muito mais sobre aquilo que é “nosso, a valorizar, e sem perderem a cultura e a nossa essência”.

A cantora reconheceu que está muito feliz e sente-se adolescente no mundo artístico, porque é nesta fase que tem a oportunidade de conhecer muitas coisas, como os estilos musicais.

Declara que está num processo de descoberta de vários clássicos angolanos e que hoje as pessoas prestam mais atenção àquilo que é a Heróide na musicalidade, na artista que se torna a cada dia que passa.

Além da Expo Dubai, a jovem artista já participou no Show do Mês e na Bienal da CPLP, que teve lugar em Angola. Outro marco importante da artista aconteceu em 2020 no Festival da Canção de Luanda, onde interpretou com o tema “Só no olhar”, de sua autoria, tendo vencido o Grande Prémio da Canção e Melhor Voz, depois de duas tentativas (2018 e 2019).