Mercado de valores
Tempo - Tutiempo.net

“Guia de etiqueta social e empresarial” novo livro de Marleyh Selo

“O livro foi escrito para ser usado como uma Bússola de orientação pessoal e empresarial, com objectivo de ajudar as pessoas a terem um convívio em harmonia e segurança, promover o civismo, a empatia e o respeito mútuo a nível social e empresarial”.

Luanda /
17 Mai 2022 / 15:46 H.

Que análise faz da etiqueta empresarial nas organizações angolanas, com base na interacção com “as mesmas”?

Quem me dera ter selos de bom, muito bom, excelente e péssimo, para premiar organizações que fazem a adopção de normas e princípios éticos e da etiqueta a nível empresarial, assim, muitos perceberiam em que situação muitas organizações se encontram.

De um modo geral, a ética e etiqueta empresarial não estão presentes em muitas organizações angolanas, quer dizer, não são usadas como pedras basilares a 100%, em algumas, não estão alinhadas à cultura organizacional e muitos gestores têm aversão ao cumprimento das regras de etiqueta e ética empresariais, e certos líderes consideram como sendo uma prática direccionada apenas, para monarcas e burgueses.

Mas, empresas “há” que não só se guiam segundo estas normas, como supervisionam o seu cumprimento e, ainda, promovem treinamentos, palestras e mentorias sobre o assunto com fim de melhorarem a postura, a comunicação, o relacionamento e a performance profissional de seus colaboradores e a imagem da marca que representam.

Os desafios neste tema diferem de acordo com a dimensão da empresa?

Não exactamente!

Mas, da meta que a empresa almeja alcançar e dos seus valores. Esta (a meta definida) dará base para definir como a empresa irá se posicionar, actuar e se comunicar no mercado em que está inserida.

Seja a empresa grande ou pequena, o desafio do gestor/líder é manter a equipa motivada e engajada nas estratégias da empresa, uma vez que, o sucesso no desempenho de uma equipa tem relação directa com o posicionamento do seu líder e não no tamanho dessa.

Geralmente, as organizações esperam dos seus colaboradores civismo, um bom desempenho e produtividade aliados à responsabilidade, comprometimento e determinação, com base na educação, princípios e valores pessoais, desde que estejam alinhados à missão, visão e valor da empresa, o que resultará em boa performance e dinamização da equipa e na obtenção de um resultado comum.

Para tal, recomendo cinco (5) desafios ou atitudes de etiqueta empresarial que os gestores devem procurar e inspirar em seus liderados a promover: cooperação; cortesia e respeito mútuo; disciplina no cumprimento de prazos para entrega de trabalhos e missões adjudicadas; empatia e equilíbrio emocional.

A fraca penetração e aplicação de princípios éticos nas organizações, a seu ver, se devem a que factores? É um problema cultural ou apenas de literacia?

A meu ver, resultam, por um lado, da dualidade de papéis dos gestores de RH e Líderes e de factores como: “desacesso” ou a não partilha da informação privilegiada da empresa, a cultura organizacional embaçada para os colaboradores, má gestão da comunicação e gestão deficiente de conflitos (em assuntos sobre assédio, quando se recebe crédito pelo trabalho de outro colaborador, por oferecerem a seus clientes produtos/serviços de má qualidade por lucro maior, uso de conhecimento interno para benefício pessoal e muitos outros factores). Principalmente, quando os valores adoptados pela empresa colocam em causa o valor do indivíduo que é colaborador na empresa.

A literacia em nada impede, até porque os princípios geracionais, que prevaleceram no tempo, foram difundidos por meio de gestos, desenhos, por imitação, reprodução e muito mais.

A cultura, por sua vez, acaba por ser “um medidor” de diferenciação para a postura assertiva que esse colaborador irá adoptar.

Já as mudanças geradas pelas novas tecnologias trouxeram uma relação lacónica entre as pessoas.

Isso exige que o gestor reformule, reescreva e reitere as regras e princípios éticos e da etiqueta empresarial tanto no cenário presencial como no On-line.

Todo e qualquer colaborador precisa entender que as normas devem representar os valores da empresa, o perfil do negócio, a imagem e o posicionamento que se deseja transmitir e assegurar, que sejam colocadas em prática na sua actuação.

Foi essa motivação para escrever o “Guia de Etiqueta Social e Empresarial”?

De alguma forma sim, mas, também, pelo facto de muitas pessoas não serem corteses, não agirem com empatia, segurança e por não usarem a civilidade, o bom senso e boas maneiras no trato com as outras pessoas, no seguimento social e empresarial.

Por essa razão, esse livro foi escrito para ser usado como uma Bússola de orientação pessoal e empresarial, com objectivo de ajudar as pessoas a terem um convívio em harmonia e segurança, promover o civismo, a empatia e o respeito mútuo a nível social e empresarial.

Qual e o diferencial deste livro face aos demais que abordam temas similares?

A principal é a contextualização. A seguir, a forma peculiar que fiz na abordagem sobre os assuntos que compõem os conteúdos lavrados.

O ser humano como actor social está no centro da abordagem e a sua actuação a nível social e empresarial foi exposta ao pormenor em diferentes seguimentos que a etiqueta engloba. Contém imagens reais do que evitar e promover em várias situações, bem como a minha visão e experiência na área, as fontes orais consultadas e, por fim, as contribuições de outros profissionais sobre assuntos de relevância para o crescimento pessoal e profissional.

Entre as recomendações que o livro aponta, quais são as três urgentes que as empresas não devem ignorar?

Vale lembrar que, a imagem percebida, fruto de como uma empresa projecta a sua comunicação (verbal, não verbal e escrita), pode destacá-la da concorrência no mercado, alcançar a mente do seu público-alvo ou afundá-la.

Olhando para esse panorama, as três recomendações urgentes que as empresas não devem ignorar são:

a) Cuidar bem da imagem que projectam da actuação no digital, para que não risquem a imagem e a reputação off-line.

b) Mais eficácia na comunicação oral e escrita, pois a ineficácia na comunicação oral ou escrita resulta duma imprópria veiculação da informação. Todo o cuidado é pouco, porque retira a credibilidade e o respeito, belisca o bom nome e a segurança da marca e ainda desprestigia o seu líder e ou gestor.

c) É recomendável a criação de condições que permitam a celeridade no despacho de assuntos administrativos com seu público, sejam eles feitos por documentos tradicionais, por e-mail ou por ligações telefónicas.

Quais são as consequências da não observância da ética social e empresarial numa altura em que o País se esforça para atrair cada vez mais empresas estrangeiras?

Muitas!

A não observância de comportamentos anti-éticos, social como empresarial, tais como: fofocas, actos de corrupção, sonegação de imposto, preconceitos, fraudes, assédio sexual e moral, roubos, subornos, desfalque e outros, (uns com punição legal e outros não), mancha a reputação e o bom nome de pessoas, empresas e do País no geral. Prejudica a cultura organizacional, o clima e a relação entre colaboradores e não só, risca, ainda, a harmonia e a cortesia entre colaboradores e, consequentemente, reduz a produtividade e a eficiência. Ou seja, os colaboradores, a empresa e a imagem social do País saem a perder.

O que recomendo é a criação de estímulo psicoemocional, para que haja respeito mútuo, carácter forte, mais empatia, amor ao próximo, civilidade e boa índole nos cidadãos e que cada empresa procure cultivar e buscar esses valores, criando e difundindo uma cultura de compliance. E ainda, criar e adoptar normas de conduta detalhadas para orientar os seus colaboradores e implementar ferramentas que facilitem a sua aplicação e supervisão.

Quantos exemplares estão disponíveis?

Foram impressos exemplares suficientes para limar toda a necessidade de aquisição que poderá advir por parte dos leitores individuais e colectivos.

Quais serão os pontos de venda depois do lançamento?

Desde o primeiro livro, que vendemos nas redes sociais, veiculamos a publicidade na media tradicional e entregamos em domicílio ou onde estiver, com o suporte de Influencers literários e promotores de venda, acredito muito que com este livro não será diferente.

Quais foram as fontes de pesquisa para o livro?

Várias!

Fontes orais: entrevistei historiadores, sociólogos, antropólogos, gestores de RH, população local de determinadas localidades em Angola e de alguns países, e principalmente, autoridades tradicionais.

Li diversos livros de profissionais com autoridade e credibilidade no assunto, usei ainda, conteúdos de vários cursos que fiz no estrangeiro e da mentoria com duas grandes especialistas em etiqueta e comportamento que tive no Brasil e Itália. Usei também, a experiência que tenho na área, enquanto consultora e formadora de etiqueta.