Mercado de valores
Tempo - Tutiempo.net

Documentários sobre diversidade étnica de Angola apresentados no Imiji Ya N’gola

O Instituto Cultural Alemão (Geo-the Institut), em parceria com o jornalista e produtor de audiovisual, Miguel Manuel, realizou até sexta-feira um ciclo de documentários denominado “Imiji Ya N’gola” na língua Tchokwe (Raízes de Angola) em celebração ao dia de África.

Luanda /
02 Jun 2022 / 12:12 H.

Numa entrevista concedida ao Mercado, Miguel Manuel, disse que o objectivo do evento é a partilha de conteúdo cultural com os angolanos e estrangeiros a partir do “Imiji Ya N’gola” e da realização de mesas redondas após cada exibição dos documentários.

Segundo contou, participaram do evento, antropólogos, historiadores, juristas, pesquisadores da literatura oral e psicólogos que trouxeram ao debate uma visão académica sobre os conteúdos apresentados.

Miguel Manuel afirma que os documentários exibidos retractam a cultura angolana, resultado de costumes, tradições e filosofia africana nascida do mesmo troco, que deu origem aos povos Bantu, na sua maioria.

“Apesar de, com as migrações, ter ocorrido as separações geográficas e, com isso, as transformações que conhecemos hoje, há ainda, muitos traços comuns que nos mantêm como únicos. Somos africanos”, aclarou.

Espera-se, diz, que o público retenha a história contada pelos angolanos que recebem há séculos informações da sua real origem, tradição, costumes e objectivos enquanto continuadores e produtores da própria cultura.

Acrescenta ainda que o público veja e se reveja nos personagens, lugares e circunstâncias que os remonta à sua africanidade, abrindo assim uma porta para pensar na sua essência e existência, “afinal, quem não sabe para onde vai, todo caminho lhe parece certo”, disse.

Conta que o Imiji Ya N’gola é uma iniciativa de Miguel Manuel, por ser estudioso autodidacta de antropologia e história dos povos do mundo, com foco em África, ressaltando que a anos viaja por vários países, onde teve contactos com realidades pouco apresentadas pelos livros escolares e o pouco que é mostrado é de um parágrafo contado pelo narrador.

Mas acresce, por querer ir a fundo usou a própria profissão para investigar e contar outra versão, por meio das fontes que tem encontrado.

Neste percurso lembra, gravou documentários de forma independente, dos quais alguns foram transmitidos pela TPA e os outros exibidos em auditórios como exemplo do CIAM, universidades e em eventos fora de Angola.

Na altura, satisfeito com a adesão, concluiu que podia tornar- se num projecto mais sólido e contínuo. Nasce assim, o Imiji Ya N’gola, de periodicidade anual.

Questionado sobre o que representa poder fazer parte de um evento desta magnitude, disse ser a realização de um sonho.

“Primeiro, porque a minha paixão evoluiu para uma relação sólida, segundo, porque pela primeira vez, uma instituição foi sensível à causa: o Gothe Institut (instituto Cultural Alemão) tornou-se parceiro do projecto”, concluiu.