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“O mercado de streaming vai crescer muito nos próximos anos, nós estamos a entrar para uma nova era industrial da tecnologia”

Licínio Januário dá-nos o seu ponto de vista sobre o crescimento das plataformas de Streaming, de como surgiu a ideia de criar a plataforma “Wolo” e os seus planos para que a plataforma esteja disponível em Angola.

28 Set 2021 / 13:01 H.

Como surgiu a ideia de criar uma plataforma de streaming?

A ideia de criar uma plataforma de Streaming surgiu da análise do crescimento desse mercado, a nível mundial esse crescimento vem deixando claro a existência de alguns mercados não explorados, por exemplo, o Brasil, o país com a maior população negra fora de África. O Brasil tem a segunda maior população negra do mundo, primeiro é a Nigéria depois é o Brasil, um país que tem menos investimentos em produções, onde as pessoas negras são protagonistas. Os Estados Unidos têm 4 vezes menos a população negra do que o Brasil e tem muito mais produções com protagonistas negros, então, a gente observou que existe esse gape no mercado do entretenimento no Brasil. Não só no Brasil mas como na América Latina. Decidimos aproveitar isso e criar a nossa plataforma, pensando em conectar a América Latina com os países Lusófonos, eu acredito que o Brasil é para os países Lusófonos, os Estados Unidos é para o mundo em termos de preferência de audiência do entretenimento, pois fui observando esse Gap no mercado que decidimos criar a nossa plataforma de streaming e, também claro, o crescimento da área de tecnologia.

Há quanto tempo a plataforma está disponível para ser utilizada?

A plataforma está disponível desde Dezembro de 2020 em todos os países.

Porquê a escolha do nome ‘Wolo TV’ para a plataforma?

Escolhemos o nome “Wolo” porque queríamos um nome que tivesse uma sonoridade boa, para o mundo inteiro e, eu, particularmente, escolhi o Wolo porque é uma palavra que sempre usei muito aí em Angola, eu e os meus amigos “Wolo” (risos), e então é isso, esse foi um dos motivos. Essa palavra tem uma tradução também em inglês que não foi o nosso ponto de partida que é We Only live once nós só vivemos uma vez, mas enfim... ao mesmo tempo está ali dentro, foi esse aglomerado de coisas que fez escolher esse nome.

Qual tem sido o feedback dos usuários?

Tem sido muito bom, a Wolo sem grandes investimentos em Marketing, o que faz uma startup crescer é um investimento em marketing e mesmo sem grandes investimentos a Wolo atingiu mais de 27 países. O mundo quer conhecer a Wolo e é por isso que nós estamos a entrar nesse novo momento agora para expandir a Wolo e vincar o nosso nome no mercado desses 27 países.

A plataforma poderá receber novas funções futuramente?

Sim, nós temos uma linha de crescimento muito grande de expansão para outros países, principalmente os países lusófonos, Angola até está, enfim, está a ter algumas conversas já para montar algumas bases aí, não só base administrativa mas também como base de produção, logo, a nossa intenção é ser uma plataforma presente globalmente.

Qual é o género de filmes e séries que são apresentados na ‘Wolo TV’?

Em relação ao género de filmes e séries, nós queremos explorar todos os géneros, a nossa plataforma vai ser muito focada em filmes, séries, documentários, todos eles com uma narrativa POP. É isso que nós queremos trazer, quando eu falo narrativa POP falo na escrita, na qualidade técnica e tudo mais. A nossa intenção é, de facto, levar essa nova qualidade internacional de conteúdo para os países lusófonos, levar essa qualidade que está padronizar-se no mundo, principalmente, no cinema americano.

Qual é a sua opinião sobre o que irá acontecer futuramente com o mercado de streaming?

O mercado de streaming vai crescer muito nos próximos anos, como eu falei essa é uma nova era, nós estamos a entrar para uma nova era industrial da tecnologia. Esse ainda é o início, pois muitas empresas vão surgir, muitas empresas vão crescer. Só para ter uma noção o Google, a Amazon, a Netflix que são os mais falados, o facebook que são as empresas de tecnologia têm pouco tempo e em pouco tempo se tornam empresas muito mais lucrativas e com essa era da tecnologia todo o mundo pode ter acesso, todo o mundo pode criar uma empresa igual a qualquer uma dessas. Então vai crescer muito em todos os sectores de startups.

Qual é a vossa plataforma de streaming favorita?

A plataforma favorita é a nossa (risos), porque ela tem propósito, ela vem para mostrar um mercado que sempre existiu mas que nunca foi valorizado. É lógico que nós sabemos que vamos chegar no lugar ideal de visibilidade daqui a 10 ou a 20 anos no mínimo, mas estamos felizes com isso, porque há canais como o Black Entertainment, o BET que é o maior canal de cultura negra nos Estados Unidos, que demorou muito para que tivesse notoriedade internacional e, hoje está aí, tem as maiores galas, as maiores premiações e tudo mais. A nossa plataforma favorita é a nossa mesmo onde estamos a depositar todo o nosso suor e a gente sabe o quão importante ela é, para unificar os países lusófonos e para mostrar o grande potencial artístico dos países lusófonos, para geração de emprego para os países lusófonos.

Tem algum conselho para os jovens que queiram abrir futuramente uma plataforma de streaming?

O conselho que eu dou para os jovens que querem abrir futuramente uma plataforma de streaming é fazerem primeiro o inglês, porque com o inglês vão poder ter acesso e conhecimento do nível ou do lugar que esse mercado está, vão poder ter acesso às possibilidades que esse mercado pode abrir e tudo mais, estudem a necessidade de consumo e criem, deiam o primeiro passo, que é a coisa mais difícil. Nós não colhemos. Esse é o meu conselho.