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José Luís Mendonça lança nova obra dedicada à mulher

José Luís Mendonça, uma das vozes mais inovadoras da poesia angolana, apresenta a sua nova obra poética, Software Carnal, onde apresenta um mar de erotismo e

Luanda /
20 Set 2021 / 18:15 H.

Singular pela forma peculiar de como escreve, José Luis Mendonça é um dos autores angolanos que mais desperta o interesse aos seus leitores. Para o leitor que deseja uma leitura fluída e linear, “Software Carnal” é um bom ponto de partida para aobra do autor. No dia 30 de Setembro às 17 horas a editora Kalunga apre- senta, no Camões (Centro Cultural Português), em Luanda, a mais recente produção poética de José Luís Mendonça, uma das vozes mais inovadoras da poesia angolana deste século.

Um início de século cada vez mais online e cada vez menos sentimental, em que Software Carnal aparece como um convite ao retorno dos afectos, contra a conflitualidade social inaceitável e arcaica, através da aposta inadiável na devoção à Mulher. Com apresentação crítica de Fátima Fernandes e a palavra da leitora de Conceição Neto, o evento terá como mestre de cerimônia, Djanira Barbosa, e será também palco de poesia e canto dedilhado nas cordas da viola de Wilmar Nakeni, Lala e Pedro Bélgio.

A obra inaugura o ciclo de publicações da editora Kalunga que se apresenta no mercado literário Angolano, sendo comercializada no valor de 3.000,00 AKz, e a participação é livre, porém impõe o uso da mascará, por razões pandémicas. A editora Kalunga é uma iniciativa empreendedora jovem e que actua na edição, livraria e papelaria. O Camões (Centro Cultural Português em Luanda), está localizado na Avenida de Portugal, 50, nas instalações da Embaixada de Portugal.

Um mar de erotismo e devoção à Mulher

Software Carnal, a mais recente produção poética de José Luís Mendonça, celebra a vertigem da Criação natural, cuja expressão mais acabada é a Mulher, “esse registo abobadado/ de trezentos milhões de anos de evolução”, como se pode ler no poema que dá título ao livro.

É nesse registo abobadado que Eros faz morada. E é nele também que o poeta digitaliza os versos, com recurso ao software inamovível e desconhecido da origem da

Vida. Esta incursão dialéctica na vertigem do estar neste mundo, que só se apazigua no andar a dois (machofêmea) resulta em versos fundados sobre a melodia das coisas mais simples da Terra, “uma vírgula, um caracol, uma côdea de pão seco/ bicado por três galinhas”, porque é delas que, a final, se alimenta o espírito. É neste outro registo que o Sentimento faz morada.

Os 37 poemas de Software Carnal perfazem um hino à misteriosa e infinita expansão do Universo que aqui, neste lugar chamado Terra, se reedita no ventre expansivo em tempo de gravidez, nos olhos húmidos e luminosos da Mulher dotados da ciência maternal de ver e na sede dos dedos a tactear a liquidez das coisas que nos rodeiam. Poesia de uma maturidade impressionante,

que coloca a Poesia angolana no patamar cimeiro da contemporaneidade lírica.