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‘Além da Noite’, uma obra inspirada nos subúrbios de Luanda

Autor oferece-nos uma narrativa do pósguerra passada nos subúrbios de Luanda. Mais uma vez, traz-nos de volta o realismo, o fantástico e o surrealismo, presentes em obras anteriores.

Luanda /
09 Set 2019 / 09:05 H.

O poeta e ficcionista João Tala lançou, na última terça-feira, no Camões/Centro Cultural Português, Luanda, o seu mais recente romance, Além da Noite. Segundo o Autor, é uma obra constituída por duas novelas curtas, num cenário de contexto pós-guerra, vivido nos subúrbios (musseques) de Luanda. “Num estilo entre o realismo, o fantástico e, quiçá, o surrealismo”, refere.

O escritor oferece-nos uma narrativa do pósguerra, um tema já observado em livros anteriores de sua autoria. Mais uma vez, traz-nos de volta o realismo, o fantástico e o surrealismo, também presentes em Lugar Assim(poesia) e Os Dias e os Tumultos(ficção), obras lançadas em 2004.

Além Da Noite, segundo uma nota do editor, é uma narrativa em que o personagem principal (Samuel) “desfia memórias quecruzam tempos e factos passados e presentes, evocando pessoas, sentimentos e afectos.”

“Chamo-me Samuel, igual ao meu pai que me pôs o próprio nome. Não falei meu nome antes, porque ninguém se importa comigo, ademais circulando na feira ou sentado no barengue do Teixeira. São todos kambas de ocasião, não perguntam o nome, família ou o nosso emprego. Nasci no Lwena, no começo da década 80. Meus pais são daqui mesmo, com minha mãe já falecida”, lê-se. As mulheres que o narrador descreve ocupam um lugar de destaque na obra.

A mãe Negra é “uma mulher de aspecto solto e com uma retinta aparência mais negra que o negro. É das mais marcantes pela descrição”; “ (...) não tinha rugas de velha, mas os cabelos estavam mais embranquecidos.”

O autor ‘destila’, ao longo da narrativa, alguma desilusão pessoal e colectiva. “O meu caminho é o tempo de qualquer noite, porque tenho uma vida parda. Sou o gato da noite. Sempre ando de pensamentos escuros, sou o resíduo da tropa e desperdicei mil combates (...).” João Tala nasceu em Malanje, em 1959, e iniciou-se na escrita no limiar da década de 80, quando residia no Huambo, onde cumpria o serviço militar.

Nesta época, co-fundou a Brigada Jovem de Literatura e ingressou na Faculdade de Medicina. Hoje, é médico de profissão e membro da União dos Escritores Angolanos (UEA). Em 1997, publicou a sua primeira obra de poesia A Forma dos Desejos, que arrebatou o prémio Primeiro Livro da UEAe o primeiro lugar dos Jogos Florais do Caxinde.

Em 2000, publicou a obra de poesia O Gasto da Semente, que arrebatou a menção Honrosa do Prémio Sagrada Esperança. Em 2003, publicou A Forma dos Desejos II, em 2004, Os Dias e os Tumultos(contos), ganhando o Grande Prémio de Ficção da UEA. Em 2005, publicou a obra de poesia A Vitória é uma Ilusão de Filósofos e de Loucos, que arrebatou o Grande Prémio Poesia da UEA. Em 2009, publicou a obra de poesia Forno Feminino. Em 2011, publicou o livro de contos Rosas Munhungo. Dois anos depois, lançou a obra de poesia Insónia.