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Acesso universal à electricidade em África passa pelas renováveis – BAD

África precisa de 60 a 90 mil milhões de dólares para garantir o acesso universal à electricidade até 2030.

26 Ago 2019 / 12:19 H.

Em entrevista à Lusa, João Sarmento Cunha, coordenador dos fundos de energias renováveis do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) salienta que a electrificação de África até 2030 é um dos objectivos estratégicos mais ambiciosos do BAD, exigindo uma mobilização de recursos “gigantesca”, e estima que seja necessário gastar entre 60 a 90 mil milhões USD anualmente (entre 54 a 81 mil milhões de euros).

“Não são recursos que o BAD tenha, mas a ambição está lá e a vontade de mobilizar parceiros e outros investidores é muito forte”, destacou.

Embora tradicionalmente, o BAD tenha dado prioridade a grandes projectos como barragens, centrais térmicas e outras infra-estruturas que a instituição estava “bem posicionado para financiar”, começa a apoiar agora também projectos de menor escala, como as pequenas centrais solares ou mini-hídricas ligadas à rede, que estão a ganhar força em África, graças às inovações tecnológicas no campo solar e digital.

Algumas empresas vendem os seus produtos directamente às comunidades, em vez de vender os serviços através das ‘utilities’ (grandes fornecedores de serviços essenciais, como luz e água).

As soluções passam normalmente por pequenos painéis solares que podem ser ligados a eletrodomésticos ou mini-redes que estão fora do sistema de distribuição eléctrica, mas que oferecem uma experiência semelhante ou até melhor (’off-grid’). Apresentam, no entanto, outros desafios, adianta o responsável do BAD.

“Estamos a falar de um segmento que deveria ser colmatado por bancos comerciais. Daí a necessidade de criar uma iniciativa para financiar estes vários modelos de negócio, um fundo que pudesse catalisar e capturar financiamento de outros investidores, sejam eles doadores ou investidores comerciais.

Surgiu assim o Fundo para a Inclusão Energética (FEI), uma plataforma de financiamento de energias renováveis de pequena escala em África, que permite canalizar verbas para estes projectos e estruturar o financiamento da melhor forma para que se tornem bancáveis, explicou João Sarmento Cunha.

A plataforma divide-se entre um subfundo com uma capitalização de 100 milhões USD (88 milhões de euros), que já está operacional, destinado a sistemas de distribuição de energia independentes , essencialmente kits solares (Fundo de Acesso à Energia Off-Grid ou OGEF, na sigla inglesa); e um outro subfundo para apoiar soluções de pequena escala e mini-redes (FEI On-Grid) até 30 milhões USD.