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Economista Pedro Luís da Fonseca relembra memórias com Emmanuel Carneiro

Na sua trajectória política governativa, Emmanuel Carneiro foi consecutivamente vice-ministro do planeamento, Ministro do Planeamento, Ministro do Comércio, Ministro das Finanças e Ministro do Planeamento, ao longo de uma década em que se conheceram profundas transformações na estrutura económica nacional.

Angola /
24 Fev 2022 / 11:06 H.

O economista angolano Pedro Luís da Fonseca produziu um texto evocativo sobre as memórias da sua experiência de trabalho com o então ministro Emmanuel Carneiro, que foi enterrado no passado domingo em Lisboa.

“Nomeado Vice-Ministro do Plano no primeiro trimestre de 1990, com Ministro do Plano França Van-Dúnen, as suas preocupações ao nível do pensamento económico angolano e da política económica centraram-se no combate à inflação, para o qual o crescimento da economia era uma premissa fundamental, ainda que em condições de elevada instabilidade militar que retirava às medidas tentativamente aplicadas o essencial da eficácia esperada”, destaca.

Na sua trajectória política governativa, Emmanuel Carneiro foi consecutivamente vice-ministro do planeamento, Ministro do Planeamento, Ministro do Comércio, Ministro das Finanças e Ministro do Planeamento, ao longo de uma década em que se conheceram profundas transformações na estrutura económica nacional.

Desse período, Pedro Luís da Fonseca relembra: “As taxas de inflação eram elevadíssimas e o seu controlo era um desafio permanente, o que o levou a deslocar-se ao Brasil, na companhia de outros membros do Governo da altura, para se conhecer o modelo brasileiro usado para este fim e que teve como cerne a troca da moeda (presidência de Collor de Melo). Estudada essa experiência, entendeu-se ser adequada à situação de Angola, tendo-se implementado em Agosto de 1990”.

Adiante, Pedro Luís da Fonseca refere-se à busca de soluções para aquilo que eram as preocupações de então.

“As suas preocupações sobre a inflação eram tantas que ao nível da reflexão teórica, Emmanuel Carneiro formulou uma tese de combate a este fenómeno baseada no que ele chamou de “equação monetária” e que foi incorporada no Programa Económico e Social de 1997, depois de alguma discussão com o BNA. Mais tarde foi solicitada uma apreciação do Fundo Monetário Internacional sobre os seus fundamentos teóricos e aplicabilidade prática à situação concreta do país”, escreveu.

O compromisso e engajamento do então Ministro Emanuel Carneiro ficou vincada em vários documentos de que se destaca, em 1997, o Programa de Estabilização e Recuperação Económica de Médio prazo 1998-2000, no contexto do qual e pela primeira vez no pós-independência se usou um modelo de previsão do comportamento da economia nacional denominado MODANG e cujos resultados (depois duma ampla discussão com os sectores e em especial com o Banco Nacional de Angola) foram incluídos no capítulo 5, no seu

parágrafo 5.2. intitulado Cenários de Crescimento Económico, de Evolução da Balança de Pagamentos e de Ajustamento Orçamental. O destaque deste programa estava no capítulo 3 A ARTICULAÇÃO ENTRE A ESTABILIZAÇÃO, A RECUPERAÇÃO DA PRODUÇÂO E O CRESCIMENTO ECONÓMICO, matéria para a qual ainda hoje se procura solução.

Este capítulo apresentava bastante reflexão teórica”, o que revela bem a sua componente académica.

Referir que Pedro Luís da Fonseca é economista e quadro do Ministério do Plano onde ocupou várias funções directivas, tendo chegado as funções de Director Nacional de Estudos e Planeamento, Vice-Ministro do Planeamento, Secretário de Estado do Planeamento e Desenvolvimento Territorial e Ministro da Economia e Planeamento. Actualmente é o Presidente do Conselho de Administração do Banco Económico.