Mercado de valores
Tempo - Tutiempo.net

Lizandro Chissupa

Um grande desejo de deixar um legado que se reflecte naquilo que faz hoje, e intencionalmente faz com que este empreendedor trabalhe disciplinadamente para atingir os seus objectivos.

Luanda /
01 Abr 2020 / 12:20 H.

Por Juliana Imperial

O convidado desta semana é um jovem empreendedor que afirma ter sempre uma queda para a liderança e diz que sempre foi muito competitivo. Tem como referências, Winston Churchchill, Ben Mosche, Steve Jobs e Aliko Dangote, o homem mais rico de África.

Nasceu na Lunda Norte, mas devido a guerra que havia em Angola os seus pais decidiram emigrar, o que resultou de boa parte de sua infância ter sido no Zimbabwe, em Harare. A sua infância foi bastante alegre, pois os seus irmãos mais velhos suavizaram os seus anos de infância. Conta, que desde pequeno construía mundos inteiros sozinho, desenhava prédios e dava nomes às empresas fantasiadas. Gostava de desafios, gostava de ganhar e estava sempre ocupado a treinar, a pensar e a tentar competir. Maior parte da sua infância resume-se a competições.

Lizandro Chissupa revela que em 2010 terminou o ensino médio, no Colégio Gregório Semedo, em seguida pediu aos seus pais para durante dois anos tentar outras actividades, que tiveram bom senso e deixaram-lhe embarcar para o empreendedorismo. Fez algumas tentativas, inclusive um estúdio de gravação em sua casa. Trabalhou em part-time em algumas empresas.

Em 2012 ganhou uma bolsa de estudos e seguiu para a Rússia. Foi licenciado pela Universidade Estatal Timiryazevskaya, em Moscovo e terminou a formação em 2017. Na Rússia aprendeu muito sobre o mundo, pois tinha colegas de várias geografias, por isso, foi benéfico para o aprendizado sobre o que é ser humano, algo que muito valoriza. Outro grande acontecimento na Rússia foi ter conhecido a sua esposa que resultou num enlace matrimonial há dois anos.

Conta que o seu actual trabalho foi escolhido por ser a forma mais fácil de atingir o seu objectivo principal. Confessa que foi uma forma de suprir algumas necessidades, pois o seu pai faleceu em 2014. Depois desta perda, teve de encontrar rapidamente uma forma de preencher o vazio financeiro, que a morte do pai deixou. Foi então que, juntou-se a seu irmão e a um amigo de longa data e resolveram criar uma empresa, mas infelizmente a mesma não teve sucesso, recomeçaram e abriram outra que até hoje trabalham nela.

“Sou bastante auto-confiante, gosto de aprender, sou bastante competitivo como já referi e bastante criativo também. Acredito que são as poucas qualidades que tenho”. Diz que o que lhe motiva, é a chance real que tem de poder construir riqueza intergeracional que afectará toda sua família e sociedade para os próximos 200/300 anos.

Entrou para o mundo do empreendedorismo, aos 17 anos de idade pouco antes de terminar o ensino médio, quando decidiu que não trabalharia para ninguém, e após ter consumido alguns livros de John Maxwell clarificou o seu propósito de existência. Naquele momento decidiu ser empreendedor, atraído pelas lindas histórias de sucesso que o John Maxwell descrevia na sua literatura. “Foi então que começou o processo de formação do líder e empreendedor que estou a me tornar”.

Desafios profissionais

O seu percurso profissional tem menos de dez anos, e por isso, Lizandro considera-o ainda pequeno. Conta que enquanto estudava teve pequenas experiências profissionais, alguns empregos part-time, mas todas foram fáceis comparando com a empresa que tem de dirigir hoje que é a Select Service.

“A crise que o País vive nos obriga a tomar medidas estratégicas todos os dias para não fechar a empresa”.

Trabalhou como part-time no Luanda Jazz Festival 2009 e 2010, e também como part-time no INABE (Instituto Nacional de Bolsas de Estudo). Ambas experiências foram ricas, aprendeu muito como o Aparelho do Estado funciona no INABE e aprendeu bons princípios de liderança de equipa no Jazz Festival pois teve um team leader muito comunicativo e muito dinâmico.

“As minhas ambições profissionais passam por fazer de Angola um líder regional em África com empresas fortes, prontas a competir e inovar tanto em cenários de crescimento económico bem como em cenários de crise”, referiu.

Para Lizandro, esta ambição começa primeiro por fazer crescer a Select Services depois fundar outras empresas em diversos ramos e investir em talentos angolanos sempre com o foco de liderar África e quiçá o mundo”.

Se por um lado, o momento mais alto de sua carreia está por vir, o momento mais alto de sua vida pessoal diz que foi o nascimento da sua filha, que fez com que estivesse mais consciente sobre a vida. “Entendi com o nascimento dela que preciso ter um senso de propósito bem definido caso queira deixar um legado”, disse. Mudando de assunto, o nosso convidado é apreciador de vários estilos de música, mas tem o cuidado em selecionar as que tenham mensagens boas. Valoriza a música acústica, por exemplo, pelo respeito aos intérpretes e por saber que é difícil ter um maestro ou produtor que consiga pôr todos instrumentistas e vocalistas em sintonia para produzir um som agradável.

Sobre leituras, prefere livros bibliográficos, de autoajuda, gestão e sobre economia.

Acredita que tempos difíceis formam homens fortes e os líderes são chamados a serem fortes e a formarem outros líderes, e que a crise é um momento de aprendizado onde assiste a cada dia bons progressos dos novos gestores a tentarem encontrar soluções para problemas locais mesmo não tendo muitos apoios financeiros e investimentos.

“Os jovens são chamados aqui a apresentar soluções inovadoras para as próximas décadas. Existe mais liberdade no nosso mercado e todo jovem que se dedicar terá resultados grandes num futuro próximo”. Finaliza.