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Júlio Gonçalves

Por ser curioso e gostar de desafios, o especialista adquiriu desde muito cedo experiência profissional no ramo das telecomunicações e hoje lidera uma equipa dinâmica e focada nos objectivos.

Luanda /
16 Mar 2020 / 11:02 H.

Fascinado pelo mundo das telecomunicações, Júlio Gonçalves, com mais de 20 anos no sector, descobriu desde pequeno que quis ser engenheiro, por influência do pai que trabalhava numa empresa de telecomunicações, por onde percorria os corredores da fábrica de montagem de rádios e televisores, sempre muito atento e desejoso por colocar as mãos na massa.

Nasceu e cresceu em Luanda aos 26 de Julho, onde frequentou a maior parte dos seus estudos. Lembra que teve uma infância feliz e divertida, e que aos 12 anos de idade já adorava desmontar e montar o que pudesse, assim como tentava consertar rádios e gira-discos. Como o engenho da área de telecomunicações corria no seu DNA, foi apenas uma questão de tempo para começar a dar os primeiros passos do seu sonho.

Concluiu o ensino Médio de Electricidade pelo Makarenko, o actual Instituto Politécnico Industrial de Luanda (IPIL). Licenciou-se em Electrotecnia pela Universidade de Brasília no Brasil e tem uma equivalência em Engenharia Electrotécnica e de Computadores pelo Instituto Superior Técnico de Lisboa, assim como uma pós-graduação em Gestão de Empresas.

Desde cedo conheceu a importância do trabalho, pelo que as primeiras actividades laborais remontam o tempo da faculdade que lhe permitiu obter muita experiência com estágios realizados diáspora.

Após terminar a Universidade, o seu primeiro emprego formal foi em Portugal numa empresa de telecomunicações, a extinta Alcatel Portugal, onde começou a dar os primeiros passos como profissional do ramo das telecomunicações fixas e mais tarde móveis, durante quatro anos.

“A minha história na Unitel começou em 2002 enquanto quadro da Alcatel Portugal, onde fiz parte da equipa que fez uma visita de trabalho a Benguela, com o objectivo de efectuar o lançamento da rede UNITEL naquela província”, referiu o engenheiro que diz ter tido por lá a oportunidade de conhecer pela primeira vez a Unitel e sua dimensão.

Em 2004, de volta à sua terra natal, começou a trabalhar numa empresa que prestava serviços para a Unitel e dois anos mais tarde foi convidado a fazer parte da maior operadora móvel do País.

“Como consultor comecei a prestar serviços para a Unitel, sendo que em 2006 fui convidado para fazer parte da maior família de Angola, começando assim uma nova relação com a empresa, desta vez como Chefe de Departamento de Engenharia na então Direcção de Desenvolvimento de Infraestruturas (DDI)”, esclarece considerando-se felizardo por ter passado por várias áreas técnicas da companhia.

“Quando cheguei a empresa tínhamos apenas 250.000 clientes, uma rede relativamente pequena e uma equipa técnica sem mãos a medir e com muita vontade de aprender e crescer. Tive a oportunidade de fazer parte da equipa responsável pela expansão da rede por todo o País, da escolha dos locais para instalação das primeiras estações, assim como fiz parte dos principais projectos de expansão da rede, nomeadamente a instalação de comutadores em todas as províncias em 2006”.

Em 2008, foi nomeado Director de Engenharia, função que desempenhou até 2010, período o qual tinha sido nomeado para ocupar o cargo de Director de Transmissão. Lembra que quando foi designado para a função de Director pela primeira vez, tal como informa, criou-se uma grande expectativa na empresa, porque afinal era possível um quadro interno chegar a um cargo de Direcção.

A empresa passou por um período de restruturação em 2012, nomeadamente do pelouro técnico, onde foi novamente nomeado Director, mas desta vez de Core e Serviços, assim como abraçou um dos maiores desafios profissionais que teve, que foi exactamente liderar a Direcção de Novas Redes de Fibra Óptica, cujo objectivo era a construção da rede de fibra óptica da UNITEL.

“Construímos uma rede com mais de 12.000Km de fibra óptica passada, interligando todas as capitais de província, de norte a sul e do mar ao leste, bem como redes metropolitanas em todas as cidades de Angola. Um mega projecto que me marcou e do qual muito me orgulho. Portanto, enquanto director, o meu maior desafio é ter a capacidade de influenciar pessoas e fazê-las crescer tanto profissional como pessoalmente, o que me deixa com um brilho nos olhos”, acrescenta. “Diariamente surgem novos desafios, abrem-se novos horizontes e oportunidades, e cabe a cada um de nós agarrá-los e vencer profissionalmente. Hoje lidero uma equipa de cerca de 100 pessoas focadas em objectivos, motivada, dinâmica e muito alegre”.

A sua ambição espelha-se em continuar a crescer naquilo que for útil para a empresa, dando o contributo para a massificação dos resultados pretendidos.

As dicas que deixa para os mais jovens líderes e empreendedores é acreditar nos seus projectos, porque, segundo diz, “se não acreditarmos na nossa ideia ela nunca se vai materializar” e, por outra, encoraja a procura de apoios, tanto financeiro como material, pois nada é possível sozinho.

E para finalizar afirma que “a crise existe e é um facto, é nesse momento que aparecem outras oportunidades. Os jovens, os novos gestores e os empresários não devem cruzar os braços, mas sim devem empreender e criar coisas novas aproveitando as dificuldades actuais”.