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Gizela Guimarães

Disposta a romper barreiras, a profissional é orientada para a excelência e comprometida com as pessoas. Conheça a narrativa da socióloga que enveredou para a gestão do capital humano, numa das Big 4 de auditoria e consultoria.

Angola /
06 Out 2019 / 12:15 H.

A profissional de Gestão de Recursos Humanos entende que a sua missão no mundo é servir o próximo, espalhar energia positiva, motivar as pessoas a serem felizes e encontrarem um equilíbrio nas suas vidas.

Fanática por pessoas, a moçambicana que vive em Angola, nasceu em Maputo, a 27 de Janeiro, onde viveu até aos seus 13 anos de idade.

Confessa nesta entrevista que foi uma criança muito feliz e teve uma infância cheia de aventuras ao estilo “Maria-rapaz”, pois falava com todo o mundo, assim como subia às árvores, fazia corridas de pneus com paus e de bicicleta com os rapazes. “Fracturei vários ossos incluindo a clavícula, no meio do mato a fazer uma acrobacia (depois de ver um circo chinês na cidade, quis mostrar aos meus amigos em Massingir como se descia numa trave de cabeça para baixo...), não havia hospital perto, foram precisos quatro homens para me levarem a um enfermeiro e endireitar-me a clavícula, para poder aguentar a viagem até ao hospital mais próximo”, recorda.

Diz que o momento mais alto da sua infância foi fazer parte do grupo coral dos Continuadores da Revolução aos 11 anos. “Numa actividade, em 1980, o falecido Presidente Samora Machel apertou-me a mão e perguntou-me o que queria ser quando fosse grande, respondi “Médica, para salvar as pessoas” e ele disse bem alto “esta menina vai ser médica, vai salvar pessoas, ouviram?!”... Entretanto, recusei-me a lavar as mãos durante muitos dias para continuar a sentir o calor do aperto de mão”, recorda o momento intrínseco da sua tenra idade.

Entre os factos, Gizela não estudou medicina, mas escolheu uma profissão também virada para as pessoas, ajudando-as a desenvolverem capacidades técnicas e comportamentais, de modo a atingirem as suas metas.

Trajectória académica e profissional

Começou os seus estudos na Escola Três de Fevereiro em Maputo, onde entre palmatórias por não se lembrar da tabuada fizeram parte. Seguiu rumo a Portugal com os seus pais, e lá concluiu o ensino médio em 1987. No mesmo ano, toma a decisão, aos 18 anos, de ir para Londres, para trabalhar e estudar, sendo o foco principal aprender a língua Inglesa, e voltar para Moçambique.

“Sempre quis voltar para a minha terra. Sempre soube que seria aqui em África onde eu iria cumprir a minha missão, a de ajudar muitas pessoas”, acrescenta “faço muito trabalho voluntário social, a nível local e mundial, e, por onde passo, estou sempre a fazer o bem sem ver a quem”, refere emocionada, considerando que é um dos sentimentos mais felizes para si, dar conforto a alguém numa hora difícil.

No entanto, fez, em Londres, a licenciatura em Sociologia, e mais tarde, uma pós-graduação em Gestão, na South Bank University. Descobriu a paixão em gestão de pessoas nas empresas por onde passou.

O seu primeiro emprego formal foi como Recepcionista, na Embaixada de Moçambique em Londres, durante três anos. “Fui lá bater à porta e saber de oportunidades, sem indicação de ninguém, mas confiante por ser Moçambicana, com certificado de Secretariado, Inglês ainda “arranhado”, mas super motivada”, avançou.

Em seguida foi desafiada a concorrer para uma oportunidade como Assistente de Programas de Rádio, vaga no departamento de Língua Portuguesa para África, na BBC World Service. Começou como assistente e simultaneamente fazia alguns programas de rádio, durante seis anos. “Na embaixada o meu maior desafio foi cumprir com muito formalismo, já na BBC pude expandir a minha criatividade”, distingue com optimismo.

Em 2007 começa a ligação profissional com Angola. Abraçou o desafio na Global Career Company, empresa britânica especializada em recrutamento para mercados emergentes. “Em 2008 decidimos, eu e mais três outros colegas com experiência em negócios e de gestão de eventos, unir os nossos conhecimentos e fundamos a Elite International Careers (EIC), empresa que se dedicou a recrutamento para Angola de Angolanos formados a nível superior na diáspora”, referiu.

Ingresso na PwC Angola

A socióloga de formação, avança que o processo de ingressão na PwC Angola começou com um diálogo. “Foi numa conversa com a Bethy Larsen, Partner da PwC, em 2014, quando começamos a pensar em fechar a EIC como consequência natural do que o mercado estava a atravessar, na altura, a qual desafiou-me a integrar a linha de serviço de Advisory, como PwC’s Academy Manager, em Luanda, função que abracei em Janeiro de 2015.

Entretanto, em 2016 fui desafiada dentro da instituição, também pela Bethy, a ser responsável pela gestão da área do Capital Humano, da firma em Angola, desafio que aceitei “hands-on”, e onde continuo até à data actual”, sublinha.

Ter feito parte de uma start-up internacional com um objectivo nobre, a Elite International Careers, e ter um impacto na vida de milhares de Angolanos, Moçambicanos e profissionais de outras nacionalidades residentes nestes países, foi, sem dúvida o momento mais alto para a responsável dos recursos humanos da PwC.

Quanto aos novos líderes e empresários, a gestora recomenda apontando para a leitura, assim como aconselha a não desistirem à primeira e incluir a resiliência nas suas actividades.

E sobre a situação actual, diz que os jovens são o presente e o futuro do país. “Há uma nova geração de jovens empreendedores e líderes que procuram desenvolver negócios para dar resposta às necessidades locais, promovendo o emprego e o desenvolvimento da economia.

Penso que a garra e a criatividade existem, mas é necessário da parte do Governo promover iniciativas, nomeadamente ao nível de concessão de crédito e micro-crédito, que estimulem a criação de emprego próprio”, finaliza. M