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Edmilson Ângelo

Atraído pela política, por influências familiar e académica, mas encontra na filantropia a sua verdadeira paixão e missão de vida, para ser a mudança que quer ver no mundo.

Luanda /
21 Jun 2020 / 10:45 H.

Por VÂNIA ANDRADE

A os 27 anos, Edmilson Ndilimanye Franco Ângelo, natural da província da Huíla, é fundador e director geral da Change 1 ìs Life, uma ONG que é, segundo o convidado,certificada pelo estado britânico. Licenciado em Política e Relações Internacionais, mestre em estudos africanos,pela Universidade de Oxford e doutorando em estudos de desenvolvimento pela Universidade de Sussex, no Reino Unido, mas foi em Luanda que tudo começou.

Foi no Colégio Progresso no bairro da Maianga, onde frequentou o ensino primário e secundário. Depois de ter concluído a 8a classe, seus pais notaram sinais de inteligência e sem muita planificação decidiram enviá-lo para uma escola internacional na Namíbia com o intuito de proporcionar qualidade de ensino ao filho e o domínio de uma nova língua.

Naquela instituição de ensino, Edmilson teve a oportunidade de aprender inglês enquanto concluía o ensino médio. Posteriormente, ingressou para a Universidade estatal de Whindhoek, curso de Finanças tendo desistido, após terminar o 1o ano.

Por ter crescido num ambiente totalmente conectado à política, a nível familiar, académico e religioso, Edmilson conta que desde tenra idade teve muitas referências do mundo da política e sempre teve inclinação para diferentes línguas, por estes motivos decidiu pelo curso de Política e Relações Internacionais.

Diz que, com apenas 19 anos de idade,parte para o Reino Unido, ingressa para a Universidade de Westminster. Posto lá, passou a observar as constantes campanhas filantrópicas que eram realizadas naquela cidade, foi destas iniciativas que o então jovem estudante começou a esboçar muita curiosidade sobre o tema.

“Na altura achava que aquela cidade ou País não tinha necessidade de fazer campanhas de solidariedade, mas deparava-me com panfletos a solicitar donativos e etc nas ruas, nos metros, no meu telefone e então comecei a procurar respostas” explicou.

A procura destas respostas fez com que, o estudante abraçasse a oportunidade de estar no Reino Unido, para começar um caminho diferente. “Tudo nasceu na transição da África para o ocidente. Quando lá cheguei era bombardeado frequentemente com certas coisas que me fizeram reflectir e agir”.

Início das acções filantrópicas Edmilson Ângelo conta que as primeiras doações que conseguiu angariar foram entregues à instituições filantrópicas reconhecidas. Mas percebeu depois, que algumas destas estavam envolvidas em escândalos, deixando de ser credíveis. Teve que aprender, com a dura realidade, a separar o trigo do joio.

“Quando me deparei com esta situação tive duas opções, continuar a doar para estas ONG ìS ou fazer diferente, então tive de parar de criticar e passar a fazer da maneira que eu achava ser a mais certa”, admitiu.

Sem muito financiamento envolvido, conta que, passo-a-passo, criou uma associação de angariação de donativos, dentro da Universidade Westminster. Começou por colar panfletos a solicitar donativos, para os mais desfavorecidos. Inicialmente, as pessoas que se solidarizavam colocavam materiais escolares, roupas e outros artigos dentro de caixas que trazia ao País, sempre que viesse de férias.

Diz que não se importava de pagar excesso de bagagem, pois a satisfação de levar consigo tudo o que angariava para o bairro do Saneamento, no município da Ingombota, compensava. E, não ficou por aí...

“Depois de duas semanas de trabalho árduo , o projecto conquistou respeito e credibilidade, levando o governo britânico a certifica-lo. A partir daí, todos os planos que pretendia implementar foram executados”, revelou.

Mesmo sem recursos e experiência, Edmilson Ângelo e a sua equipa abraçaram a nobre missão de ajudar quem mais precisava. “Adicionamos rigor e comprometimento e fomos para frente” disse.

Para trazer os primeiros donativos a Angola teve que trabalhar em part-time durante três meses na Pizza Hut e na Nando ìs.

“Ter trabalhado na Pizza Hut e Nando ìs foi uma experiência incrível que vai além do dinheiro que consegui,para cumprir o objectivo. Ajudou-me a olhar para a vida de uma forma diferente e a dar mais valor as coisas”, garante.

O espírito lutador tornou-o num filantrópico. Conseguiu angariar o necessário para fazer de um contentor de donativos na criação da Change 1 ìs Life, uma ONG Internacional que apoia as comunidades mais necessitadas na África Subsariana,com grande foco em Angola.

Garante, que depois desta primeira grande doação conseguiu parcerias com grandes marcas e instituições internacionais, tais como a Nike,

Manchester United, Primark, entre outras. Hoje, a ONG ganhou dimensão, reconhecimento e estatuto. “Numa primeira fase trabalhamos em Moçambique, África do Sul, Nigéria, Quénia, mas Angola tem sido o epicentro das nossas actividades” disse.

A Change 1 ìs Life actua desde 2014, actualmente, tem construído aldeias digitais em zonas rurais no Bengo, leva novas tecnologias e faz com que se tornem recursos sustentáveis, com soluções para os problemas das zonas rurais. A nível da educação, salas de aulas conten torizadas, alimentadas por painéis solares. Há ainda um projecto que apoia o fomento ao empreendedorismo, com o fito de escoar a produção agrária aos mercados nacional e internacional.

“O nosso maior plano é inspirar jovens a investirem na mudança para criarem soluções praticas, objectivas e sustentáveis aos proble-

mas que as comunidades africanas vivem” explicou.

Em 2015, Edmilson Ângelo foi convidado por Kofi Annan para fazer um estágio nas Nações Unidas em Genebra também com a oferta de trabalho, mas muito determinado a dar continuidade ao seu projecto, recusou o convite e tem estado focado em distribuir luz solar em comunidades sem acesso a electricidade, o que chamou a atenção do cantor senegalês Akon e trabalham em parceria até o momento.

Para além do trabalho que faz na ONG, Edmilson Ângelo é docente universitário na Universidade de Royal Holloway no Reino Unido, desde 2017. Fez parte da criação e fundação da cadeira denominada - Políticas Fora do Ocidente, que tem como intuito informar estudantes sobre a história fora do ocidente.