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Brunch With: Telmo Silveira

Profissionalmente insaciável, conta o seu percurso de vida, fala dos projectos realizados até se afirmar numa consultora e revela os planos para o futuro.

Luanda /
06 Jul 2019 / 12:38 H.

O convidado desta edição é o homem forte da GBV Consulting, Telmo Silveira. É jovem e sonhador, mas o seu percurso de vida também envolveu altos e baixos. Com o tempo, desenvolveu práticas que estimulam a sua criatividade e capacidade inata de absorção de conhecimento, o que lhe trouxe entendimentos e interpretações da vida. Hoje, diz que não vive sem exercitar dois conceitos preponderantes: o exercício da meditação e a prática constante da sabedoria.

As suas ambições estão conjugadas com os objectivos, que passam pela desejo, depois de lançar algumas startups, de ter o seu próprio projecto e dedicar-se a ele a 100%. Tal irá constituir o momento mais alto da sua carreira, que perspectiva que aconteça dentro de dez anos. Considera-se uma pessoa de sorte e profissionalmente realizada pelo que alcançou até ao momento. Na sua óptica, tal está associado ao sucesso, porque sempre praticou o que almejava. Adepto de leitura, tem como referência livros de sabedoria, em particular Inteligência Emocional, de Daniel Goleman, e Confissões de um Assassino Económico, de John Perkins. “O Inteligência Emocional ajudou-me a ganhar uma nova perspectiva sobre a vida, e de forma mais leve. A meditação e a aplicação da inteligência emocional são dois bons conselhos”, diz.

Nasceu em Luanda, em 1983, no Dia Mundial da Paz (1 de Janeiro), e cresceu até aos 13 anos no bairro Cruzeiro.

Depois foi para Portugal, estudar num colégio interno, em Coimbra. Revela que teve uma infância bastante aberta e divertida, apesar de os pais o manterem, sempre juntamente com os seus irmãos, em casa. “Para nós, não nos era muito usual termos aquelas brincadeiras tradicionais de Angola, por causa do excesso de proteccionismo dos nossos pais. Acabávamos por trazer os nossos amigos para nossa casa, para brincarmos”, recorda. O gestor assume ter sido uma criança um pouco precoce, porque já então sonhava ser um empresário de sucesso. Esses sonhos vindos das brincadeiras, hoje, reflectem-se naquilo que faz e deseja alcançar. “Desde cedo fui muito independente, e por isso é que considero que trabalhar por conta própria reflecte de alguma forma essa independência. Conduzo a minha vida nesse sentido”, explica.

Percurso académico e profissional

Em termos de formação académica e profissional, Telmo Silveira começou o primário com seis anos de idade na Escola n.º 8, depois foi para o Complexo Escolar São José de Cluny e passou também para o Mutu-ya-Kevela. Segundo conta, devido às condições precárias de educação no País, os pais fizeram um ‘jogo de cintura’ para escolher uma instituição para prosseguir os estudos e decidiram mandá-lo para Portugal, junto com os irmãos para fazer o médio. Fê-lo no curso do Agrupamento 3, que anteriormente se designava por Ciências Sociais e Económicas. Deu depois início à sua formação superior, que não concluiu, pois optou por regressar para Angola. “Decidi voltar, porque sempre fui muito independente, mas não queria estar muito tempo longe da família”, conta. Chegado a Angola, começou por fazer a licenciatura em Administração de Empresas, na Universidade Católica de Angola (UCAN). Depois, surgiu a oportunidade de trabalhar na Argentina, concretamente em Buenos Aires, e, juntando o útil ao agradável, foi fazendo especializações: em Gestão Estratégica de Empresas, na Universidade de Empresas da Argentina, e em Negociações, na Universidade Católica da Argentina, onde depois fez Economia Política. Grande parte do percurso profissional foi no sector privado. O seu primeiro emprego foi em 2004, depois de ter voltado de Lisboa. Associou-se, aos 21 anos de idade, a um amigo, para criarem uma empresa prestadora de serviços de segurança, ficando Telmo responsável pela área comercial, administrativa e financeira. “Foi bastante interessante e motivador, porque reflecte também um pouquinho desta minha apetência para a autonomia”, revela.

Depois disso, teve uma série de desafios em projectos, sempre ligados às áreas comercial e de negócio. Passou por um processo de evolução no crescimento da sua carreira profissional pelo grupo Score, onde adquiriu muita experiência, tendo muita apetência para desenvolver start ups. Em 2011, surgiu-lhe o convite para a Argentina, onde foi desafiado a exercer funções no aparelho público, concretamente na área da diplomacia, como responsável pelo sector comercial e económico, durante seis anos. “Trabalhávamos sobre projectos estruturantes do País, do ponto de vista de concessão de projectos”, comenta. “Na diplomacia ganhei visão, na perspectiva do Estado, o que me permitiu ter muita bagagem e abraçar o desafio de consultoria na GBV Consulting, onde estou hoje”, acrescenta.

Considera-se bastante patriota e um dos seus sonhos é ajudar Angola a ser um bom País para se viver, por isso aconselha os jovens e futuros empreendedores a terem resiliência e a se reinventarem, pois estas são condições que o mercado angolano ‘exige’, e recomenda de igual modo a despertar o espirito criativo para o empreendedorismo, buscar o conhecimento constante, para permitir perceber como fazer e desenvolver o saber-fazer. Acredita, portanto, em perspectivas positivas para Angola.