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Brunch With...Patrick Anderson

O director de investimentos da Sociedade Gestora de Terminais (Sogester), nasceu em Luanda aos 21 de Dezembro, entretanto, três anos depois, os seus pais decidiram ir viver para a Suécia.

Luanda /
19 Nov 2019 / 12:49 H.

Lembra que aquela mudança significava sair dos 30 graus de Luanda, pelos -20˚ de Uppsala onde ficava a casa da sua avó na Suécia, onde passou toda a sua infância e adolescência.

Define-se como alguém que entende o verdadeiro significado das palavras honestidade, transparência,

lealdade e responsabilidade. Alguém que coloca sempre o “nós” à frente do “eu”.

Da infância, recorda que aos seis anos de idade começou a jogar hóquei no gelo, sendo a primeira vez que descobriu o conceito de “trabalho em equipa”. “Aqui o lema de ordem era elevar e fortalecer os outros e não o oposto”, refere.

Porém, aos 15 anos, perdeu a sua paixão pelo hóquei no gelo e levou, aproximadamente, dois anos para encontrar aquela que se tornaria na sua grande paixão. “Se eu perguntasse ao meu amigo Google a definição da minha paixão, ele diria o seguinte: “Actividades associadas à governança de um país ou área, especialmente o debate entre as partes com poder.” Mas se pedisse à minha mãe, ela diria simplesmente num tom assertivo, “Política”, recorda.

Patrick Anderson considera-se uma pessoa extremamente exigente consigo próprio e com aqueles que o rodeiam. É altruísta por natureza, homem de família e amigo dos seus amigos. Adora novos desafios, ávido por situações e experiências que o tirem da sua zona de conforto, mas acima de tudo, é um sonhador que persiste em tornar os seus sonhos em realidade.

Fez a licenciatura em Filosofia e concluiu o mestrado em Ciência Política, pela Universidade de Gotemburgo em

2008, ano em que o nosso convidado decide regressar para Angola, dando início a sua carreira profissional.

Vida empresarial e desafios pessoais

Quando chegou a sua terra natal, o seu primeiro dia de trabalho era no dia seguinte, estava empolgado em instalar-se e pronto para a nova etapa de sua vida.

Mas antes de voltar a Angola para trabalhar na Business Sweden como Associado, trabalhou em várias empresas suecas. “O meu primeiro emprego foi aos 15 anos, trabalhei na Scania (AB) durante as férias de verão e acabou por ser minha rotina até aos 19 anos”, explicou.

De Angola diz ter encontrado muitas dificuldades em se estabelecer nos primeiros anos, mas encontra nesta via motivação. “Durante os meus 20 anos na Suécia, nunca faltou água e luz em minha casa, posto em Angola, numa casa muito humilde, perto da embaixada sueca, foi a primeira vez na minha vida que tive falta de água, luz e falta de sistema. Inicialmente foi um choque perceber que teria de lidar com desafios a esse nível. Esse provavelmente foi o maior desafio no início mas, também, foi um elemento motivador”, confessa.

Em 2010 se tornou Adido Comercial da Embaixada da Suécia e isso fez-lhe acreditar mais uma vez no seu sonho de um dia tornar-se o próximo Dag Hjalmar Agne Carl Hammarskjöld (foi um economista e diplomata sueco que serviu como segundo Secretário Geral das Nações Unidas).

“Nesta altura disse a mim mesmo que se trabalhar e me mantiver focado, poderei contribuir para que as

futuras gerações em Angola tenham a oportunidade de viver num país em que a falta de água, luz e comida seja apenas uma história e não realidade”, reflectiu.

Em 2011 decidiu deixar a vida diplomática e trabalhar no sector privado. Nos últimos oito anos trabalhou na Sogester, ocupando três posições diferentes de liderança. “Nessas funções tive a oportunidade de

implementar melhorias aos processos existentes e adoptar boas práticas ajustadas à realidade de Angola, que cumprissem com os padrões de qualidade internacionais”.

Diz ter três principais razões por ter escolhido o trabalho que faz hoje. A primeira destaca-se pelo desafio de trabalhar num sector de extrema importância para o país, a segunda prende-se no facto de se aperceber que existia uma grande ineficiência no sector portuário e que, no entanto, existia espaço para melhoria e torná-lo no sector mais eficiente de Angola.

“O meu objectivo era tornar Angola mais competitiva através de uma gestão portuária mais eficiente”, afirma.

A terceira razão, foram as pessoas com quem iria trabalhar. “Tal como eu, essas pessoas acreditavam, e acreditam, no potencial e capacidades dos quadros angolanos. Não escolhi necessariamente o sector ou

empresa”.

Patrick Anderson pretende, em 2027, abandonar o sector privado e ingressar no sector público para reestruturá-lo, aproveitando toda experiência que tem adquirido como gestor, complementando-o com a minha experiência inicial.

É feliz por tudo que conseguiu, mas adianta que ainda poderá fazer mais. As suas expectativas é fazer

parte de uma sociedade em que as pessoas são avaliadas e valorizadas com base na sua formação académica e experiência profissional. O momento mais alto da sua carreira chegou em 2018 quando deixou o lugar de Director para o sucessor que preparou durante o exercício das suas funções.

“Utopia para realistas” de Rutger Bregman, é o livro que o faz continuar a sonhar com a utopia angolana.

Quanto à sua opinião sobre a nova geração de gestores diz que esta é destemida e estão dispostos a apostar em novas soluções para resolver antigos problemas.