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Brunch With...Noelly Koubaya

Trabalhadora e visionária, revela os caminhos porque teve de passar, assim como o suor que teve para criar a sua própria agência de viagem, num ambiente quase intransigente.

Angola /
03 Ago 2019 / 09:00 H.

O brunch desta semana traz como convidada a fundadora e directora executiva da Noya Travel, Noelly Koubaya, a sonhadora que pretende alcançar as suas ambições ajudando na robustez do sector do turismo em Angola. Agente de viagens, pessoa alegre e filha de pais angolanos, nasceu na província do Uíge em 1979.

Aos quatro anos de idade foi para a França viver com o seu pai, país onde deu os primeiros passos do aprendizado e a sequência na Bélgica. O ensino universitário foi feito em França na área Comercial com a defesa de tese em Turismo. Para melhor estar no mercado e dar suporte a sua formação fez alguns cursos profissionais na área do turismo, marketing e atendimento ao cliente.

Noelly sempre se considerou uma pessoa calma e não teve muito tempo para brincar com os seus amigos. “A minha rotina era sempre casa-escola e escola-casa. Quando ficava em casa não saia para brincar, preferia ficar no meu canto e fazer as minhas tarefas”, justificou.

Após a sua formação, em 2001 foi trabalhar para o seu primeiro emprego no Congo Brazaville a convite de um amigo. “Um amigo meu Francês, convidou-me para fazer parte de um projecto de abertura de uma agência de viagens e turismo no Congo Brazaville, como era recém-formada decidi abraçar o desafio sem hesitar”, recorda Noelly, enquanto directora financeira naquela instituição, durante sete anos, com responsabilidades na elaboração de pacotes de turismo e marketing.

Dada a crise económica naquele País, na altura, a empresa também foi afectada e começou a ter dificuldades nas suas operações, pelo que não aguentou o embate, teve de decretar a falência.

“Os clientes desapareceram, os nossos produtos começaram a se desvalorizar face a conjuntura económica naquela época, e, consequentemente os retornos estavam cada vez mais fracos, daí o sócio maior preferiu fechar a agência de viagens e regressar em França”, lembra entristecida.

Regresso às suas origens

Com saudades da terra, e porque o País estava em franco desenvolvimento, a directora da Noya Travel decidiu regressar para a sua terra natal (Angola) em 2010, procurando por fazer acontecer aquilo que sempre foi a sua ambição, criar uma empresa no ramo do turismo. Depois a sua chegada, procurou enquadrar-se num ambiente em que não estava habituada, apesar de ser onde nasceu. “Tive dificuldades para me adaptar, porque a minha vida toda foi falar o Francês” confessou.

O percurso como directora financeira no Congo Brazaville, permitiu-lhe ter muitas amizades e ao alcançar a capital do País encontrou uma amiga que na altura trabalhava na South African Airway (SAA), que também a fez convite para trabalharem juntas. “Mais uma vez fui convidada, claro, aceitei. Ela é a dona da Jametours e trabalhei como chefe de marketing durante os dois anos que lá estive, facto que me permitiu angariar muita experiência neste ramo”, avança.

Durante este período, Noelly Koubaya foi fazendo um estudo no mercado angolano, comparando-o com outras realidades em termos de viagens e turismo. Mas também fez as suas economias do período em que esteve no Congo Brazavile até se juntar a sua amiga. Reviu as contas e apercebeu-se que tinha algum recurso para investir numa empresa de raíz. “Em 2016, ganhei coragem e abri a minha própria agência de viagem e turismo com recurso próprios a que se chama NOYATRAVEL”, informa a empreendedora que sentiu dificuldades na implementação da mesma, por não ter tido apoios financeiros.

Acrescenta, “No princípio foi muito difícil porque ainda não tínhamos clientes, mas os planos de marketing com as publicidades que temos vindo a fazer, já vão ajudando nesse sentido”. Hoje Noelly comanda a NoyaTravel, agência de viagens e turismo, que tem um pacote de serviços como: tratamento de vistos, emissão e vendas de passagens aéreas, check in/out, seguro de viagens, reserva de hotel, print de voo e entre outros, com parcerias da DHL Express e da Nossa Seguros.

A fundadora diz que a empresa já participou em vários fun-trips, as chamadas viagens de reconhecimento, nas mais variadas províncias do País, assim como no mercado internacional na África do Sul, Portugal, Rio de Janeiro, em Madrid. Neste intervalo, a directora avança que irão receber um grupo de italianos e franceses que estão interessados em conhecer o País ainda este ano.

A gestora diz que o amor pela profissão é o único factor que lhe faz continuar a trilhar esse caminho, assim como almeja crescer mais no âmbito do turismo, ambicionando a criação de uma rede de hotéis espalhada pelo País. Espera também obter outras parcerias que lhe permitam impulsionar o seu negócio, internacionalizando os seus serviços.

Divertida e simples, aprecia músicas clássicas, mas encontra a sua inspiração no livro “Viaje Connosco” de Roger. Faz uma análise do sector do turismo em Angola, considerando ainda fraco, mas com perspectivas de crescimento. “O sector do turismo só irá crescer com a estabilização da economia, porque as taxas de câmbios estão muito altas, não há divisas, o que dificulta a expansão do turismo”, refere. Conclui aconselhando os novos gestores, ao empreenderem, terem a paciência, conhecer os clientes e focarem-se no que fazem com amor.