Brunch With... Marco dos Santos

Angola /
11 Fev 2019 / 15:41 H.

Marco Sidney Gomes dos Santos nasceu em Luanda, no Bairro da Maianga, aos 14 Dezembro de 1983. Quando criança tinha vários sonhos, queria ser tudo ao mesmo tempo. “Houve uma fase em que sonhava ser jogador de futebol, jogava quase todos os dias na rua com os meus amigos e quando chegasse sujo à casa a minha avó dava-me uma sova”, recorda Marco Santos. Cresceu no seio de uma grande família e partilhavam todos o mesmo tecto, o da casa da minha avó. “Cresci com primos, tios, mãe, mas era a minha avó que desempenhava o papel de pai e mãe. Era muito rígida mas também muito dócil, protegia os netos como ninguém e estava sempre do nosso lado”, explica o entrevistado. Confidencia que o seu percurso académico tem muitos “altos e baixos”. “No ensino primário não gostava de estudar, era um péssimo aluno, não por falta de inteligência, mas de concentração, os meus professores diziam que eu utilizava a minha para as coisas erradas, era uma criança muito hiperativa”, revela.

Em 1992, viaja com a mãe para Lisboa, onde fixam residência. Aí começou a desenvolver mais a capacidade académica e a ser mais concentrado, segundo relata. “Em 1998, fui viver para a África do Sul onde fiquei num colégio interno da Igreja Adventista do Sétimo Dia, lá passei a ser mais disciplinado”, admite. Em 2006, troca outra vez de país e emigra para o Reino Unido com alguns primos onde arranjou um emprego num bar como Glass Collector, com o dinheiro arrendou um quarto numa casa com outros estudantes enquanto fazia o curso pré-universitário na cidade de Cambridge. “Obtive excelentes notas, fiz o Bacharelato de três anos em Gestão de Empresas e ao mesmo tempo conseguia conciliar com o trabalho”, adianta. Terminada a licenciatura decidiu fazer o mestrado em Gestão de Recursos Humanos, que terminou em 2011 e depois voltou para Angola. “O meu primeiro emprego, não oficial, foi no restaurante Oondah, onde ajudava um primo. Fazia tudo, desde tratar da mercadoria, limpeza do espaço e a produção dos eventos”. Mais tarde assina um contrato de trabalho com a DHL Global Forwarding no departamento comercial, onde aprendeu bastante sobre vendas. “Eu tinha de usar o meu know-how no serviço para poder persuadir o cliente a aderir aos serviços de entrega de mercadoria da DHL e isso por vezes era uma tarefa muito complicada, mas foi uma escola para toda a vida”, conta Marco Santos.

O seu segundo emprego, em solo angolano, foi na petrolífera Italiana “ENI” no departamento de Procurament, na área de compras. “Enquanto trabalhava na ENI participei num concurso público para o BNA, onde fiz todos os testes possíveis, mas sem grande esperança em conseguir a vaga. Seis meses depois, surpreendentemente recebi um telefonema do BNA a informar que tinha sido aprovado, e tratando-se de uma instituição do Estado tomei a decisão de sair da ENI”.

No Banco Nacional de Angola iniciou funções no departamento de Relações Internacionais e actualmente está alocado na área de Sistemas de Pagamentos com os subsistemas como o Multicaixa, Cheques, Cartões e o SPTR, que faz a liquidação dos valores compensados pela a EMIS. ra entrada no país até 30 dias e 90 dias durante o ano.O equipamento funciona apenas no posto fronteiriço de Massabi, onde se regista o maior movimento migratório de estrangeiros, sobretudo europeus que entram no país através da fronteira de Massabi, a partir de Ponta Negra, República do Congo.

Empreendedor na restauração

Porém, o seu grande objectivo pessoal é tornar-se num empresário competente e respeitado. “O meu primeiro grande projecto será a abertura de um restaurante com o conceito latino “Ocean Drive” na Ilha de Luanda, em Abril deste ano, com pratos e um pouco da cultura latina.

Após ter feito um estudo de mercado durante dois anos senti que a capital precisava de um espaço com temperos latinos”, revela o empreendedor. No final do ano, Marco Santos prevê abrir um Beach Club “CocoBanana”, também localizado na Ilha de Luanda, com um conceito mais praia e lazer.

Entre as sugestões de leitura, Marco Santos tem na mesa de cabeceira “Trabalhe 4 Horas por Semana” de Timothy Feriss e “Como fazer Amigos e influenciar”, de Dale Carnegie. Também estão entre as obras preferidas “Steve Jobs”, de Walter Isaacson e “Roube como um Artista: 10 Dicas Sobre Criatividade”, de Austin Kleon.

Depois de ter vivenciado muitas adversidades no seu percurso, prefere adoptar um modelo de vida com “base no trabalho e dedicação”. “Na minha vida nada foi fácil tive sempre que trabalhar o dobro e é com essa ética que procuro viver, rodeando-me de pessoas que me ensinem a crescer, pois sou um eterno estudioso e gosto de estar constantemente a aprender para ser melhor.”

Sobre a nova geração de gestores, empresários e líderes, Marco Santos adianta que últimamente tem havido uma “onda” de bons empreendedores e líderes no País, o que o faz acreditar num futuro mais promissor com jovens a ocuparem cargos de prestígio. “Tenho os irmãos Clénio e Clésio Gomes, do grupo Clé, como exemplos a seguir. São jovens empresários que investem no crescimento de outros jovens, criando oportunidades de novos talentos mostrarem o seu potencial. Marco considera que com o novo Chefe de Estado, João Lourenço, o futuro dos jovens em Angola é bastante promissor. “ O nosso Presidente da República já deu provas disso quando nomeou para o cargo de vice-governador da Lunda Sul, Evanerson Leandro Varo Kaputo, de apenas 29 anos”, conclui Marco Santos.