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Brunch With...Luís Costa

Adepto do rigor profissional e entusiasta pelo que faz, tem como sonho ver o Mercado de Capitais a crescer e ganhar robustez na economia angolana. Conheça a história do gestor de Fundos de Investimentos que partilha aqui o seu trajecto inspirador.

Luanda /
02 Dez 2019 / 09:28 H.

O nosso convidado para o Brunch With desta edição é o carismático Luís Costa, Director Geral numa Sociedade Gestora de Fundos de Investimento, concretamente a BFA Gestão de Activos. O jovem angolano é entusiasta pelo que faz, adepto do rigor profissional, da disciplina e consistência, actualmente tem como sonho ver o Mercado de Capitais, concretamente o segmento de Fundos de Investimento, a crescer e ganhar mais espaço na economia angolana. É casado e pai de um filho. Nasceu e cresceu em Luanda, aos 31 de Março de 1990. E como qualquer outra criança, Luís Costa confessa que já teve vários sonhos desde ser pintor à astronauta.

“Alguns guiaram grande parte da minha juventude, mas a verdade é que se me perguntassem durante a infância se faria o que faço hoje, acredito que a resposta teria sido um redondo não”, explica o nosso convidado que descreve com algum detalhe os desafios de crescer e viver em Luanda ou noutras geografias.

“Vivi em Luanda toda a minha infância e parte da juventude, tendo mudado para a Inglaterra em 2009. Confesso que essa mudança de paradigma e de realidade dificultou, numa primeira fase, a minha integração noutro país, especialmente uma realidade como a Inglesa que possui um sistema educacional muito mais desenvolvido que o nosso. Entretanto, penso que o grande desafio teve que ver por um lado com as diferenças culturais especialmente numa cidade cosmopolita com Londres, e por outro, com as diferenças sociais. Existem, portanto, avanços, não apenas tecnológicos, mas também no modo de pensar, de transmitir informação, de guiar a vida e de educar uma geração que há dez anos eram impensáveis em Angola, e na altura já eram patentes naquele país; o choque cultural foi muito forte”.

Concluiu o ensino médio em Luanda e, em 2014, o ensino superior na Inglaterra. No período, entre 2012 e 2014, acontece a grande reviravolta no seu percurso académico e que mais tarde culminaria também no campo profissional. “Durante este período, enquanto concluía o bacharelato em engenharia, concretamente no último ano, apercebi-me que já não era aquilo que despertava paixão em mim. Dei conta disso quando a dada altura passava mais tempo focado em informação sobre mercados financeiros e informação sobre gestão empresarial, na altura recordo-me passava horas e horas a ler e a ver Bloomberg”, recorda. É justamente a partir deste momento que decide fazer o Mestrado em International Business e, como nos diz, foi das experiências mais marcantes e transformadoras que alguma vez pode viver, assim como menciona a oportunidade de ter participado e vencido com um grupo de colegas o prémio do reitor da faculdade, na altura era considerado como um projecto de consultoria para casa de Chocolates internacionalmente famosa Lindt & Sprüngli. Quando regressa para a sua terra natal, o gestor começa a trabalhar na Comissão do Mercado de Capitais (CMC) em 2015, fazendo uma passagem de quatro anos em diferentes departamentos.

“Alguém reparou que tinha alguma queda para estar no Mercado de Capitias, porém, do lado do mercado e não do lado do regulador e que também tinha queda para o mercado de Organismos de Investimento Colectivo ou Fundos de Investimento, essa pessoa não apenas incentivou-me, mas também apostou em mim até, em 2019, receber o convite para fazer essa mudança”, esclareceu.

Desafios, ambições e inspiração

Conforme o ditado “Não existem elevadores para o sucesso; tens de subir pelas escadas”, a cada degrau subido até agora tem sido uma curta-metragem de superação para si. Entretanto, de todos os desafios superados até agora diz que o maior de todos foi com certeza a área de trabalho no Mercado de Capitais, um desafio que consistia na criação e desenvolvimento do mesmo em Angola estando ciente na altura, de que era uma realidade quase inexistente. “Confesso que não foi fácil, muitas das vezes desmotivante, pois havia várias questões. Hoje posso dizer que ainda há muito trabalho, mas quando olho para trás vejo que o progresso feito já consegue responder a muitas perguntas”, acrescenta: “É Verdade que não temos o mercado pretendido, especialmente quando comparado com outras realidades, porém não tenho dúvidas de que vamos atingir o objectivo, tal como dito pela actual Ministra das Finanças, o mercado de capitais já é uma realidade irreversível e mais do que nunca começa-se a sentir bastante movimentação no mercado”. Diz que um dos momentos mais altos a nível profissional foi quando assumiu o primeiro cargo de chefia e liderança, na altura com 26 anos “Confesso que após esse momento de “elucidação e responsabilidade” passei a ver a vida tanto pessoal como profissional de outra maneira”, disse. Ambiciona profissionalmente contribuir para o crescimento da BFA Gestão de Activos, solidificar a sua presença no mercado angolano e o seu reconhecimento a nível internacional, através dos modelos como a paciência, consistência, rigor e dedicação, confiando plenamente nas qualidades da sua equipa. Humildade é o modelo de vida que adopta para si, tal como se desafia a ler um livro a cada duas semanas e fundamenta os seus conhecimentos e inspiração nos livros “O código da Inteligência”, de Augusto Cury; “Que líder sou eu”, de Arménio Rego e Miguel Pina e Cunha e outros. Não sendo adepto de revoluções, mas sim de evoluções, sobre a nova geração de gestores, Luís diz não ter dúvidas de que esta tem o talento e as ideias para a resolução dos actuais problemas do país, apontando como soluções para os jovens, face as dificuldades que o país enfrenta, principalmente o desemprego, a capacidade de apostar no momento actual que é de adaptação, criação de novas valências e oportunidades.