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Brunch With...Lauretta Geraldo

A criativa que quer construir projectos com soluções para os problemas do País e não só, “sem serem políticos”, permitindo que sua marca desempenhe um papel fundamental na sociedade.

Luanda /
13 Nov 2019 / 08:58 H.

A nossa convidada para o Brunch With desta edição é Lauretta Geraldo, consultora criativa freelancer, especializada em branding. Trabalha principalmente com startups desde o princípio do ano em curso e já criou cinco marcas locais. Define-se como alguém criativa que quer ajudar a construir a arquitectura dos serviços e experiências dos seus clientes, através de eventos e circunstâncias que, constantemente, exigem redefinição.

Tem como objectivo agregar o valor máximo que puder, através da sua criatividade. Diz estar feliz com a evolução da sua carreira ao longo deste tempo, mas está, igualmente, pronta para desafios maiores. “Quero usar minha criatividade para trazer mudanças à nossa sociedade. Quero construir projectos que produzam soluções para os problemas de nossas nações, sem serem políticos”, refere a designer gráfico que entende ainda não ter alcançado o seu momento alto. Faz menção do “Your Redefining Moments” de Dennis Merrit Jones, livro que lhe sirva de inspiração e aprendizagem, sem esquecer definitivamente a Bíblia, o manual para a vida, assim como destaca o Ted Talk da Brene Brown sobre o poder da vulnerabilidade, modelo que adopta para si.

A empreendedora diz gostar de ser muito objectiva, principalmente porque a moeda no mundo criativo é o tempo. Compreende que, ao pesquisar e assistir a criativos que admira, para sobreviver e ganhar a vida nesse sector, é necessário um processo claro. “Então eu construí um processo e posso facilmente executar tudo através deste processo, quase como uma equação matemática, e sei que haverá um resultado definido que é um reflexo da entrada. Meu objectivo é ter minha criatividade sempre a funcionar para mim a 100%”, diz a consultora criativa freelancer. Os sonhos e desafios Nasceu na província do planalto central, Huambo, onde viveu até partir em 1998 para a Namíbia, onde passou a maior parte da sua infância. Mais tarde, moveu-se, qual montanha-russa, movendo-se entre Angola, África do Sul e EUA.

Conta que o seu maior sonho foi na infância, por ter tido uma carreira. “Ficou evidente, durante a maior parte da minha infância, que eu não tinha certeza em qual campo de trabalho construiria essa carreira, mas sabia que queria algo que me desse um senso de propósito. Definitivamente, há um fio disso na minha vida agora. Tentando encontrar um objectivo/propósito em cada projecto que eu creio”, explicou. E sobre os desafios de viver em outras localidades, Lauretta diz que já viveu em vários lugares e, certamente, acredita que sempre sentiu que as outras geografias eram espaços realmente rigorosos para se viver, mas aponta em particular que Luanda é uma terra de oportunidades, por nos permitir sermos o que quisermos. “A sociedade permite a transformação sempre que cada indivíduo necessita.

Sempre existe a possibilidade de reinvenção. Somos uma sociedade muito crua que exige muito”, reflecte. Começou os estudos primários em São Francisco, Huambo em 1997, assim como também fez o curso de Inglês no Centro de Formação de Língua Inglesa de Lubango e de seguida foi para a Namíbia. Lá estudou no Urban Primary, uma escola africana. Frequentou a escola germânica Delta High School, onde fez a oitava e a nona classe, depois foi transferida para Boston House College, em Cape Town para fazer o décimo ano.

Regressou para Angola e terminou o 12º ano com o ensino à distância, através de uma escola online em Nebraska. “Após terminar o ensino à distância, fui para os Estados Unidos onde frequentei a Full Sail University, concluindo o grau de bacharel em Ciências de Arte de Jogos (criação de vídeos-jogos e animação)”. Após a formação no exterior, a criativa freelancer voltou para Luanda e teve de que procurar emprego. Sem querer afastar-se da indústria dos artistas digitais, a sua melhor aposta no trabalho foi conseguir um emprego como designer gráfico. Passou um ano como júnior em uma agência de criativa sem saber fazer muito. “Usei meu tempo lá para aprender o máximo possível de todos. Saindo de lá, eu realmente entendi o fluxo de trabalho de uma agência criativa e o papel de cada departamento”, lembra a empreendedora que teve também a sorte de poder sombrear tanto quanto possível, seja tiros, projectos em desenvolvimento, reuniões com clientes, etc. Essa experiência despertou nela de forma definitiva curiosidade sobre como encaixar-se na indústria. Demorou mais dois anos até que eu pudesse se posicionar. Trabalhou na Fábrica de Sabão, como Sénior Creative. “Tive a oportunidade de intervir criativamente na maioria dos aspectos do projecto em si; fizemos um belo artigo sobre nossa experiência no projecto no design Indaba”, lembra.

Pouco antes de a empresa fechar, teve um acidente esportivo que a deixou de muletas por dois meses. “Quando me recuperei, não havia mais trabalho. Aceitei esse trabalho com a intenção de me preparar para trabalhar por conta própria, mas como eu não estava encontrando coragem, o universo me guiou”, confessou. Na sua opinião sobre os novos gestores, Lauretta diz estar ansiosa para ver os resultados da nova geração, especialmente porque somos uma nação de diversidade. E no que tange a situação actual e perspectivas para os jovens, a empreendedora aconselha a fazermos parte desta mudança com resiliência e sermos mais competitivos, pois o trabalho criativo em Angola é feito em uma agência e há tantas agências com quais competir.