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Brunch With...Lady Mukeba

Nasceu para o mundo do trabalho na Informática, começou do nada, apenas com o seu talento, e a Comunicação e o Marketing acabaram por levar a melhor. Já escreveu livros, gosta de política e acredita no aprofundamento da democracia em Angola.

Luanda /
22 Set 2019 / 10:43 H.

Nasceu em Luanda, no Kinaxixi, o terceiro de nove filhos, e habituou-se a olhar para a família como uma equipa de futebol, onde é visto como o capitão. “Os meus irmãos recorrem a mim para resolver os problemas da casa”, conta o jovem autor da obra “O Vendedor de Esperanças”, que assina som o pseudónimo literário O Velho Kipacaça.

Lembra-se de te sido uma criança calma, muito observadora. A infância, admite, não foi fácil, com muitas privações, dada a precária condição financeira da família. “Lembro-me de ir para a escola sem chinelos”, recorda. Mas o espírito inconformado deu-lhe força para avançar.

Uma alegria: os jogos de computador que o irmão levava para casa e que acabaram por motivá-lo a fazer um curso de Informática. Só que havia um ‘problema’: tudo o que o professor explicava... Lady Mukeba já sabia, pelo que rapidamente foi convidado para leccionar na mesma instituição.

Começou a trabalhar aos 13 anos, numa cantina de malianos, onde conseguiu aprender a falar fluentemente francês, que os colegas ensinaram. Em ‘troca’, Lady Mukeba ensinou-lhes português.

“Sempre fui um jovem entendido no seio dos adultos”, lembra. Aos 14 anos, ‘agarrou-se ‘à paixão pela informática e lançou- se na reparação de aparelhos, chegando a converter o quarto num “cemitério de computadores”.

Cedo percebeu que a melhor forma de triunfar seria através da educação, até porque mãe o foi estimulando nesse sentido. Pensou em ser engenheiro de petróleos, porque sonhava ter muito dinheiro, mas foi na Informática que acabou por assentar.

Iniciou o percurso académico na Escola Cantinton, depois passou para a Escola Ngola Kanini, onde, por falar fluentemente francês, conseguiu uma bolsa que lhe permitiu aceder de forma gratuita ao ensino médio estatal na Escola de Formação de Professores Garcia Neto.

O passo seguinte foi a Engenharia Informática na Universidade Óscar Ribas em Engenheira Informática, que não concluiu devido a dificuldades financeiras.

A força da persistência

Durante meio ano, abandonou os estudos, mas, por ser persistente e ter muitos objectivos por concretizar, inscreveu-se em várias universidades e acabou por ser aceite na Universidade Independente, onde cursou Ciências da Comunicação.

“Por sorte, fui um dos melhores alunos”, conta, orgulhoso. E chagou a ganhar um concurso de jornalismo - (Eu na TV) - organizado pela Semba Comunicação.

Ao longo do tempo, diz que sempre teve noção de que chegaria à meta, mas não olhava para ‘dentro’ de si. Graças à passagem pela universidade, descobriu que tinha escondido um grande talento para a Comunicação Social, que até então desconhecia.

Sempre com muita vontade de crescer, em 2016 realizou várias pós-graduações à distância, nomeadamente em MarketingPolítico, foi docente universitário e agora está a fazer a dissertação de uma pós-graduação em Ciências Políticas na Universidade Unileia, Brasil, e a realizar o segundo ano de mestrado em Comunicação Empresarial e Marketing, na Universidade Gregório Semedo.

A paixão pela política

Assume ter várias paixões, incluindo o Marketing, em que trabalha como consultor, tendo contribuído para o sucesso de várias personalidades. Entretanto, descobriu uma nova paixão, a política. Por isso, tem agora como objectivo conseguir trabalhar numa campanha eleitoral em Angola.

“Não me conformo com a forma como o marketing político é feito em Angola”, conta, defendendo que muito pode ser melhorado – máxima que, aliás, sempre teve em relação a si mesmo ao longo da vida.

Passou pela TV Zimbo e a passagem pelo Eu na TV abriu-lhe as portas ao jornalismo na Semba Comunicação. Aqui, como e todas as empresas por onde passou, ganhou algo importante para além do dinheiro. “Fui prestando atenção ao mercado e fui-me adaptando”, conta. Hoje, como colaborador da Zwela, é consultor de Marketing no Banco Sol, Global Seguros e Angonabeiro.

Já recebeu propostas de outras empresas, mas gosta e sente-se preenchido com o que faz. Para além da obra O Vendedor de Esperanças, lançou, entretanto, O Vendedor de Esperanças e o Perdão, Vol. II.

“O maior medo é voltar a não ter” é uma máxima e uma frase que o motiva a continuar a lutar pelos sonhos. “Lutei, consegui, e não quero perder”, afirma. Tem no brasileiro Max Fonseca uma inspiração – que fez nascer nele o ‘bichinho’ do Marketing-, até porque o vê como um profissional que não se apega aos bens materiais.

Como politólogo, pensa muito no País, que acredita estar a dar grandes passos na construção da democracia, algo que há meia dúzia de anos não passava de uma ‘fachada’.

As jovens, deixa uma mensagem baseada nos ensinamentos da mãe e na energia que lhe transmitiu em relação aos estudos. “Não queremos quadros apagados ou com muletas”.