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Brunch With...Kavungo João

As ambições passam por influenciar suas opções estratégicas para contribuir na mudança e eficácia organizacional. O gestor partilha aqui o seu trajecto inspirador e as metas que preconiza.

Luanda /
07 Fev 2020 / 08:32 H.

Kavungo João é um jovem angolano de 34 anos de idade, obcecado pela excelência e apaixonado pela sua família. Tem valências em planeamento, organização e estudo analítico, razão pela qual possui alguma facilidade na análise de situações e solução de problemas. Mas também precisa de tempo para processar uma nova informação, o que causa frustração por parte daqueles que procuram uma resposta rápida. Nasceu em Luanda, concretamente em Cacuaco, onde passou toda a sua infância e adolescência, apesar de ter vivido cerca de dez anos num outro município. Conta que sempre foi uma criança calma, introvertida e muito observadora. Por ser o primogénito, passou uma boa parte da adolescência ao lado do seu pai com quem aprendeu o valor da família e do trabalho. Sobre os sonhos de criança realça que o desejo sempre foi estar próximo dos decisores e influenciar suas opções estratégicas e operacionais com base no seu conhecimento, contribuindo assim para a mudança e eficácia organizacional. “As áreas de organização e qualidade, na qual trabalho há mais de 12 anos, são na verdade áreas de consultoria interna. Por isso, podem influenciar de forma significativa na melhoria da eficiência operacional e da qualidade do serviço ao cliente”, refere acrescentando. “Numa altura em que o Executivo está comprometido em melhorar o ambiente de negócios em Angola, a eliminação de desperdícios, a simplificação e a melhoria dos níveis de serviço serão factores importantes de competitividade. Por isso, quem for capaz de desafiar o status quo terá um importante papel na sua organização. É isso que me move todos os dias.” Encara o seu percurso académico como excelente. Em 2003 fez o ensino médio em Gestão de Empresas no Instituto Médio de Gestão do Kikolo, conclui, em 2008, a licenciatura em Relações Internacionais, é Pós-graduado em Gestão e Liderança, curso que fez na Universidade Católica de Lisboa em 2013 e é mestre em Administração e Gestão de Empresas. O Gestor de projectos começou a vida profissional desde muito cedo. Aos 18 anos de idade já ponderava a sua independência. Então, enquanto estudante, começou a dar aulas, porque para si era a melhor opção, não só porque era mais compatível com o horário escolar, mas também porque o permitia continuar a pesquisar e contribuir para o desempenho escolar . Desde o ensino médio que ganhou paixão pela Gestão Bancária. Em 2008 teve a oportunidade de ingressar no Banco Angolano de Investimento (BAI) e daí nunca mais saiu.

Kavungo João é, desde 2015, o subdirector da Direcção de Organização e Qualidade do BAI. “Encontrei no BAI oportunidades de crescimento únicas, tanto a nível pessoal quanto profissional. Além disso, o mundo dos mercados financeiros atrai-me de tal modo que tenho dificuldade em pensar que existem outras vidas lá fora”, confessa.

Para além de assumir responsabilidades como Gestor de Projectos e Chefe do Departamento de Processos e Organização no BAI, o seu percurso profissional destaca-se também na docência, sendo, no entanto, coordenador do curso de Gestão Bancária e de Seguros no Instituto Superior Técnico de Administração e Finanças (ISAF), função que ocupa desde 2018. Leccionou cadeiras relacionadas à Gestão de Empresas na Universidade Gregório Semedo no período 2013-2018, foi formador na Academia BAI e uma década de docência (2000-2010) em Instituições de Ensino Médio.

“Com base nas competências adquiridas ao longo desses anos, quer com a formação académica, quer com a experiência profissional, a minha motivação é contribuir para a formação de estudantes que possam transformar-se em profissionais de alto desempenho e bons cidadãos”, refere. As ambições profissionais incidem-se em continuar a aprender e a trabalhar arduamente, dando o contributo, para que as organizações para as quais trabalha possam ser referência em Angola e em África, pela eficiência operacional e qualidade do serviço ao cliente. O gestor diz que o momento mais marcante da sua vida foi o nascimento da filha em 2017.

“Mudei muito a minha percepção sobre a vida e o mundo depois do nascimento dela. A convivência com a minha esposa e a minha filha permitiu-me desenvolver uma “sensibilidade” para as pessoas que antes eu não tinha”. Partilha aqui os três livros que fazem parte da sua cabeceira e recomenda a todos apaixonados pela gestão e liderança: “O Monge e o Executivo” de James Hunter, “As 48 Leis de Poder” de Robert Greene e “Pai Rico, Pai Pobre” de Robert Kiyosaki. E opinando sobre a nova geração de gestores e líderes, afirma que “É preciso adoptar uma gestão mais profissional e menos amadora, uma gestão focada nos objectivos e resultados, avaliando o desempenho individual e organizacional com base na eficácia e na produtividade, e não no “número de horas no trabalho”, para tornar as organizações angolanas mais competitivas” e “Os novos líderes devem compreender que essa nova geração, conhecidos como millennials, não será motivada com recurso a políticas e estratégias desenvolvidas no tempo dos nossos avós”.