Mercado de valores
Tempo - Tutiempo.net

Brunch With...José Pedro

Apaixonado desde cedo pelo desporto, o especialista fala da sua formação e das metas que preconiza para o seu negócio.

Luanda /
01 Jan 2020 / 08:00 H.

O quarto filho de seis, nasceu aos 13 de Fevereiro de 1982 no município do Kilamba Kiaxi, Luanda, mas cresceu em Viana, onde fez o ensino médio e depois foi para África do Sul fazer a formação superior de Gestão e Marketing Desportivo.

José confessou que desde muito cedo, sempre foi muito curioso, se não seguisse a gestão desportiva como profissão seria engenheiro mecânico, por gostar muito de carros até começar a conduzir com os 11 anos de idade. Com os seis anos já tinha descoberto a paixão pelo basquetebol, chegou a jogar até ao escalão júnior, mas não teve êxito para o sénior, porque foi a altura em que os pais decidiram mandar-lhe para o exterior, de modo a fazer a formação superior. ‘‘Quando descobri a paixão pelo basquetebol, foram treinos muito intensivo, porque naquela altura o basquetebol de rua era muito forte em Angola e aquilo foi um bicho que cresceu de forma explosiva’’, comentou.

Apaixonado por viagens turísticas, ao chegar a Cape Town, África do Sul, teve a ideia de fazer o curso de Hotelaria e Turismo, e por se tratar de um curso muito concorrido e priorizar-se os natos naquela região, teve que optar por um outro, a Gestão Desportiva pela Cape Peninsula University of Technology e tornou-se no primeiro angolano a licenciar-se nesse curso na África do Sul. ‘‘Nunca na minha vida tivera ouvido sobre este cargo. Não sabia que existia um curso sobre Gestão Desportiva, fiquei curioso, procurei saber mais sobre o mesmo e disse: isso tem tudo a ver comigo’’, referiu.

O nosso empreendedor, partilha neste brunch que a escolha da Gestão Desportiva foi por causa da paixão que já carregava, acrescentando ainda que sempre teve o sonho de, senão ser jogador profissional, estaria dentro do desporto, mas na vez de dirigente.

Enquanto estudante teve também que trabalhar e fê-lo na Virgin Active, uma das maiores redes de ginásios na África do Sul que foi parte do seu estágio como gestor desportivo.

O regresso à casa e percurso profissional

Depois o termo da universidade em 2006, regressa para a sua terra natal, Angola, em Dezembro com a intenção de trabalhar na organização do Campeonato Africano das Nações de Basquetebol, Vulgo Afrobasket, mas conseguiu integrar-se na Federação Angolana de Basquetebol (FAB), onde teve o seu primeiro emprego oficial nas vestes de Coordenador de Marketing & Eventos. Em 2007 foi o responsável pelos guias turísticos e gestor de pavilhão do comité organizador da liga dos campeões em basquetebol, realizado em Angola, onde participaram dois países francófonos e um anglófono. No ano a seguir, trabalhou no comité organizador do CAN de andebol masculino e feminino e em 2009 no CAN de futebol, ambos como coordenador adjunto do departamento de marketing. Em 2011, abraçou um projecto familiar que é a revista CARGA, magazine da música, na função de coordenador de Marketing durante dois anos, recebeu de seguida a proposta para ser Director de Marketing e Relações Públicas, na DStv-Super Sport. Trabalhou como gestor de marca da DDM na empresa de distribuição de produtos diversos. Participou em vários eventos desportivo, assim como em 2016, exercendo actividades de coordenador dos transportes, na Basketball without a Border, um Camp Clinic organizado pela NBA e a Helmarc em Luanda.

O negócio que gere e os principais desafios

Actualmente o nosso convidado actua na área de empreendedorismo desportivo e é o mentor do “Torneio 1 de Junho”, evento que tem como objetivo divulgar e aumentar o basquetebol nos escalões de formação. Questionado sobre a sua entrada no mundo do empreendedorismo, partilha que foi olhando para o mercado, fazendo estudos, esteve sempre nas organizações de vários eventos de basquetebol e logo apercebeu-se da necessidade que o mercado tem e procurou, entretanto, criar a ideia de construir uma empresa que desse respostas às dificuldades que os profissionais do desporto ultrapassam até hoje.

Assim, José Pedro é o fundador da agência de Marketing Desportivo em Angola, denominada ‘‘MARKSPORT, LDA’’, que trabalha na imagem e gestão de carreiras dos atletas, assim como na organização de eventos desportivos para as empresas que queiram utilizar o desporto como veículo de comunicação para os seus produtos e serviços. ‘‘É uma área ainda fragilizada, porque o mundo do desporto hoje está cada vez mais competitivo e os atletas às vezes não têm direcção, faltando-lhes tempo para os negócios’’, refere.

Em Dezembro de 2016 decidiu investir à custo próprio, nos Estados Unidos, em Miami, para fazer a formação de agente FIBA, tornando-se num agente angolano licenciado pela FIBA. ‘‘O nosso objectivo enquanto empresa é de internacionalizar a nossa marca e hoje em dia os atletas não podem sair de um país sem ter um agente certificado, daí a visão em ter essa licença para facilitar e aumentar o valor na bolsa não só da empresa, mas também a título individual’’, sublinhou.

O gestor desportivo diz que tem como ambição particular ser o melhor agente desportivo de basquetebol em África e estar na lista dos melhores do mundo. Confessa que o momento mais alto da sua carreira foi por ter participado da organização do evento da NBA, organizado em Angola e ser convidado pelo vice-presidente da NBA para África a participar no jogo das estrelas em Fevereiro de 2017, onde vão jovens jogadores de todo canto do mundo. ‘‘Foi uma experiência única e daria tudo para estar presente em todos os eventos, porque eu tive a oportunidade de estar com estrelas e treinadores do basquetebol que só via na televisão’’, lembrou. Tem como referência de inspiração os livros de marketing desportivo e o da obra Jorge Mendes, o agente especial de Miguel Rubio.

Sobre a situação do País, opina que o angolano por natureza é muito criativo, mas infelizmente tem utilizado esta criatividade para o lado negativo, isto porque estamos num sistema muito fechado onde os jovens não conseguem exercer as funções da sua licenciatura. ‘‘Eu não conheço pessoa alguma com a minha formação, mas as pessoas já vão despertando que no desporto existe essas e outras áreas’’.

Em nota de conclusão, o nosso convidado aconselha aos jovens líderes da seguinte forma: ‘‘O quê que conseguirias fazer sem ser pago todos os dias? Depois de descobrir isso tenta rentabilizar o que fazes sem esperar por uma remuneração e aí serás a pessoa mais feliz do mundo’’.