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Brunch With...Joaquim Piedade

Uma década a dirigir a área comercial e marketing da Unicargas, considera estar a viver um dos

Luanda /
28 Nov 2019 / 11:16 H.

O convidado para o brunch desta edição é o ilustre director Comercial & Marketing da Unicargas, Joaquim Piedade, que adopta para si a simplicidade como modelo de vida.

A ambição que até hoje o move é contribuir com a sua energia e conhecimento para que o sector

dos transportes e logística ajudem nas soluções e na contenção dos custos de produção e preço de venda das mercadorias.

Com a sua juventude, acredita que ainda está por vir o momento que designará o mais alto da sua carreira, mas um dos momentos que lhe marcou foi efectivamente abraçar o desafio de tornar maior o âmbito de actuação da Unicargas. Considera a leitura como seu ponto de melhoria, pois, apenas lê livros técnicos e neste capítulo o livro de Philip Kotler “Marketing Estratégico” é a sua grande inspiração.

Tem dedicado parte do seu tempo e conhecimento ao desporto, sendo actualmente o Vice-Presidente do clube desportivo mais antigo do País, Clube Ferroviário de Angola, agora já com 104 anos.

Como filho mais novo de uma família de sete irmãos, Joaquim nasceu e cresceu no Bairro Popular (Neves Bendinha), no dia 23 de Agosto de 1980. “Gosto de dizer que sou natural do “Popula”, pois nasci em casa dos meus pais e de lá saí apenas para abraçar o desafio técnico-académico na Alemanha em 2002”, recorda.

Teve uma infância plena de carinho e “mimo” dos irmãos e pais e, até dos sobrinhos, sendo que já nasceu tio. “Sempre fui muito focado nos meus estudos e também no desporto sendo até hoje o meu grande vício, então, logo após as aulas,fazia rapidamente a tarefa da escola e partia para rua para jogar futebol, basquetebol ou corrida de bicicleta”, revela.

Joaquim sempre sonhou ser médico por gostar de cuidar dos outros e, segundo ele, também porque tinha excelentes resultados a biologia, química e física. Quando chegou a fase de ingressar para o ensino médio, o Instituto Médio de Saúde estava em greve e aí começou o desvio deste sonho, mas confessa que se estabiliza quando faz referência e diz “tudo acontece quando tem de acontecer.”

Transcursão académica

De 1986 a 1996 frequentou escolas do ensino primário e secundário do Bairro Popular, escola da Defesa Civil, até altura que começou a estudar no Instituto Médio de Economia de Luanda – IMEL no curso de Contabilidade e Gestão até 1999.

Em 2001 começa o seu percurso universitário na Universidade Católica de Angola, na especialidade de Gestão de Empresas, após o primeiro ano recebeu uma bolsa de estudo do governo alemão para uma especialização em Telematics (Tecnologia voltada a logística) de 2002 a 2003. Em 2007 decidiu aprofundar os seus estudos, pelo que abraçou o desafio do ensino universitário a distância pela UNISA ((University of South Africa) na especialidade de Gestão e Marketing voltado a logística.

Não ficando por este trecho, em 2012, Joaquim deu início a pós-graduação em Logística na North West Kent College – Reino Unido e com um excelente resultado, beneficiou de meia bolsa para começar o Mestrado numa das mais conceituadas Universidades do Reino Unido a Middlesex University com sede em Londres onde em 2015 concluiu a formação com o título de Mestre em Logística.

Progressão de carreira

Para o gestor, tudo começou quando em 1997 fez parte de um grupo de estudantes do IMEL que visitou o Porto de Luanda e posteriormente a bolsa de estudo do governo alemão onde vivenciou realidades impressionantes do mundo logístico.

Começou a trabalhar como professor de Xadrez na Escola Macovi e na Escola Especial de Surdos e Mudos no ano de 1998. Em 2000 foi professor de Informática e de Inglês num colégio do bairro Popular de modo a fazer poupança para custear a sua formação universitária e depois abraçou o desafio com uma prestadora de serviços do sector petrolífero onde tinha como responsabilidade a transferência dos dados geológicos das plataformas para os escritórios dos clientes em Luanda.

A bolsa permitiu a sua candidatura como trabalhador do Porto de Luanda entre 2003 e 2009 após exposição à uma realidade muito avançada em termos de gestão de Portos como o de Hamburgo e Roterdão ter de transferir esse conhecimento para os colegas que já tinham mais de dez anos de profissão.

Outro grande desafio foi quando abraçou o comando Comercial e Marketing da Unicargas que na altura apenas operava em Luanda e com a visão que possui até agora sobre logística, fez com que ajudasse a abrir as diferentes delegações que a Unicargas hoje possui. “Foi um verdadeiro e agradável desafio. Trabalho na Unicargas desde 15 de Julho de 2009 e continuo entusiasmado com a minha profissão passado 16 anos no sector logístico”, avança o jovem director acrescentando que há ainda muito por fazer pelo País.

Aos jovens líderes e gestores, Joaquim diz: “Os jovens têm conseguido desenvolver talentos capazes de provocar uma mudança de atitude que o nosso País precisa, mas tenho receio que a minha geração seja muito imediatista, fruto de algumas influências menos positivas da geração que nos antecedeu”. Conclui fazendo menção a situação do País como um período difícil que exige muita cautela e perspicácia na tomada de qualquer decisão, mas como sonhador acredita no País e entende que o revirar da página não está muito distante.