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Brunch With...Henrique Mbidingani

Batalhador e persistente, acredita no poder dos sonhos para alcançar os seus objectivos. Conheça o percurso de vida do engenheiro que se tornou num homem de negócios.

Luanda /
27 Nov 2019 / 16:43 H.

A entrevista para o Brunch With desta semana aconteceu no café Matabicho e traz como convidado o CEO e fundador da marca “O Garçom Angola”, Henrique Mbidingani, que vê em si a sua própria inspiração, porque todos os dias dá o melhor de si, tentando sempre, segundo diz, melhorar a casa em que comanda.

Homem batalhador, considera-se uma pessoa bastante sociável, pois teve sempre muitos amigos perto de si

em quase todas as vertentes da sua vida.

Na sublimidade do que faz, Henrique menciona ter várias ambições de vida e, particularmente para o projecto que gere, é torná-lo uma das marcas mais respeitadas e prestigiadas do País, assim como contribuir para a redução do desemprego e simultaneamente ajudar a diminuir o nível de pobreza.

Confessa nesta entrevista de perfil, que o momento mais alto da sua trajectória de vida foi o nascimento dos

filhos, e a nível da carreira diz ser difícil explicar, porém refere que a criação e a concretização do projeto, “O

Garçom”, torná-lo realidade foi sem dúvida uma das melhores coisas que lhe aconteceu.

A par disto, o gestor procura, sempre que possível, divertir-se com a família, gosta de hip-hop e house music, tal como diz, prefere os livros sobre negócios. Um livro que serviu e sempre servirá de inspiração é “A magia de pensar em grande” de Dr. David J. Schwartz.

Questionado sobre os desafios de viver em Angola, de forma particular em Luanda, o responsável afirma que a cidade é fértil para os negócios, não obstante que existam muitas barreiras e, um dos maiores impasses, segundo ele, é a burocracia e a falta de suporte, o que faz com que muita das vezes as pessoas desistam dos seus sonhos.

Os sonhos de infância

O nosso ilustre convidado nasceu em Luanda, concretamente no município da Maianga, onde viveu até aos seus 15 anos de idade. Lembra que teve uma infância feliz, privilegiada e cheia de boas memórias. Recorda de igual modo de que sempre sonhou em ser engenheiro como seu pai.

“Olhava o meu pai como espelho, pois sempre me deu tudo que precisasse, foi na verdade o meu herói. Mas sempre tive aquela queda por negócios e sabia que mais cedo ou mais tarde iria inclinar-me para o mundo de negócios”, sorrindo, acrescenta “algo engraçado que eu queria muito, mas nunca consegui era ser jogador de basquetebol”.

Por ter vivido fora durante muito tempo, o serviço de entrega ao domicílio no qual trabalhava fez parte do seu cotidiano. “Como todo bom angolano, tive a ideia de trazer para o País a experiência que obtive de fora, porque era a minha forma de agradecer ao nosso país,” explicou.

E quando regressou para Angola encontrou novos desafios e oportunidades colocando assim o projeto em

“Standby”. “Entretanto, foi apenas no ano passado que resolvi reactivar o projeto, porque olhei para o mercado e vi uma boa oportunidade de empregar muitas pessoas”, diz.

Mbidingani é o mentor e o homem forte do projecto, “O Garçom Angola”, um aplicativo concebido por uma equipa de angolanos para angolanos, cuja finalidade é de servir a sociedade através de entregas e recebimentos de produtos diversos, como consumíveis e muitos outros, e ainda a realização de tarefas solicitadas pelo cliente.

Projecto existente há um ano, o lançamento oficial do aplicativo deu-se em Talatona, no dia 15 de Setembro de 2018. Disponível das 8h às 22:30 minutos, conta com uma equipa com cerca de 40 motoboys distribuídos pela cidade de Luanda.

A formação e desafios

O convidado em destaque teve o início dos seus estudos primários até a 11ª classe em Luanda. Deu, entretanto, continuação da sua formação no exterior, onde viveu durante 14 anos. Fez dois anos no curso de Tecnologias de Informação e Comunicação, especificamente de 2000 e até 2002, optou por trocar de curso no princípio do mesmo ano, terminando a sua formação em Engenharia Química na universidade de Johannesburg, em 2006. “Escolhi engenharia química porque inspirei-me no meu pai”, esclarece.

O seu primeiro emprego foi no sector petrolífero, onde trabalhou em três empresas até 2012, nomeadamente a Schlumberger, Hallliburton e Sonaid, assim como nosramos das energias renováveis, e desde então, decidiu dedicar-se mais na área empresarial, fazendo acontecer aquilo que já almeja, enveredar no mundo dos negócios.

Mas lembra também que teve muitos desafios para ultrapassar até chegar ao ponto actual. “Os desafios que eu tive de superar foram vários, e como disse, o nosso país não é fácil para os empreendedores”. “Então desafios encontramos todos os dias e, particularmente, nesse nosso projecto um dos maiores desafios é o pouco número de usuários de smartphones, mas que com o tempo o certamente irá reduzir, acrescenta reflexivo.

Para a nova geração de gestores e empresários, o responsável não deixa de opinar sobre estes e diz que o mercado está cada vez mais preparado ao nível financeiro devido á situação que o país se encontra, pois aprendeu-se a encarar a realidade de outra forma.

E sobre a situação do país, Henrique entende que este se encontra numa boa fase, apesar do período constrangedor a que todos conhecem, e porque temos de ser optimista, acredita que o país tem aptidão para ultrapassá-los.