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Brunch With...Gerson Lima

O responsável pela área de risco de um banco conta nesta narrativa de vida os desafios por que teve de passar até atingir algumas metas preconizadas e continua a sonhar.

Luanda /
24 Jan 2020 / 08:38 H.

Gerson Lima é um jovem afável, determinado e focado nos seus objectivos, com fascínio pelas pessoas e pela aprendizagem contínua. Com origens da cidade de Calulo, província de Cuanza Sul, da parte da mãe e de São Tomé por parte do pai, destaca a flexibilidade e resiliência inerente do lado angolano e a simplicidade, lealdade e dever de honra do lado são tomense. Nasceu em Luanda em 1984, nas Ingombotas, tendo crescido no seio de uma família numerosa e unida em tempos difíceis. Mas aos sete anos de idade, depois das eleições, em função da instabilidade política e social que o país apresentava, os seus pais decidiram que fosse para Portugal estudar. Por lá fez todo o seu ensino desde o primário ao superior. Ingressou, entretanto, na universidade Técnica de Lisboa para o curso de Relações Internacionais no ISCSP, uma faculdade com um pendor muito político que o fez aguçar mais o apetite por política nacional e internacional. “Era jovem, entusiasta do que estava a estudar e considerava-me um internacionalista, sendo presença assídua em conferências e debates que havia também em outras faculdades que falassem sobre os temas de geopolítica, estratégia ou política internacional”, lembra o especialista em risco que explica que a mudança para a Gestão de Administração Pública aconteceu por influência de seu tio que o aconselhou pelo plano curricular que o mesmo apresentava, provando, mais tarde, ser útil profissionalmente. “Para conclusão de curso realizei um seminário de investigação sobre a Reforma Administrativa em Angola e fiz um curso de especialização de Segurança e Intelligence com bom aproveitamento. Durante este período, fui muito activo nas actividades ligadas ao associativismo académico”. Da sua infância recorda que foi afortunada e, por ser o único filho da parte da mãe, sempre foi muito acarinhado por toda a família. Mas recorda também que os primeiros meses em Portugal foram muito dolorosos, para além da saudade da mãe a quem tanto pedia para regressar em Angola.

“Cresci numa casa com seis irmãos em que a educação e respeito eram palavras de ordem. Desde muito cedo que os meus pais nos incutiam responsabilidade, resiliência e formação enquanto chave para o sucesso”, recordou. Quando criança teve muitos sonhos, o primeiro era de ser Engenheiro, por influencia de um tio muito querido. Mais tarde o desejo era ser político, de forma a poder contribuir de alguma forma para o bem-estar das pessoas. Trajecto na banca Em Portugal, enquanto estudava, fez de tudo um pouco, trabalhou para a PT e MEO durante vários anos em call center, foi segurança, handler de bagagens no aeroporto de Lisboa. Mais tarde gestor de cartões de crédito do Santander e gestor numa agência de viagens. A escolha pelo ingresso no sector bancário veio muito influenciado por um amigo de infância, que o fez reparar no dinamismo do sector bancário, entendeu assim que o seu perfil iria se enquadrar neste sector, levando em conta a sua formação e a transversalidade disciplinar da função bancária. Começou a trabalhar no Atlantico Europa no Risk Office, em Lisboa, previsto inicialmente para funcionar na área comercial, ficou alocado na análise de crédito e gestão de risco, ganhando, assim, a paixão pela banca assim como pelo risco enquanto área de controlo. O desafio foi lançado, o nosso convidado recebeu o convite para regressar e abraçar a banca em Angola, sua terra natal, em 2013 para o Banco Atlantico numa equipa jovem e dinâmica, sendo responsável pela implementação e gestão do Risco Operacional durante dois anos. E porque a vida profissional é dinâmica, Gerson Lima não hesitou em aceitar um novo desafio na Direcção de Controlo Interno e Risco Operacional do Banco Económico como Assistente de Direcção. “Aí pude crescer mais como profissional tendo uma líder que me dava toda a confiança e autonomia. Iniciei como assistente de direcção e passado uns meses tornei-me coordenador de uma equipa virada para o risco operacional, contudo com uma enorme vertente no controlo interno”, afirmou. Em 2017 foi-lhe apresentado o projecto do Banco Yetu. Um banco relativamente novo no mercado com objectivos estratégicos bem definidos de solidez, transparência e responsabilidade. Tratava-se de um projecto ambicioso, de ajudar a criar e implementar processos de gestão de risco no Banco.

“Revi-me no projecto e na visão das pessoas que estão a frente do Banco. Entrei como especialista de risco, em Fevereiro de 2018, sendo que um ano depois, em Janeiro de 2019, passei a exercer o cargo de Coordenador do Gabinete de Risco até hoje”, refere acrescentando que “o maior desafio profissional foi de consciencializar as instituições e as pessoas da importância do risco enquanto área de controlo e sua importância para a actividade bancária”. Leccionou também a cadeira de Introdução às Organizações e Gestão no Instituto Superior de Administração e Finanças (ISAF) em 2018. Profissionalmente tem a ambição de especializar-se cada vez mais nas áreas de Risco e Controlo Interno, assim como tornar o gabinete que coordena em uma referência do banco. “A Lógica do Cisne Negro”, de Nassim Taleb é o livro que lhe serve de inspiração, mas encontra referência de vida nas duas mães que tem, tal como diz, na medida que são humildes, batalhadoras e que procuram sempre o melhor para si e para a família, com um sentido altruísta muito forte. E para finalizar, Gerson Lima aconselha a nova geração de gestores a focarem-se na formação contínua e nas oportunidades de um mercado ainda precoce e em constante crescimento.