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Brunch With...Geraldine Geraldo

Orientada para a excelência, a jovem gestora, jurista de formação, foca-se menos nos desafios e mais nas oportunidades. Leia a narrativa desta angolana do mundo que enveredou pelo empreendedorismo. E valeu a pena.

Luanda /
11 Jan 2020 / 08:00 H.

Advogada de profissão e co-fundadora da startup Roque Online, nasceu na província da Huíla, mas parte da sua infância e adolescência foi vivida no Botswana, onde esteve 13 anos, e que recorda como um país “próspero em vésperas do desenvolvimento económico. Era um mundo perfeito para as escolas e o espírito de comunidade”. Recorda que teve uma infância normal, com muitas brincadeiras, e que em criança sempre sonhou em ser médica. Mas, com o passar do tempo, foi ganhando paixão por outros temas, mais orientados para ajudar pessoas. Descreve com algum detalhe os desafios de ter experimentado outras realidades geográficas e refere que teve a oportunidade de viver em três continentes com culturas bastantes diferentes, nomeadamente África (Angola, Botswana, Namíbia, África do Sul e Moçambique), Estados Unidos e Eurásia (Cazaquistão). O principal desafio encontrado no caminho foi o processo de adaptação, que, todavia, considerou ser uma oportunidade para crescer e aprender. “Hoje consigo fazer uma comparação mais profunda do nosso País em todas as vertentes e procurar soluções com base nas experiências diversificadas que tive”, refere.

Em 1996 regressa a Angola, para viver na sua terra natal, o Lubango, uma “cidade agradável” e muito fácil para a readaptação, após ter estado muitos anos fora, onde deu continuidade ao seu percurso académico. Foi inscrita para fazer o ensino médio em Ciências Exactas, mas o maior desafio foi a língua portuguesa, onde tinha algumas dificuldades. Por isso, acabou ir para a Namíbia, para completar os estudos. Por lá, em 2004, conclui o Bacelares Juris, na Universidade da Namíbia, e em 2006 a licenciatura em Direito (LLB) na mesma universidade. Em 2007, finalizou o mestrado em Direito na Universidade de Pretória, África do Sul, e obteve o diploma de pós-graduação em Gestão de Projectos, pela Universidade de Liverpool, Reino Unido. Durante dez anos, trabalhou no sector petrolífero, numa das empresas do top da lista Fortune 500, em posições estratégicas a nível global com a Chevron, passou por ONGs e outras multilaterais, como o Banco Mundial. “Foi um percurso excelente, onde aprendi muitas lições importantes da vida, como o meu potencial pessoal e como criar negócios e projectos com impacto. E tomei a decisão de trabalhar por conta própria e focar os meus esforços no sector com mais desafios e mais compatível com a minha experiência, que é o sector informal”, refere a empreendedora, que não poupa esforços para explicar o seu projecto, que tem recebido vários prémios, dentro e fora de Angola.

“Criámos a Roque Online em 2018, com o objectivo de lançar uma empresa que juntasse uma rede de profissionais global capazes de dedicar tempo a entender profundamente os desafios do sector informal e a desenvolver soluções para permitir o aumento de qualidade de vida neste segmento”, afirma.- A plataforma de e-commerce Roque Online é um instrumento de gestão de mercados informais (www.roque-online.com), associando o sector informal a tecnologias capacitadoras”, explica. A ideia, recorda, surgiu para homenagear aquilo que foi o maior mercado a céu aberto de África, em Luanda, o ‘velho’ Roque Santeiro, aberto em 1991 e encerrado em 2011, que impactou fortemente a vida de milhares de angolanos, incluindo nos momentos críticos da sua história.

Oportunidades, ambições e hobbies

De jurista passou para a área comercial, com o objectivo de aprender mais sobre o desenvolvimento de negócios e como este ‘mundo’ funciona. Foca-se menos em desafios e mais nas oportunidades. Ao trabalhar no mundo corporativo, teve a oportunidade de desenvolver o seu carácter para poder lidar com diversas situações de negociações com governos à volta do mundo, assim como com grandes empresas e fazendeiros. “Trabalhando em eventos que alteram os percursos de países e economias, em coisas a que muitos só assistem no noticiário, a nossa perspectiva do mundo altera-se, positivamente”, diz.

Olhar para a empresa que criou, daqui a alguns anos, e vê-la estável, a dar lucros aos sócios, a adicionar valor às vidas dos seus funcionários e ter um impacto positivo na sociedade, faz parte das suas ambições profissionais.

No seu percurso, destaca dois momentos marcantes: “No sector petrolífero, foi no dia que conseguimos a aprovação da lei que permite a comercialização de gás. Foi o último decreto de uma série que negociámos para aumentar o investimento no sector petrolífero em Angola”, recorda. E, na Roque Online, lembro o dia em que “recebemos uma encomenda de Austrália para o mercado de São Paulo, que foi completada através do Kifica”. A sua ‘colecção’ de gostos musicais inclui um pouco de tudo. E lê o que quer aprender. Em relação à nova geração de gestores e empresários, Geraldine vê exemplos de liderança interessante neste período. As fontes de inspiração de Gestão que actualmente segue são o BAI, o Standard Bank Angola e o Millennium Atlântico, neste que considera ser a “época dos financeiros”. Sobre a realidade angolana, a gestora afirma que este é um País “cheio de jovens criativos e com vontade de fazer acontecer” e reforça que “o importante é manter o foco e lembrar que os resultados são um conjunto de pequenos passos”. Por fim, deixa uma ‘dica’: “Tente fazer a diferença a partir de casa, e que ela seja a mudança que queres ver no País.